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Neste espaço serão publicados textos disponibilizados pelos autores e que emanam das conferências organizadas pelo NHMOM.

“História da Velha Arte Dentária”

Resumo da palestra que António Vasconcelos Tavares proferiu no dia 21-02-2020, no âmbito do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM:

 

As minhas primeiras palavras são para agradecer o honroso convite que me foi dirigido pelo Colega, Dr. Aires Gonçalves, para vos falar da história da Estomatologia.

O Homem e o dente são contemporâneos, dado que o Senhor os formou de um só sopro depois de ter criado a luz e de ter extinto a escuridão sem idade do mundo.

Com o primeiro pecado, só praticável porque tinham dentes, a bíblica dentada de Adão e Eva na maçã, veio o castigo eterno e o sofrimento. “Serão assim a cárie e a dor que merecerão, na longa história da arte dentária, empenhadas atenções dos que tem por dever aliviar os padecimentos humanos”, afirmou o Prof. Doutor Luís de Pina na abertura do II Congresso Nacional de Estomatologia em 1964.

De facto a dor e a cárie existem desde a mais remota antiguidade.

Embora no homem de Neanderthal e de Cromagnón não se registassem cáries, estes tinham condições para sofrer de patologia dolorosa, pois apresentavam grande desgaste das superfícies mastigatórias, um terço maiores do que as actuais, provavelmente devido ao tipo de alimentação à base de vegetais duros, raízes e carne, a par de maxilares muito desenvolvidos e dotados de fortes músculos.

Os primeiros documentos sobre a arte de curar as doenças da boca surgem com o nascer das civilizações.

Nas margens do Nilo os egípcios desenvolveram graças à coesão das suas estruturas políticas e sociais, à influência da religião e ao vigoroso alento espiritual, a mais prolongada (cerca de 4000 anos) e homogénea civilização conhecida na história desde Menes, fundador da Primeira Dinastia, a Cleópatra. O mais antigo dos médicos especialistas de que há registo, foi Hesi-Ré, Chefe dos Dentistas e Médicos do palácio real egípcio, no reinado do faraó Djoser, cerca de três mil anos A.C., segundo se pode depreender de uma inscrição encontrada na pirâmide em degraus ou Saqqara, seu túmulo.

Nos antigos papiros egípcios, encontrados por Edwing Smith e Ebers, estão descritos alguns tratamentos quer para combater as dores de dentes, (consistiam na colocação de uma pasta de incenso, cominhos e cebola em partes iguais, aplicada na cavidade do dente), quer para abcessos, (aconselhavam a sua drenagem) e fracturas dos maxilares (em que ensinavam a redução e imobilização).

Na biblioteca do Rei Assurbanipal, na Babilónia, e datando do segundo milénio A.C. encontram-se placas de argila, gravadas com escrita cuneiforme contendo orações para expulsar o verme, corporificação do demónio mau, que corroía e destruía o dente.

Também Heródoto no séc. V A.C. descreve a existência de profissionais de saúde, alguns dos quais seriam unicamente dentistas.

Na Grécia e segundo Cícero, foi Esculápio o inventor do temível boticão ou fórceps dentário. Na época era designado por odontogagum e feito em chumbo para poder dobrar-se em caso de extracções difíceis, evitando as fracturas do maxilar.

A medicina hipocrática preconizava a utilização do cautério, para afastar a pituíta, humor responsável pelas dores ao acumular-se em torno das raízes do dente. Considerava a extracção um remédio heróico só devendo ser utilizado quando todos os outros tinham fracassado. As terapêuticas mais comuns resumiam-se a cauterizações gengivais, gargarejos, bochechos e extracções.

Na Roma imperial, a higiene oral era muito importante, usando-se plantas como o nardo, a verbena, o meimendro e a mirra para perfumar o hálito. A boca era considerada o vestíbulo da alma e um instrumento utilíssimo para a humanidade, estojo da língua, insubstituível jóia que adicionada ao divino dom da palavra, colocava o homem muito acima dos outros mortais. É ainda na Roma antiga que surge a primeira anestesia local, com o uso da “Pedra de Memphis”, carbonato de cálcio, que molhada em vinagre e aplicada em fricções sucessivas libertava ácido carbónico, responsável pelo efeito antiálgico.

É aceite, pelos historiadores e investigadores, que a primeira escola de Medicina em Portugal, surgiu em Coimbra no Mosteiro de Sta. Cruz, ainda no tempo de D. Afonso Henriques o que não se estranhará visto a Medicina de então ser exercida por frades que consideravam o seu exercício uma obra de misericórdia. Terá sido nesta escola que, muito provavelmente, Pedro Julião ou Pietrus Hispanus, fez a sua formação básica de 1240 a 1246. Único Papa português, sob o nome de João XXI, foi médico e pela sua ciência mereceu o nome de Dr. Universal. Entre as várias obras de medicina e teologia que escreveu vale a pena relembrar o “Thesaurus pauperum”, notável compilação de receitas médicas conhecidas, no seu tempo, com um carácter eminentemente prático. Obra esta que teve grande expansão na Idade Média e foi repetidamente editada a partir dos primeiros alvores da imprensa.  Conhecem-se 81 edições em várias línguas do séc. XV ao séc. XVIII. A edição em espanhol recomenda que para alívio da dor de dentes se faça oração a Sta. Apolónia e a dor desaparecerá.

Dos milhares de mártires caídos nos três primeiros séculos da Igreja, apenas um pequeno número ficou nas páginas da história. Entre estes está Sta. Apolónia.

Dela fala S. Dionísio numa carta escrita a Fábio, bispo de Antioquia, aí sendo relatada a história de Sta. Apolónia. S. Dionísio foi bispo de Alexandria, cidade onde Sta. Apolónia foi martirizada e ainda seu contemporâneo, pelo que o seu depoimento tem importante valor histórico.

Apolónia era filha de um influente magistrado de Alexandria. De família nobre, fazendo parte do grupo das diaconisas, cuidadosamente escolhidas entre as cristãs, viúvas ou solteiras, de cerca de 30 anos de idade.

Escreve S. Dionísio, “entre outros prenderam a admirável virgem, já de idade, Apolónia, a quem partiram à pancada todos os dentes e destroçaram os maxilares. Acenderam por fim uma fogueira e ameaçaram queimá-la viva se não repetisse, em coro com eles, as ímpias blasfémias lançadas a gritos de pregão. Mas ela, pedindo que a deixassem liberta, correu precipitadamente e atirou-se para o fogo, morrendo queimada. As suas últimas palavras dirigiram-se aos que padecem com dores de dentes, quando a invocarem encontrarão alívio para o seu sofrimento”.

A estes dados históricos juntou-se uma tradição que a Idade Média enriqueceu, adicionando a fantasia das suas lendas.

O culto de Sta. Apolónia aparece na Europa quase simultaneamente em vários países, talvez devido à influência do Papa João XXI ou Pedro Hispano e da sua obra antes referida. Como curiosidade refira-se que no local onde hoje existe a Estação Ferroviária de Sta. Apolónia, existiu antes uma capela, de Sta. Apeloinha, com imagem e relicário, depois integrada no convento de Sta. Apolónia em frente à calçada dos Barbadinhos. Segundo o Dr. Paiva Boléo, já em 1337 existia, em Lisboa, devoção a Sta. Apolónia. Por testamento de D. Maria Aboim recebera a capela uma doação de quarenta soldos. Com a construção da estação em 1852 a fachada da igreja foi apeada e reconstruída no lugar do Arrepiado na Chamusca.

A medicina portuguesa passou entretanto além fronteiras e Vasco ou Valesco de Taranta, um dos médicos mais famosos do seu tempo diplomou-se, no séc. XIV, na Universidade de Montpellier, onde posteriormente foi professor e onde, ainda hoje, se pode encontrar o seu retrato. Foi médico de Carlos VI, rei de França e na sua obra “Philonium” trata detalhadamente da etiologia, sintomatologia, prognóstico, profilaxia e tratamento de várias afecções dentárias.

Amato Lusitano foi outro notável médico português do séc. XVI que exerceu medicina em Antuérpia, Ferrara e Roma, onde tratou o Papa Júlio III. Uma das observações interessantes sobre Amato Lusitano refere-se ao tratamento de uma perfuração palatina, de origem sifilítica, cuja oclusão consegue com uma placa de ouro.

Entre as doenças que se tornaram mais frequentes entre nós, no tempo dos descobrimentos, há a referir o escorbuto, a que Camões se refere nos Lusíadas quando diz:

“Quem haverá que sem o ver o crea?

Que tão disformemente alli lhe incharão

As gengivas na boca, que crecia

E a carne juntamente apodrecia”

 

É natural que a medicina se preocupasse com este problema, que marcou uma época, provocado pela carência em vitamina C, devido à falta de legumes e frutas frescas nas viagens marítimas. Este problema hoje de fácil solução arrastou-se por cerca de dois séculos.  Garcia da Horta na sua obra designada “Colóquios”, refere várias drogas indígenas que vieram enriquecer o arsenal terapêutico europeu na luta contra o escorbuto.

A regulamentação do exercício da profissão médica inicia-se por carta régia, de el-rei D. Afonso V, segundo a qual quem usasse da física ou da cirurgia sem licença especial, passada pelo Cirurgião-Mor do Reino, era preso ou multado.

Apesar de todas as medidas legais grassava o curandeirismo. Em relação à arte dentária quem nesse tempo tirava dentes eram alguns cirurgiões, vários barbeiros e cirurgiões estrangeiros ambulantes como Mestre Pedro, por alcunha o “sacamuelas”, nascido em França por volta de 1526 e que exercia a arte em Lisboa em 1561, intitulando-se cirurgião-dentista.

Uma nova carta régia datada de 1629 insiste na necessidade de os Cirurgiões-Mores visitarem os domínios reais e examinarem os ofícios de cirurgião e barbeiro, com a finalidade de verificar se dispunham de licença para a sua actividade. As cartas de cirurgião barbeiro autorizavam a sangrar, pôr ventosas, sarjar, pôr cáusticos, fazer pequenas intervenções cirúrgicas e tirar dentes.

Segundo Silva Carvalho, Zacuto Lusitano, clínico notável, que depois de ter exercido em Portugal, durante 30 anos, retirou-se para Amsterdão com receio da Inquisição. Foi o primeiro dos nossos autores a fazer uma descrição anatómica completa da língua, dos dentes e das estruturas adjacentes, ocupando-se ainda da dor e da hemorragia pós-extracção.

  1. Maria I, durante um período de profundas transformações políticas culturais e sociais, extingue os cargos de Cirurgião-Mor e Físico-Mor, atribuindo as suas funções à Real Junta do Proto-Medicato que, segundo uma lei de 1782, era constituída por sete médicos e cirurgiões. Os candidatos a arrancadores de dentes teriam que requerer a respectiva licença à Real Junta.

É Feliciano de Almeida que na sua obra “Cirurgia Reformada”, publicada em 1738, emprega pela primeira vez o termo odontalgia, para designar a dor de dentes. A sua obra inclui capítulos sobre a rânula, edema dos lábios, epúlide e escorbuto.

Um nome habitualmente citado nesta época é o Dr. Francisco da Fonseca Henriques o Dr. Mirandela que publica uma obra notável “Medicina Lusitana. Socorro Delphico”, onde desenvolve o tema da patologia oral e dentária.

Com a supressão da Real Junta do Proto-Medicato, em 1800 e nomeação de novo Cirurgião-Mor, pelo Príncipe Regente, é estabelecido um programa para a admissão a exames de habilitação a dentista. Os exames podiam ser feitos na Universidade de Coimbra ou nas Escolas Médico-Cirurgicas de Lisboa e Porto. As matérias incluíam anatomia, patologia, medicina operatória (conservação e extracção de dentes) e prótese dentária. No início do séc. XIX havia, em Lisboa, uma centena de dentistas portugueses e vários estrangeiros.

As tabuletas e anúncios traduziam, quase sempre, a sua incultura e, por vezes, descarada charlatanice.

A necessidade de uma preparação correcta apoiada em conceitos científicos válidos é cada vez mais premente em todo o mundo, onde o panorama é semelhante ao descrito para Portugal.

Por influência do Presidente George Washington, desdentado aos quarenta e sete anos e portador durante a vida de 44 próteses dentárias, é criada em 1840 em Baltimore, no Maryland, pelo seu dentista John Greenwood e colaboradores, Hayden e Harris, a primeira Escola de Medicina Dentária do Mundo. Não será certamente desajustado concluir que o Presidente, toda a vida sofredor de problemas dentários e que tinha o cuidado de colocar sob os lábios rolos de algodão, quando se fazia retratar, para compensar a falta de relevo ósseo, verificou por si próprio, a urgente necessidade da criação de um ensino organizado de qualidade.

Em França, Inglaterra, Suíça outras Escolas Dentárias abrem, entretanto, as suas portas.

O advento da Implantação da República em Portugal com o seu vasto programa de reformas e de esperanças, como diz Simões Baião, fez acalentar, entre nós, a esperança de um ensino organizado à semelhança do que já ia acontecendo por toda a Europa.

Em Janeiro de 1911, pouco tempo após a implantação da República, um decreto suspende os exames de dentista, por “insuficientes, desajustados e incompatíveis com as actuais exigências da ciência dentária”, entregando o exercício da arte dentária exclusivamente a médicos. A 22 de Fevereiro do mesmo ano é criada, por decreto, a Cadeira de Estomatologia nas Faculdades de Medicina, então sujeitas a reforma curricular, disciplina infelizmente extinta em 1926, sem nunca ter funcionado, como refere o Prof. Dr. Nunes da Silva no seu artigo sobre a evolução da arte dentária e seu ensino em Portugal.

A Sociedade Portuguesa de Estomatologia foi a primeira especialidade médica a organizar-se em Sociedade Científica e é constituída em 1919. Foi ainda das primeiras agremiações mundiais a filiar-se na Associação Estomatológica Internacional, a mais prestigiada sociedade internacional da época.

Manteve inalterável, ao longo dos anos, o espírito que presidiu à feitura dos seus estatutos, orientando e promovendo a formação científica, deontológica e ética dos colegas, através de Palestras, Cursos e Congressos de alta qualidade e pugnando durante décadas, junto das autoridades competentes, pela criação de um ensino organizado.

Eram cerca de uma trintena os médicos que se dedicavam a esta especialidade, como pioneiros muito lutaram pela dignificação da Estomatologia e pela oficialização do seu ensino nos cursos de Medicina. A introdução de um curriculum específico que valorizasse os cuidados de saúde da cavidade oral, parecia fundamental.

Procurava-se ainda activamente o lançamento do Instituto de Estomatologia, muito semelhante ao existente em Paris, no Hospital Salpetriére, mas que, infelizmente, nunca passou da fase do decreto criador. Os nossos colegas desta época, Amor de Melo, Ferreira da Costa, Tiago Marques, Paiva Boléo, entre outros – eram poucos, mas de grande dinamismo – deram um impulso, de vital importância, para o desenvolvimento da Arte Dentária e da Sociedade de Estomatologia. Foi através do motor da Sociedade que se atingiu um bom nível de aperfeiçoamento da arte dentária em Portugal, até ao aparecimento das Faculdades de Medicina Dentária de Lisboa e Porto.

Depois de meio século de frustrantes tentativas para criar um Ensino organizado, e quase século e meio após a primeira Escola Dentária de Baltimore, toma posse a 3 de Julho de 1975 a Comissão Instaladora da Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa. A Escola inicia o seu funcionamento a 14 de Outubro de 1977, com treze docentes fundadores e 16 alunos.

Em 15 de Maio de 1976, com percurso semelhante e com o esforço e a dedicação de muitos colegas é criada a Escola Superior de Medicina Dentária do Porto que recebe os primeiros alunos ainda no ano lectivo 1976/77.

Em Coimbra, alguns anos mais tarde, é criada a licenciatura em Medicina Dentária na Faculdade de Medicina de Coimbra.

Posteriormente e até ao momento actual surgiram mais quatro instituições privadas com licenciaturas em Medicina Dentária.

Hoje podemos orgulhar-nos de possuir, em Portugal, um ensino considerado exemplar para vários países comunitários.

A dignificação de uma instituição universitária baseia-se na sua capacidade intelectual, ou seja, no progresso de uma inteligência colectiva de docentes e discentes interessados em transmitir e em receber os saberes adquiridos e os conhecimentos novos num ensino permanente, indivisível e continuado.

Temos pugnado por cumprir as missões essenciais do ensino superior tal como definidas na Conferência mundial da UNESCO sobre o ensino superior e definidas como acções para o século XXI. Educar, formar, investigar e em particular contribuir para o desenvolvimento duradouro da sociedade, no seu conjunto.

Continuaremos a nossa marcha, aprofundando e enriquecendo as linhas estratégicas de orientação que encetámos. Promover realmente a qualidade, por um esforço efectivo de transformação positiva dos nossos desempenhos e resultados, do serviço que prestamos e daqueles que formamos. Desenvolvemos e desenvolveremos a nossa acção num escopo de contribuir para a consolidação, fortalecimento e acrescida dignificação de um sistema universitário público – verdadeiramente à altura das exigências, responsabilidades e intervenção que as comunidades onde nos inserimos legitimamente esperam.

É impossível disseminar e enraizar uma “sociedade do conhecimento” sem um cultivo valorizado e sério dos saberes em ambiente de dinâmica vitalidade. É estultícia inadmissível que esse cultivo imagine sequer alhear-se do seu entrosamento e função sociais.

O objectivo da nossa profissão é ensinar e educar, mulheres e homens íntegros, imbuídos do sentido do dever e do sacrifício, dotados de sentido do humor e das conveniências, de bom senso, aptos a trabalhar em harmonia com outros e possuidores de um grande amor pelo próximo.

Começámos em 1976 continuaremos na prossecução dos nossos objectivos com esperança, pois ela nos levará à meta, no dizer de Ésquilo.

Com a fundação das Faculdades de Medicina Dentária culminaram cem anos de lutas, vicissitudes e anseios, um século de esperanças e desilusões, em que alguns dos pioneiros se extinguiram, deixando a outras gerações a fé e a força para continuar a caminhada nunca interrompida.

“A pessoa humana e a medicina actual”

Resumo da palestra que Diniz de Freitas proferiu no dia 26-5-2018 em Coimbra, no âmbito da sessão temática Humanismo e Medicina, parte do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM.

Download: A PESSOA HUMANA E A MEDICINA ACTUAL

“Josepha de Ayala (1630-1684) dedaleiras, erotismo e imagem do corpo”

Resumo da palestra que Alfredo Rasteiro proferiu no dia 26-5-2018 em Coimbra, no âmbito da sessão temática Humanismo e Medicina, parte do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM.

Download: JOSEPHA – OM

“Memórias da Medicina de Ontem”

Resumo da palestra que João Patrício proferiu no dia 26-5-2018 em Coimbra, no âmbito da sessão temática Humanismo e Medicina, parte do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM:

 

Breves trechos da exposição intitulada “Memórias da Medicina de Ontem” realizada na Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos e presidida pela Colega Drª Maria do Sameiro Barroso, coordenadora do Núcleo da História da Medicina da Ordem dos Médicos

Para tratar deste tema utilizei como suporte ex-votos picturais mas olhados fora do simbolismo para os quais foram produzidos, o simbolismo religioso. Sendo assim, perguntei-me o que podem oferecer tão modestos quadros, tanto mais que em regra são arredios dos menos exigentes regras da técnica pictural. É que este tipo de Ex-Voto, sobretudo quando acompanhado de mensagem escrita, permite que melhor conheçamos o valor do património cultural relacionado com as vivências, relações sociais, usos, costumes e suscitam a conhecer conceitos e práticas da medicina da época em que foram elaborados recorrendo aos livros de medicina coevos. Neles recolhermos  entendimentos etiológicos, considerações fisiopatológicas e métodos terapêuticos.

O espaço dedicado a esta breve nota, embora limitado, suportará que apresente dois quadros e algumas, mas poucas, referências que julgo poderão ajudar a esclarecer melhor o âmbito e espírito da exposição que fiz na Ordem dos Médicos em Coimbra no de 26 de Maio deste ano.

Quadro datado de 1685. O doente mantem apertados contra si um livro sagrado e um relicário que o ajudam a suportar a dor. Dor também aliviada pela solidariedade dos assistentes. Os instrumentos cirúrgicos estão dispersos e no fogareiro preparam-se os ferros que incandescentes serão utilizados no controlo da hemorragia.

 

MORDEDURA DE ANIMAL – O CÃO ERA TRANSMISSOR DE RAIVA?

O período de latência era prolongado e tormentoso, na ânsia de que não se desencadeasse o sofrimento atroz e mortal.

“Pondo uns grãos de trigo dentro da ferida, ou amassando uns pós de farinha com o sangue da mordedura, e dados a um galo, ou galinha morrerá sendo o cão raivoso” Roma, Francisco Morato, 1753, Luz da Medicina, Prática, Racional e Metódica…Coimbra Oficina de Francisco de Oliveira, Cp. XII, P 280

TRATAMENTOS
Tomem o cuspinho do próprio doente, que está apeçonhado e lavem-lhe  chaga com ele, e far-lhe-á  muito proveito ; Tomem esterco de cabras , e misturem-no com mel, e ponham-no sobre a parte mordida e sarará. Cabreira, g. r., 1753, Compêndio de Remédios de Cirurgia, p.391

 

OUTRAS SITUAÇÕES CLÍNICAS – SUGESTÕES TERAPÊUTICAS

Hematemeses
Aplicar sanguessugas no ânus e no períneo e ventosas secas ao longo do dorso; beber água fria com sumo de limão em pequenos volumes mas repetidamente. Frank, J.,1842, Traité de Pathologie Interne, Tome troisième, Bruxeles, Société Encyclographique,pp536-538

 

Cesariana
A mulher é deitada na horizontal e fixada (imobilizada) na cama por ajudantes ( Dugès, Ant.,1826,Manuel d’Obstetrique, et Précis de la Science et de l’ART DES accouchements, Paris, Chez Gabon p.339) incisar por baixo do umbigo ao lado da linha branca até atingir o útero. Abrir o útero e tirar a criança. Lavar a ferida com vinho quente, fechar o abdómen sem coser o útero no qual se farão injecções de vinho quente para fazer sair o sangue, e se introduzirá no seu colo um pessário perfurado ( Martinez, Martin, 1748, Medicina Sceptica y Cirurgia Moderna, com un Tratado de Operaciones Chirurgicas, Tomo Primero, Madrid. En la Impprenta Real por Don Miguel Francisco Rodriguez, p 98

 

Retenção urinária
A sangria acalmava as febres, destruía os espasmos e a constrição dos vasos que provocam a supressão da urina. Podia ser substituída por sanguessugas aplicadas no ânus se o doente tivesse hemorróidas( Buchan,G.,1802,MédIcine Domestique, ou Traité Complet de Moyens…, Cinquième Édition, Tome Second, Paris, Chez Moutardier, Imprimeur Libraire,pp50-515)

 

Garganta Inflamada

Doença aguda que pode desencadear morte súbita*.

De entre as causas invocam a supressão da transpiração, tudo o que pode aquecer e inflamar o sangue, tudo o que pode arrefecer intensamente a garganta e as zonas vizinhas*

Terapêuticas
Sangrar no braço ou de preferência na veia jugular***, administrar laxantes como cozimentos de figos****. Como remédio externo aplicar ninhos de andorinha e cataplasmas de miolo de pão e leite.*****( Buchan, G.,1802,Médécine Domestique, ou Traité acomplet de Moyens….,Cinquième  Édition, Tome Secnd,, Paris, Chez Mutardier, Impriimeur Libraiure p 371*; p. 366**,371***, pp372,373****; ,p375*****

Coimbra, 21 de junho 2018

João Patrício

Hospital Júlio de Matos, a Medicina Interna num Hospital Psiquiátrico

Resumo da palestra que M.M. Camilo Sequeira proferiu no dia 18-4-2018, no âmbito do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM:

 

Conferência em 18 de Abril de 2018. Um resumo possível

Foi neste dia que há 55 anos o Dr. James Campbell realizou o 1º transplante de um nervo. Era assim, recordando o passado de cada dia, que iniciava os meus diários clínicos nos últimos anos. Por isso recordo ainda que há 176 anos nasceu Antero de Quental e há 63 morreu Einstein.

Quando convidado para fazer esta conferência achei ter sentido fazer uma mescla de História, de curiosidades, de experiência pessoal e de reflexões sobre o decidir a forma de se viver uma profissão.

Por isso achei que devia salientar o facto de, desde o seu início, existirem no Hospital algumas especialidades que não eram especificamente de doença mental. Lembrei por exemplo que neste Hospital existiu um importante Serviço de Tisiologia inaugurado em 1950. Tinha quadro Médico próprio e apoiava doentes do Hospital e do exterior. Não consegui saber a data do seu encerramento mas sei que há muita documentação arquivada e ainda não classificada que aguarda estudo por quem tenha competência para o fazer.

O antecessor do Internista chamava-se Policlínico e já integrava o quadro de responsáveis por consultas em 1950. Tal como a pequena Cirurgia, a Oftalmologia, a Estomatologia, os agentes físicos e, claro, as Psiconeuroses.

Mas desde Março de 1947 havia outro importante Serviço, este de Neurocirurgia, dirigido pelo Dr. Almeida Lima e depois pelo Dr. Gama Imaginário. Foi a principal unidade de Psicocirurgia portuguesa tendo organizado, em 1947, a 1ª reunião europeia de Psicocirurgia e em 1949 o 1º Congresso Internacional de Psicocirurgia.

Os salários dos Médicos chamavam-se gratificações e em 1958 o Clínico Geral recebia 1500 escudos, tal como os Neurologistas, os Neurocirurgiões e os Tisiologistas, mais 300 escudos que o 1º assistente cirúrgico e o Anestesista e mais 500 escudos que os 2º assistente cirúrgico, Estomatologista e Oftalmologista. Mas menos 500 escudos que o Capelão. Os Médicos estagiários voluntários portugueses e estrangeiros não recebiam qualquer salário.

Isto num tempo em que os produtos alimentares dos doentes tinham valores que pouco baixaram entre 1947 e 1958 no arroz, leite de vaca, feijão vermelho, batatas, bananas, laranjas e farinha de trigo e tendo baixado bastante os grelos, couve lombarda, chouriço de carne, banha, toucinho, ovos e café. Mas aumentaram azeite, açúcar, bacalhau, pão corrente, manteiga e sal tendo deixado de ser comprados corvina e queijo da serra.

Já os salários dos dirigentes eram mais significativos: O Director de Serviços Clínicos recebia 3000 escudos, os Directores de Clínica Psiquiátrica recebiam 2500 escudos e o Administrador recebia 3500 escudos. O Chefe da Secretaria recebia 2250 escudos.

Considera-se que a psiquiatria portuguesa foi iniciada pelo Professor de Coimbra António Maria de Senna e teve como grandes continuadores os homens que até há pouco deram nome a Hospitais da especialidade: Magalhães Lemos, Miguel Bombarda, Júlio de Matos e Sobral Cid. Por razões bizarras, actualmente, esta forma de manter viva a memórias de personalidades espantosas parece desadequada pelo que as instituições que os seus nomes identificavam são agora designadas de forma diferente.

Quanto ao Hospital de Júlio de Matos nasceu como projecto em 1913, a construção iniciou-se em 1914 e foi inaugurado em 1942. Teve como primeiros Directores os Prof. António Flores de 1942 a 1952, Prof. Barahona Fernandes de 1952 a 1958 e depois o Prof. Pedro Polónio. O Administrador Dr. Paiva Corrêa trabalhou com estes Directores e tem de ser sempre recordado como figura relevante do Hospital pois é autor de Relatórios anuais da administração que são o suporte de informação pormenorizadíssima sobre o quotidiano dos seus anos primeiros. Tenho o prazer de ter oferecido à Biblioteca histórica da Ordem dos Médicos vários desses volumes dos quais 2 inéditos e 2 autógrafos do autor que quase retirei do lixo.

O Hospital surgiu com intenções de grande relevância social querendo dar apoio digno a doentes graves que pareciam condenados a um ostracismo sem alternativa. A lotação era de 1200 doentes mas em 1957 já eram 1432 e estavam distribuídos por categorias: pobres, porcionistas (julgo sem certeza que eram doentes que pagavam a sua alimentação) e pensionistas de 1ª, 2ª e 3ª. A estrutura era pavilhonar. Hoje tem 48 edifícios, abrangendo uma área de 22 hectares que os serviços de higiene urbana da Câmara consideram como um bairro. Tinham zona de exploração agrícola e suinicultura, num projecto de ergoterapia, que em 1974 terminaram na convulsão ideológica do início da nossa actual democracia.

Entre os Médicos não Psiquiatras que aqui trabalharam inicialmente encontra-se o nome do Prof. Iriarte Peixoto mas em funções que não sei precisar. Talvez relacionadas com os cuidados alimentares dos doentes. Também do início é o Dr. Nuno Medeiros que foi Policlínico, Clínico Geral e mais tarde Endocrinologista. Sucedeu-lhe nestas funções o Dr. Santinho Martins, depois a Dra. Antonieta Gonzalez e actualmente o Dr. Carlos Fernandes. A Estomatologia teve o Dr. Carmo Lança primeiro e a Dra. Leonor Teixeira de Sousa cujo lugar, após a sua aposentação, não voltou a ser colocado em concurso.

Em 1964 pretendia-se que o Hospital tivesse, porque deles necessitava, 3 Policlínicos, 1 Dermatologista, 1 Otorrinolaringologista, 1 Pediatra e 3 Médicos Psicólogos. Não o conseguiu. 30 anos depois houve várias especialidades contratadas mas sempre por curtos períodos sem que seja clara a razão do seu porquê.

E a Medicina Interna? Iniciou-se em 1987 com o Dr. Carlos Ferreira a quem sucedi em 1988 e após o encerramento do Hospital de Miguel Bombarda a Dra. Margarida Caldas também foi colocada no Júlio de Matos. Em 2016 tomou posse a Dra. Cátia Albino que será o futuro da especialidade nesta instituição. E se houver dúvidas sobre a sua necessidade os números da Gestão de Doentes confirmam-na: em 2016 a Medicina Interna observou 6804 doentes e no 1º semestre de 2017 já eram 2215 os doentes observados (estes apenas por mim).

Ninguém duvida que o doente tem um corpo e que a doença desse corpo carece de apoios diferenciados especializados e adequados a cada expressão do seu estar mal. Quer sejam doentes não mentais quer sejam doentes mentais. Estes têm sofrimentos de todos os órgãos ou sistemas tal como os outros. E merecem ter por perto quem cuide desses padecimentos e os alivie ou corrija. Daí não se poder pôr em dúvida a necessidade da Medicina Interna.

Mas quando cheguei ao Hospital, após experiência pessoal singular porque só fui transferido por interferência estranha à saúde, tinha dois projectos: a criação de um “Alcoitão” para o AVC e a criação de um Serviço de Medicina Interna de retaguarda como local privilegiado para se fazer a convalescença dos doentes após o internamento em cama de agudos. Para ser uma entidade assistencial intermediária entre os mundos do Hospital e dos Centros de Saúde.

Os projectos pareciam ter capacidade e até apoio para avançarem. O Hospital de retaguarda até chegou a ter nome: Santa Beatriz.

Mas nenhum teve continuidade e a minha actividade veio a ser apenas procurar dar a melhor assistência que aprendi aos doentes internados. O que não me frustra nada. Se eu o não fiz isso apenas quer dizer que alguém o há-de fazer no futuro. E desejavelmente melhor do que eu e noutra circunstância. A vida tem de ser vivida sem dramatismo e apesar da desigualdade e da dor que vemos só por olhar para o lado também com esperança.

Esperança que também faz parte do espólio relacional de quem escolhe trabalhar sozinho numa instituição especializada em área do saber médico diferente da sua. A razão da escolha é diferente de pessoa para pessoa: querer aumentar o seu saber em área científica marginal à sua? Querer descobrir patologias novas que os especialistas da área não percebem? Julgar que a sua prestação melhora muito a qualidade assistencial que os outros prestam? Ou antes um vulgaríssimo interesse pessoal?

Como um amor a alguém que desejamos que esteja perto. Sim, porque não? Não continuamos a afirmar que a família é prioritária à profissão e ao êxito por qualquer preço? Não continuamos a afirmar que o objectivo do viver é viver feliz e do trabalhar é fazê-lo bem? Será que o protagonismo como objectivo de vida vale o viver? E será que quem acredita nisto já alguma vez terá tido tempo para pensar no assunto? Será que as tão continuadamente referidas solidão, frustração, alcoolismo social e não social, a irrelevância das relações pessoais, não apenas as da comunicação pela tecnologia mas também as do sexo íntimo, enfim a pandemia depressiva são preocupações de quem tem como dever procurar evitá-las, procurar tratá-las, procurar eliminá-las? Será?

Eu desejaria que fossem. Por isso termino interrogando-vos como me interrogo a mim: Qual será a parte de culpa que nos cabe por, por omissão, por olhar para o lado, por nos não ser conveniente, sermos todos sem excepção promotores de uma sociedade de êxito de pés de barro porque apenas a valorizamos nos seus aspectos positivos?

O Médico tem de estar onde é necessário estar. E se essa necessidade for num Hospital onde exerça sozinho que o seja. Porque só ou acompanhado o Médico tem de ajudar a construir o bem-estar dos seus doentes e para isso não tem tempo, talvez nem o direito, de ele mesmo não estar feliz com esse propósito.

“História da Cirurgia Cardíaca”, por Manuel J. Antunes

 

 

(resumo da palestra que Manuel J. Antunes proferiu no dia 18 de Junho de 2016, no âmbito do ciclo de conferências organizadas pelo NHMOM)

 

 

 

A história da Cirurgia Cardíaca é bem mais curta que a da cirurgia em geral, se exceptuarmos o episódio único do nosso rei D. Pedro I que, no século XIV, experimentou uma forma simultaneamente estranha e inovadora de colheita de órgãos, ao retirar aos algozes de D. Inês de Castro “a um o coração pelas costas e a outro pelo peito”. Não sabemos se tais operações tiveram lugar em Coimbra, mas terão talvez sido um presságio do que aqui haveria de ocorrer mais de seis séculos depois.

 

 

Mas também nesta especialidade, a história não foi completamente vazia de obstáculos. Durante o último século, tinha havido vários episódios e tentativas de intervir sobre o coração. Paixão frequentemente incompreendida pelos pares, como se depreende da célebre sentença, proferida, em 1883, por Theodor Billroth, um dos grandes pioneiros da cirurgia moderna: “o cirurgião que ousasse suturar uma ferida do coração, perderia o respeito dos seus colegas”.

 

 

Mas, a verdadeira história da cirurgia cardíaca moderna iniciar-se-ia apenas em Maio de 1953, com a realização, com sucesso, da 1ª cirurgia de coração-aberto com circulação extra-corpórea, efectuada por John Gibbon que, com sua mulher, Mary Gibbon, trabalhara mais de duas décadas, com paixão, na intervenção da máquina de coração-pulmão. Mas, este ato pioneiro e corajoso não foi imediatamente recompensador e Gibbon viria a abandonar a cirurgia, após cinco tentativas subsequentes falhadas. Apenas catorze anos depois, o mundo inteiro viria a ser despertado para esta especialidade pela notícia da primeira transplantação de um coração, realizada na noite de 2 para 13 de Dezembro de 1967, em Cape Town, África do Sul, por Christian Barnard. Que outro motivo, senão a paixão, o empurrou para esse salto que outros não tinham tido a coragem de dar? A transplantação cardíaca, posterior no tempo à transplantação renal, foi o contributo decisivo para o que René Kuss chamou, em 1991, “A Grande Aventura do Século”.

 

 

A nossa disciplina é um dos ramos mais glamorosos da medicina. Nós lidamos com o órgão mais vibrante e dinâmico do corpo humano. Temos o privilégio de tocar o coração, o coração de ricos e de pobres, os corações de todas as idades, tamanhos e cor, mas todos eles deficientes por nascimento ou por doença. Somos verdadeiramente abençoados com a arte de remendar corações danificados e mesmo a arte de mudar corações. O coração que até é, imaginem, o símbolo da paixão, certamente o símbolo mais difundido da história da humanidade. Esta é de verdade, a mais apaixonante de entre todas as especialidades cirúrgicas.

 

 

Tal como as restantes cirurgias, a cirurgia cardíaca passa hoje por uma fase de grandes alterações no modo como se faz a abordagem do órgão-alvo. A cirurgia minimamente invasiva veio desafiar um dos princípios em que fui educado de “grandes cirurgiões, grandes incisões”, e já praticamente conquistou a exclusividade em vários tipos de intervenções noutras áreas cirúrgicas.

 

 

Um passo ainda mais adiante foi dado com a cirurgia roboticamente assistida, que tem como principal qualidade anular completamente o natural tremor das mãos humanas, especialmente desenvolvido nos momentos mais exigentes da cirurgia. E, teoricamente, permite a um cirurgião operar um doente em qualquer lugar do outro lado do mundo, a partir de Coimbra. Citando Bicha Castelo, “ a inimaginável explosão que se antevê nos domínios dos saberes tem tal dimensão e a tecnologia irá oferecer meios tão sofisticados à ciência que tenderão a conduzir o homem para domínios tão íntimos do conhecimento que poderão, eventualmente, levar à profanação da condição e dignidade humanas, que seria imprescindível evitar”.

 

 

O ser humano não pode nunca vir a ser uma máquina da qual podemos tirar, livremente, as partes avariadas. René Leriche dizia que “o segredo da vida está na capacidade de savoir s’étonner – saber surpreender-se. É necessário que saibamos continuar a deixarmo-nos surpreender pela vida, com as suas coisas superiores e belas, como são todas as paixões que se pretendem reais, um pouco à semelhança da sociedade perfeita para a qual, na sua obra Utopia, publicada em 1516, Thomas More definiu costumes, leis e um código de ética, conducentes à perfeição.

 

 

“A cirurgia, além de disciplina do conhecimento, é arte que deve ser cumprida com a ambição de fazer sempre mais e melhor, mas com a humildade de sabermos que as nossas capacidades são limitadas e que, em primeiro lugar, está o respeito pelo doente”. Por isso é que devemos ser fontes inspiradoras dos nossos alunos e formandos para prosseguir uma carreira nesta que é uma das disciplinas mais difíceis da medicina, mas, ao mesmo tempo, uma das mais apaixonantes.

Em anexo divulgamos a síntese da conferência proferida por Fernando Real, no âmbito de uma sessão temática organizada pelo Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos, em 12/03/2016, dedicada às primeiras médicas e farmacêuticas portuguesas.

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Resumo da intervenção de Anabela Leitão na sessão temática que o Núcleo de História da Medicina da OM realizou na Biblioteca Histórica da Ordem dos Médicos, em Lisboa, no dia 12 de Março de 2016, na qual prestou uma homenagem genérica às primeiras médicas, na sociedade portuguesa e no contexto internacional.

As primeiras médicas portuguesas, por Anabela Leitão

Desenvolvido como um contributo contra o esquecimento e o anonimato, o tema das primeiras médicas portuguesas baseou-se em registos disponibilizados nos seguintes Arquivos: Biblioteca Nacional, Bibilioteca do Hospital de S. José, Biblioteca da Faculdade de Medicina de Lisboa, Arquivo da Escola Politécnica de Lisboa, Biblioteca do Museu de História da Medicina do Porto, Biblioteca da Faculdade de Medicina do Porto, Biblioteca da Universidade de Medicina de Zurique.
Foi apresentada a contextualização internacional do mesmo acontecimento: pioneiras médicas na segunda metade do século XIX na América do Norte, Reino Unido, Rússia e restante Europa, com base nos estudos sobre a matéria de Thomas Neville Bonner e de Natalie Pigeard Micault nas suas obras “To the ends of the earth” e “Histoire de l entrée des femmes en Médecine”, respectivamente. Este processo não foi pacífico, tendo havido avanços e recuos.
Em Portugal, a entrada de mulheres nas Escolas Médico-Cirúrgicas aconteceu nos anos 80 do século XIX, duas décadas depois das americanas, inglesas e russas e outras europeias. Foi uma inclusão pacífica e paulatina com acesso em plena igualdade no que diz respeito ao curriculum académico, aos cinco anos lectivos dos cursos médicos e aos dois anos de estudos preparatórios nas Escolas Politécnicas.
As primeiras licenciadas, de acordo com os registos acima referidos, foram Sophia Rosa da Silva e Amélia Cardia dos Santos Costa em Lisboa e as irmãs Aurélia Moraes Sarmento e Laurinda Moraes Sarmento no Porto,todas no ano de 1891. Até ao final do século XIX, mais oito mulheres concluiram o curso médico-cirúrgico: Maria Leite Paes Moreira no Porto, Emília Patacho,em Lisboa, Guilhermina Moraes Sarmento no Porto, e ainda Maria Theodora Pimentel, Maria do Carmo Jesus Affreixo, Sophia Graça Affreixo, Maria do Carmo Lopes e Adelaide Cabette todas em Lisboa.
A conclusão dos cinco anos de estudos era concretizada com o Ato Grande, dia em que eram apresentadas a um Júri de quatro examinadores a Dissertação Inaugural e as Proposições, temas sobre os quais eram interrogadas.
As Dissertações constituem, sem dúvida, trabalhos interessantes  do ponto de vista da Medicina da época e reflectem as altas taxas de mortalidade infantil e peri-parto que existiam no país. Também as doenças infecciosas cujos principais agentes foram sendo identificados ao longo do século XIX, foram temas escolhidos nas Dissertações. Podem ler-se entre alguns dos temas: “Hygiene da primeira Infância”, “Hygiene da gravidez e do Parto”, ”Algumas Considerações Sobre a Mulher em trabalho de Parto”, “Protecção às Mulheres grávidas pobres”. Uma das médicas, Maria Theodora Pimentel, abordou o tema das doenças infecciocas com elevada mortalidade com a sua dissertação inaugural “Algumas palavras sober a meningite como complicação da febre typhoide”.
Por fim, mostrando que estavam absolutamente a par do que se discutia na Europa, ao nível da neurofisiologia e da psiquiatria, que apaixonou nomes da Medicina como Charcot, Amélia Cardia apresentou um tema intitulado Febre hystérica. Tal como escreve na “Advertência “ da sua tese: ”Tratava-se d’uma febre a princípio intermitente, atypica, bem definida como syndroma, n’uma doente em quem explodiram, no decurso da evolução morbida, symptomas inequivocos d’ hysteria”.
Outro aspecto relevante destas Dissertações é que elas mostram os avanços da medicina do seu tempo, como no caso da tese apresentada por Teodora Pimentel, “Meningite como complicação de Febre Typhoide”, revelando que já era possível confirmar o diagnóstico após a morte, neste caso através da alteração das placas de Peyer, além das alterações macroscópicas das meninges.
Em conclusão, verificámos que a presença das mulheres nas Escolas Médico-cirúrgicas criadas em 1836 pelo Ministro do Reino, Passos Manuel, surgiu na viragem do século XIX para o século XX, de forma ainda muito reduzida, o que se compreende à luz da elevada taxa de analfabetismo que era superior a 70% e mais elevada ainda na população feminina, e que foi uma integração sem grandes sobressaltos ou contestações. As mulheres foram bem acolhidas pelos professores e colegas homens e obtiveram até louvores em várias cadeiras.
A vida profissional da maior parte destas médicas caracterizou-se pela actividade em consultórios particulares, geralmente dedicados às ”doenças das senhoras e partos” e pelo ensino em Institutos de Educação Feminina.
Muitas destas médicas ficaram também conhecidas pela sua actividade como feministas, como bem elucida no seu trabalho “Os Primórdios do feminismo em Portugal: A primeira década do séc XX”, Mestre João Esteves (publicado na Revista Penélope, nº 25 2001 pag. 87-112).

Divulgamos em anexo a versão completa da intervenção de Maria do Sameiro Barroso na sessão temática organizada pelo NHMOM dedicada às primeiras médicas e farmacêuticas portuguesas no dia 12 de Março de 2016. Maria do Sameiro Barroso destacou a entrega de Carolina Beatriz Ângelo à prática da Medicina e a sua luta pelos direitos das mulheres.

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Resumo da conferência organizada pelo NHMOM, proferida por Carlos Vieira Reis, no dia 13 de Abril de 2016, na biblioteca histórica da Ordem dos Médicos em Lisboa:

 

 

Anastácio Gonçalves, um Príncipe solitário na Medicina e na Arte

 

 

Uma visão pessoal do médico que era um esteta e colecionador de arte nas suas várias facetas e grande filantropo. Onde se analisa a sua maneira de estar e de ser, a sua vida, sempre envolvida num casulo de beleza e arte. De Alcanena a S. Petersburgo, uma vida de Príncipe, mas solitário.

 

Quando António Anastácio Gonçalves nasceu a 2 de Outubro de 1888 na ribatejana vila de Alcanena, acabava de nascer o desejado filho de José Manuel Gonçalves e de Mariana Anastácio Gonçalves, até aí pais de seis raparigas, resultado da continuada missão de tentarem o filho varão que tanto desejavam e tanto tardou a aparecer. Tudo apontava então para que o recém-nascido viesse a ser tão feliz como os seus pais tinham acabado de o serem.

 

No Colégio de S. Fiel, de onde poucos anos antes tinham saído Afonso Costa, Augusto Gil, Egas Moniz, eram agora seus condiscípulos Diniz da Fonseca, Robles Monteiro, Cabral de Moncada, Martinho Nobre de Melo e outros. No Liceu Central de Coimbra, com mais idade, mais colegas e um ambiente estudantil privilegiado, cresceu como ser pensante e actuante, naturalmente. Na sua estadia na guerra, teve um comportamento exemplar que mereceu louvor e condecoração com a Cruz de Guerra, pelo seu comportamento em duas ocasiões chave daquela guerra – as batalhas de Cambrai e La Lys. Um dos pontos pouco esclarecidos na sua biografia é o da tuberculose que terá tido, após o seu regresso da Grande Guerra em Março de 1919. No que respeita à sua actividade médica, pode verificar-se que embora cheia de sucesso, teve vários percalços de percurso. A personalidade de Anastácio é multifacetada e multiforme, pois sendo, por princípio, austero e com uma certa rigidez de princípios, era capaz de tomar atitudes que chocariam mesmo o mais aberto dos espíritos, como foram, por exemplo, a atitude e a decisão que tomou na compra efectuada em 1943 da Quinta das Baldrucas, em Azeitão. Nesta decisão, três aspectos se podem avaliar – o carácter, a paixão e o dinheiro. Qualquer deles abundava, mas em todas elas não era um esbanjador. A sua atitude no primeiro contacto que teve com Calouste Gulbenkian, é claro manifesto da sua maneira de ser. Parece-me menos conforme com a sua maneira de ser, que tenha aceitado a decisão de Calouste Gulbenkian, quando este lhe enviou um cheque para pagamento da consulta domiciliária que lhe tinha feito no Hotel Aviz. Logo na sua primeira aquisição, Anastácio Gonçalves deixa a sua marca pessoal de apaixonado, mas seguro colecionador. Ao adquirir estas duas peças de mobiliário, ele adquiriu não só duas peças para a sua futura Casa-Museu, mas também e de uma forma gratuita, dois espaços privilegiados, para pouco a pouco, ir colocando as suas novas aquisições. E mais uma vez Anastácio Gonçalves dá conta da sua lucidez, determinação e estratégia, quando encarrega o seu amigo Manuel Cássio Tovar de adquirir em hasta pública, em 16 de Junho de 1932, o edifício situado na Avenida 5 de Outubro em Lisboa, pela importância de 200.000$00, conhecido como Casa Malhoa. Esta paixão de Anastácio Gonçalves foi inesperadamente maculada pelo próprio, quando em 4 de Janeiro de 1956, entrevistado pelo Diário Popular a propósito do colecionismo afirmou que – Coleccionar é um vício, colecionar quadros e móveis é, ainda por cima, um vício caro. O que vale é que é um vício de que sempre fica qualquer coisa. Tudo aponta para que Anastácio Gonçalves tenha sido vítima da Síndrome de Stendhal, dada a sua personalidade austera, contida, amante da arte, vivendo com ela e no meio dela, viajante incansável na sua procura. Apesar desta habituação, só fim da sua vidao lhe foi possível contemplar as maravilhas do l’Hermitage, que anos antes não pôde visitar por estar encerrado, mas que finalmente pôde contemplar com redobrada emoção e diminuída saúde cardíaca.

 

Morreu só, solitário como sempre. Mas seguramente feliz, porque morreu vendo a arte com que sonhou e que só se lhe quis mostrar na despedida, para que essas imagens o acompanhassem na última viagem.

 

Carlos Vieira Reis

 

Carlos Vieira Reis é médico, com a especialidade de cirurgia geral, exercida nos Hospitais Civis de Lisboa e no Hospital Militar Principal, onde foi Director de Serviço, Director Clínico e Subdirector. Coronel Médico. Representante de Portugal durante mais de uma década no Grupo de Trabalho de Emergência Médica do EUROMED e no Research Study Group 17 da NATO. Leccionou na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa durante oito anos (Patologia e Clínica Cirúrgica), na cátedra do Prof. Rolando Moisão. Autor e apresentador de programas de Rádio e Televisão (na TVI, desde o início e em prime time o programa Rica Saúde e nas TV Saúde e TV Medicina os programas E, se eu vos contasse e Haja Saúde). Tem extensa obra publicada de contos, romances, biografias, ensaio e história da Medicina. Traduziu para a Editora Replicação Medicine and Society in Early Modern Europe – New Approaches to european history, de Mary Lindemann, Professora da Carnegie Mellon University, tendo este livro recebido o prémio William H. Welch Medal Book da Associação Americana para a História da Medicina. Pertence a 20 Sociedades Científicas e Culturais, sendo Académico em três delas. Tem Prémios nacionais e internacionais (Itália e Brasil). Vários louvores civis e militares. Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (1994-2004), da União dos Médicos Escritores e Artistas Lusófonos (1994-2000) e da União Mundial dos Escritores Médicos (2004-2009), tendo sido reeleito, contra sua vontade, recusou continuar mas manteve-se mais um ano, assegurando o funcionamento até nova Assembleia Geral em 2010.

Resumo da comunicação “Vesálio em espelho” apresentada por Maria José Leal em 18 de Março de 2015 na Biblioteca da sede da OM em Lisboa, a convite do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos. Esta comunicação já havia sido apresentada a 7 de Novembro de 2014, por ocasião das XXVI Jornadas de Estudo Medicina da Beira Interior, e será publicada na integra em Novembro 2015, nos Cadernos de Cultura História da Medicina da Beira Interior vol. XXIX, www.historiadamedicina.ubi.pt/cadernos.html

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Realizou-se no dia 30 de Setembro de 2015, mais uma sessão organizada pelo NHMOM, subordinada ao tema “As Régias Escolas de Cirurgia de Lisboa e Porto: O renascer do esplendor da cirurgia portuguesa”, a qual foi proferida por Fortuna Campos. Anexamos o resumo da sua palestra. Esta sessão faz arte da profunda e exaustiva investigação deste médico sobre a História da Cirurgia Portuguesa. No final da sessão, foi lançado o repto para a comemoração do bicentenário das Escolas Régias, em 2025.
“The Royal Schools in Lisbon and Oporto. Rebirth of splendor of the Portuguese surgery”, João Carlos Oliveira Fortuna Campos – General surgeon who has devoted his life to breast cancer surgery, taking Action against Breast Cancer (he is a founding member of the Association of Mastectomized Women), and to the research of the history of the Portuguese surgeons who have worked on this area since the Middle Ages until the present time.

 

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Divulgamos em anexo o resumo da conferência “Amato Lusitano e os Cuidados Paliativos”, proferida por Lourenço Marques, no âmbito do ciclo organizado pelo NHMOM, no dia 17 de Junho de 2015.

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Realizou-se no dia 8 de Julho mais uma conferência organizada pelo Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos. O anestesiologista J. J. Figueiredo Lima falou sobre a história da reanimação cardiorrespiratória, desde a mitologia e os primeiros casos de ressuscitação de que há registo (culto de Isis) à atualidade, elencando e analisando os diversos processos de reanimação que foram sendo desenvolvidos. Anexamos um resumo e informamos que um texto mais alargado foi publicado na edição de Julho de 2015 da Revista da Ordem dos Médicos.

 

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Conferências por Christopher J. Duffin

 

 

Christopher J. Duffin, geólogo e paleontólogo da Geological Society de Londres, Consultor do Museu de História Natural de Londres, galardoado com o Prémio Mary Anning da Associação Britânica de Paleontologia, em 2011, autor de numerosas publicações, entre as quais se destacam estudos sobre temas portugueses, como Pedro Hispano e a Pedra de Goa, esteve entre nós para proferir três conferências, numa iniciativa do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos em colaboração com o Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa, e integrando o Ciclo de Cultura e Debate, Kerensia Sefardi, parceria entre Associação de Amizade Portugal-Israel, a Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Universidade Lusofona de Lisboa e o Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos.

 

A conferência na Ordem dos Médicos, Tales from the Apotecary´s chest foi presidida pelo Dr. João Granha, em representação do Dr. Jaime Mendes, Presidente da Secção Regional do Sul, que patrocinou a sessão a quem agradecemos.

 

O investigador e organizador de dois congressos em 20111 e 2014, dedicados às relações da Geologia com a Medicina, praticamente desconhecidas entre nós, trouxe-nos informações que levantaram grande interesse e foram alvo de interessantes debates, tendo descodificado e clarificado muito do que nos habitualmente surpreende quando deparamos com as terapêuticas médicas antes do século XIX.

 

Seguidamente, reproduzimos a tradução dos resumos.

 

 

Portuguese Medical Association, 2nd June 2015

 

Tales from the Apothecary’s Chest

 

The transition from the late seventeenth to the early eighteenth century represented an interesting time in the development of the Materia Medica, with the traditional ‘Galenical’ approach being progressively replaced by the ‘Chymical’ approach, a necessary precursor to modern pharmacology. Five surviving complete and partial British materia medica cabinets form the focus for a consideration of changing practices in the medicinal use of natural materials over this period. The working and teaching cabinets contain both processed and unprocessed specimens of botanical, zoological and geological simples.  Of these, some were waning in popularity (e.g. medicinal skink, fish otoliths, scorpion, unicorn horn, nephrite jade, Irish slate, pyrite and garnets, jet and cannel coal), others were hardly ever used (e.g. belemnites, echinoid spines, Goa Stone, haematite, aetites), whilst others still continued to be popular, either in raw or processed form (e.g. dragon’s blood, viper, pearls, amber, cinnabar, selenite, terra sigillata). The collections, considered in the context of contemporary literature, provide a unique insight into this dynamic period in the history of medical therapeutics.

 

 

Ordem dos Médicos, 2 de Junho de 2015

 

Histórias do armário farmacêutico

 

A transição do final do século XVII para o início do século XVIII constituiu um momento curioso no desenvolvimento da Materia Medica, tendo a abordagem “galénica” tradicional sido substituída progressivamente pela “química”, um precursor necessário para farmacologia moderna. Da farmacopeia desta época, chegaram até nós cinco gabinetes britânicos completos ou parciais de materia medica que constituem o ponto de partida para um estudo das alterações no uso de matérias naturais ao longo deste período. Os gabinetes de trabalho e de ensino contém espécimes dos elementos originais e transformados de materia botânica, zoológica e geológica. Destes, alguns foram diminuindo a popularidade (por exemplo, o Scincius officinalis, um réptil, usado em medicina, otólitos de peixes, escorpiões, chifres de unicórnio, nefrites (formas de jade), ardósia irlandesa, pirite e granadas, pedra de carvão e azeviche), outros quase nunca foram utilizados (por exemplo, belemnites, espinhas de fósseis equinóides, Pedra de Goa, hematites, aetites (géodos), enquanto outros continuaram a ser usados, simples ou transformados (por exemplo, sangue de dragão, víbora, pérolas, âmbar, cinábrio, selenite, terra sigillata). As colecções, a partir do conhecimento actual, fornecem uma perspectiva única sobre este período dinâmico da história da terapêutica médica.

 

 

National Museum of Archaeology, Lisbon, Monday 1st June 2015

 

A History of Geological Therapies

 

Virtually every culture in the world has made use of geological materials to treat their sick. These geopharmaceuticals often supposedly acted by sympathy, transference or natural magnetic powers. This lecture will examine the ways in which a variety of rocks, minerals, fossils and earths were employed by healers and apothecaries from the second millennium BCE to around 1750, taking into account Babylonian, Assyrian, Egyptian, Roman, medieval Arabic, Chinese and Western practices, based both upon artefacts and written accounts. Lapis lazuli, for example, was used to treat eye conditions and tinnitus by the Assyrians, and used in specialized cosmetic and medicinal kohls by the Egyptians. Various clays, mostly from the Mediterranean area, were worked into small cakes and their provenance authenticated with symbols; these terra sigillata were used extensively to treat digestive disorders and as ingredients in a wide range of medicines used against all sorts of diseases. Even precious stones utilized in the war against ill health. A well-stocked geological collection could provide medicaments for an enormous diversity of ailments.

 

 

Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, 1 de Junho de 2015

 

História das terapêuticas geológicas

 

Praticamente todas as culturas do mundo utilizam materiais geológicos para tratar seus doentes. Estes geofarmacêuticos actuam frequentemente por simpatia, transferência ou por poderes magnéticos naturais. Esta conferência irá examinar as formas como várias rochas, minerais, fósseis e terras foram utilizadas por curandeiros e boticários desde o segundo milênio a. C. até cerca de 1750, tendo em conta as práticas médicas da Babilónia, Assíria, Egipto, Roma, a medicina árabe medieval, chinesa e ocidental, baseada em artefactos e fontes escritas. O lápis-lazúli, por exemplo, foi usado para tratar doenças oculares e acufenos pelos assírios, e usado em cosméticos especiais e kohls medicinais pelos egípcios. Várias argilas, a maior parte na área do Mediterrâneo, foram moldadas em pequenos bolos e sua proveniência autenticada com símbolos; estas terra sigillata foram amplamente utilizados para tratar perturbações digestivas e usadas como ingredientes numa grande variedade de medicamentos contra todos os tipos de doenças. Até as pedras preciosas foram usadas na guerra contra os problemas de saúde. Uma colecção geológica bem apetrechada poderia proporcionar medicamentos para uma grande diversidade de patologias.

 

 

A History of the Jews’ Stone (Lapis Judaicus)

 

 

“Jews’ Stone” (Lapis Judaicus) is the name given to the spines of certain fossilised echinoids (sea urchins), especially Balanocidaris from the Jurassic rocks of the Mount Hermon district on the Lebanese/Syrian border. Used extensively as a prophylactic and treatment for various common and painful urinary disorders, particularly bladder stones, kidney stones and dysurea, it has a long folklore pedigree extending from Roman and Greek writings of classical times to the present day, especially in the Mediterranean area. The medicinal application of the Jews’ Stone was determined by its shape, using the principle of sympathetic magic. Either sucked in the mouth or powdered and mixed with a wide range of botanical, mineral and animal ingredients, it was often taken in wine or water. Moses Maimonides (1135-1204) suggested that it could be used in a special plaster to treat snake-bites. Following the Paracelsian revolution, many herbal, zoological and geological simples were subjected to alchemical techniques in order to release their active therapeutic ingredient; treated in this way, Jews’ Stones were the source of a special pharmaceutical oil. The stone provides one example of a wide range of geopharmaceuticals which, now largely forgotten, enjoyed a surprisingly long history of popular use as a drug.

 

 

A História da “Pedra Judaica” (Lapis Judaicus),

 

Universidade Lusófona, 4 de Junho de 2015

 

“Pedra Judaica” (Lapis Judaicus) é o nome dado às espinhas de certos equinóides fossilizados (ouriços do mar), especialmente Balanocidaris, provenientes das rochas jurássicas da região do Monte Hermon na fronteira libano/síria. Amplamente utilizada como um profiláctico e no tratamento para várias doenças comuns e dolorosas do tracto urinário, especialmente da bexiga, rins e usadas, de forma geral, no tratamento da disúria, possuem uma longa história no folclore desde a medicina greco-romana até à actualidade, especialmente na área do Mediterrâneo. A aplicação medicinal da “Pedra Judaica” foi determinada pela sua forma, seguindo o princípio da simpatia magica. Quer sugada na boca ou em pó, misturada com uma grande quantidade de ingredientes vegetais, minerais e de origem animal, foi muitas vezes diluída em vinho ou água. Moisés Maimónides (1135-1204) sugeriu que poderia ser utilizada num emplastro muito especial para o tratamento de mordeduras de cobra. Após a revolução de Paracelso, muitas substâncias à base de plantas ou de origem animal e geológica foram submetidas a técnicas de alquimia a fim de se isolar o seu princípio terapêutico activo; tratadas desta maneira, as Pedras Judaicas foram a fonte de um óleo farmacêutico especial. A pedra fornece um exemplo de uma vasta gama de geofarmacêuticos que, agora, em grande parte esquecidos, disfrutaram de uma história surpreendentemente longa como drogas de uso popular.

 

Imagem: Página dupla da obra De Lapidibus na obra Ortus Sanitatis (1491), fonte que fornece grande informação sobre elementos geológicos (Wellcome Library, London).

 

Texto e tradução de Maria do Sameiro Barroso

 

 

Dr Chris Duffin, 

 

The Natural History Museum, London

 

Biography

 

Originally trained as a geologist, Chris Duffin spent most of his working life as a High School teacher in south London. Following a Ph.D. in Vertebrate Palaeontology at University College London in 1980, he has published extensively (over 160 papers) on a wide range of fossil groups including crocodiles, lizards and barnacles, but is particularly concerned with sharks and their allies. He recently co-authored the Handbook of Paleoichthyology Volume 3D . Chondrichthyes. Paleozoic Elasmobranchii : Teeth (2010, Friedrich Pfeil Verlag). The history of Geology is a relatively recent interest and has borne fruit in a Special Publication of the Geological Society of London entitled A History of Geology and Medicine (Duffin, Moody & Gardner-Thorpe 2013). Chris received the Palaeontological Association’s Mary Anning Award for outstanding contributions to palaeontology in 2011 and is currently a Scientific Associate at the Natural History Museum in London. His research into the pharmaceutical uses of geological materials is wide-ranging and has resulted in publications on gems, lapis lazuli, amber, pumice, the Goa Stone and Petrus Hispanus (circa 1215-1277, the Portuguese doctor who became a Pope), amongst many others. Chris has a particular interest in the innovations that took place in the pharmacopoeia during the Age of Exploration, championed by physicians such as Garcia ab Horta (c. 1501-1568) and Cristobal Acosta (1515-1594).

 

 

Imagem em anexo: Hand-coloured, double-page spread of De Lapidibus in the Ortus Sanitatis (1491), a source of much information on geological simples (Wellcome Library, London).

No dia 23 de Maio de 2015 o NHMOM realizou a sessão temática “Literatura e Medicina, da Idade Média ao Séc. XVI”, da qual fez parte a palestra “A influência da medicina árabe na Europa medieval”, proferida por Dias Farinha. Anexamos o respetivo resumo.

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No dia 23 de Maio de 2015 o NHMOM realizou a sessão temática “Literatura e Medicina, da Idade Média ao Séc. XVI”, da qual fez parte a palestra “Os poderes curativos de três plantas, três árvores, três pedras e três animais em Hildegarde de Bingen”, proferida por , por Maria Adelaide Neto Salvado. Anexamos o respetivo resumo.

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Maria_Adelaide_Neto_Salvado_CV_e_resumo

No dia 23 de Maio de 2015 o NHMOM realizou a sessão temática “Literatura e Medicina, da Idade Média ao Séc. XVI”, da qual fez parte a palestra “Os Lusíada e a medicina”, proferida por António Salvado. Anexamos o respetivo resumo.

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António_Salvado_CV_e_resumo

No dia 23 de Maio de 2015 o NHMOM realizou a sessão temática “Literatura e Medicina, da Idade Média ao Séc. XVI”, da qual fez parte a palestra “Medicina na literatura medieval portuguesa”, proferida por Cristina Moisão. Anexamos o respetivo resumo.

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Cristina_Moisao___cv_e_resumo

Anexamos o resumo relativo à palestra “Pedro Vitorino (1882-1944) e a I Guerra Mundial” proferida por Romero Bandeira (ICBAS-UP e CEIS20-UC). A palestra teve lugar no dia 21 de Fevereiro de 2015, integrada no ciclo de conferências promovido pelo Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos.

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Pedro_Vitorino

Anexamos os resumos relativos à palestra “História da Urologia. Visão panorâmica. Breves notas” proferida pelo ex-presidente da Associação Portuguesa de Urologia, Manuel Mendes Silva. A palestra teve lugar no dia 14 de Janeiro de 2015, integrada no ciclo de conferências promovido pelo Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos.

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História_da_Urologia_Manuel_Mendes_Silva
Historia_Urologia_Visao_panoramica

Anexamos a palestra “Psicopatologia: neurotransmissores e feitiços” proferida por Mário Vale Lima, especialista em Psiquiatria, em Junho de 2014 no âmbito das conferências promovidas pelo NHMOM.

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Junho_Psicopatologia_neurotransmissores_e_feiticos_resumo_alargado

Anexamos a palestra “Aspectos da contribuição portuguesa para o progresso da medicina – notas histórias” proferida por José de Paiva Boléo-Tomé no dia 12 de março de 2014 no âmbito das conferências promovidas pelo NHMOM.

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ASPECTOS_DA_CONTRIBUIÇÃO_PORTUGUESA_A5

Anexamos o resumo da palestra “Instrumentos cirúrgicos do século XVIII” proferida por Cristina Moisão no dia 22 de Fevereiro de 2014 no âmbito do ciclo de conferências promovido pelo NHMOM.

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Instrumentos_cirúrgicos_do_seculo_XVIII_Cristina_Moisao

Anexamos o resumo da palestra “Cirurgia no séc. XVI: instrumentos que se usava – da eficácia e da arte” proferida por Carlos Vieira Reis no dia 22 de Fevereiro de 2014 no âmbito das conferências promovidas pelo NHMOM.

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Cirurgia no séc. XVI_instrumentos que usava_da eficácia e da arte_Carlos Vieira Reis

Anexamos o resumo da intervenção de Amélia Ricon Ferraz, directora do Museu de História da Medicina ‘Maximiano Lemos’ da FMUP, sobre os instrumentos cirúrgicos dos séculos XIX e XX e da revolução instrumental que acompanhou esses séculos, referente à palestra do NHMOM de 22 de fevereiro de 2014.

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Realizou-se no dia 19 de Outubro de 2013 na Ordem dos Médicos em Coimbra, uma sessão temática do Núcleo de História da Medicina da OM dedicada a Pedro Hispano Lusitanensis, médico e papa, vulto da cultura europeia no séc. XIII. Anexamos o resumo alargado da intervenção de Maria Helena da Rocha Pereira.

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Razao_e_experiencia_no_Thesaurus_Pauperum_de_Pedro_Hispano,_por_Maria_Helena_da_Rocha_Pereira

Realizou-se no dia 19 de Outubro de 2013 na Ordem dos Médicos em Coimbra, uma sessão temática do Núcleo de História da Medicina da OM dedicada a Pedro Hispano Lusitanensis, médico e papa, vulto da cultura europeia no séc. XIII. Anexamos o resumo alargado da intervenção de José de Paiva Boléo-Tomé.

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Pedro_Hispano_Portugalense__da_eleicao_papal_as_vicissitudes_da_tumulacao,_por_J._Boleo_Tome

Realizou-se no dia 19 de Outubro de 2013 na Ordem dos Médicos em Coimbra, uma sessão temática do Núcleo de História da Medicina da OM dedicada a Pedro Hispano Lusitanensis, médico e papa, vulto da cultura europeia no séc. XIII. Anexamos o resumo alargado da intervenção de Alfredo Rasteiro.

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Pedro_Yspano_e_a_Arte_dos_Olhos_no_seculo_XIII,_por_Alfredo_Rasteiro

Realizou-se no passado dia 12 de Novembro de 2013, na Biblioteca Histórica da Ordem dos Médicos uma sessão para assinalar os cinco anos de existência do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos. Anexamos o texto enviado por António Carvalho, director do Museu Nacional de Arqueologia e os dois artigos/resumos das intervenções da sessão de homenagem a Leite de Vasconcellos. Na edição de Dezembro de 2013 da ROM pode ser consultado um resumo de todo o encontro, o qual contou com a presença de José Manuel Silva, bastonário da OM, António Pereira Coelho, presidente do Conselho Regional do Sul, Luís Raposo, em representação ´do director do Museu Nacional de Arqueologia e de José Luís Doria, presidente da Secção de História da Medicina da Sociedade de Geografia de Lisboa, além, naturalmente, de vários membros da direcção do Núcleo: Maria do Sameiro Barroso, Victor Machado Borges e António Aires Gonçalves.

Em anexo:
Alguns contributos a respeito do cariz medicinal da Tríade Capitolina na Hispânia, por Pedro Marques
Assomos da formacao medica na obra de Leite de Vasconcelos, por Maria José Leal
Palavras do director do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho

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Alguns_contributos_a_respeito_do_cariz_medicinal_da_Tríade_Capitolina_na_Hispania,_por_Pedro_Marques
Assomos_da_formacao_medica_na_obra_de_Leite_de_Vasconcelos_por_Maria_Jose_Leal
Breves_palavras_do_director_do_MNA,_António_Carvalho,_no_5_aniversario_do_NHMOM

Anexamos o artigo de resumo da conferência do NHMOM, proferida a 17 de Setembro de 2013 pelo conferencista convidado, Ivo Furtado.

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HISTÓRIA_DO_EXERCÍCIO_DA_ODONTOLOGIA_EM_PORTUGAL_Ivo_Ávares_Furtado
Nota_curricular

Anexamos o resumo da conferência do NHMOM de dia 09 de Julho de 2013, intitulada «Cirurgiões Portugueses nos séc. XVII XVIII e Cancro da Mama», da autoria de Fortuna Campos.

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Cirurgioes_Portugueses_nos_Sec_XVII_e_XVIII___Fortuna_Campos

Anexamos o resumo da conferência do NHMOM de dia 14 de Maio, intitulada «as plantas na história da dor», da autoria de Figueiredo Lima.

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Plantas_na_história_da_dor_Figueiredo_Lima

Anexamos um resumo da intervenção “Nascimento apogeu e crise da Bioética” da autoria de Daniel Serrão, proferida na sessão do NHMOM de dia 06 de Abril de 2013, intitulada: «A Bioética e os Médicos, Ontem e Hoje – Da tradição de Hipócrates à crise de valores». Esta sessão realizou-se na Sala Braga do Centro de Cultura e Congressos da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

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Nascimento_apogeu_e_crise_da_Bioetica,_Daniel_Serrao

Anexamos um resumo da intervenção “O renascimento das virtudes médicas – o lugar de Pellegrino” da autoria de Jorge Cruz, proferida na sessão do NHMOM de dia 06 de Abril de 2013, intitulada: «A Bioética e os Médicos, Ontem e Hoje – Da tradição de Hipócrates à crise de valores». Esta sessão realizou-se na Sala Braga do Centro de Cultura e Congressos da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

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O_renascimento_das_virtudes_medicas,_Jorge_Cruz

Anexamos um resumo da intervenção “Códigos Deontológicos – Evolução Temática” da autoria de Amélia Rincón-Ferraz, proferida na sessão do NHMOM de dia 06 de Abril de 2013, intitulada: «A Bioética e os Médicos, Ontem e Hoje – Da tradição de Hipócrates à crise de valores». Esta sessão realizou-se na Sala Braga do Centro de Cultura e Congressos da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

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Amelia_Rincon_Ferraz_Códigos_Deontológicos

Anexamos um resumo alargado da intervenção “Lepra – Evolução histórica do diagnóstico” da autoria de A. Poiares Baptista, proferida na sessão do NHMOM de dia 23 de Fevereiro de 2013.

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evolucao_historica_diagnostico_Lepra_Poiares_Baptista

Anexamos um resumo alargado da intervenção “Gafos e gafarias no Portugal medievo” da autoria de Ana Maria Rodrigues, proferida na sessão do NHMOM de dia 23 de Fevereiro de 2013.

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Gafos_e_gafarias_Ana_Maria_Rodrigues

Anexamos o resumo alargado da intervenção ‘Percepções da Lepra na Antiguidade’ da autoria de Nuno Simões Rodrigues, que foi efectuada na sessão temática do NHMOM de dia 23 de Fevereiro de 2013.

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Percepcões_da_Lepra_na_Antiguidade_Nuno_S_Rodrigues

Publicamos em anexo o artigo (que foi publicado tripartido na Revista da OM) que apresenta dados referentes ao estudo elaborado por Cristina Moisão sobre os Hospitais Medievais de Lisboa. Como se lê na introdução do mesmo: «Pouco se tem estudado o sistema hospitalar português no período medieval, provavelmente pela escassez de documentos e notória dificuldade em reunir dados bibliográficos coerentes que permitam contar a história de cada instituição. Será evidente porém, que a medicina hospitalar moderna não existiria sem o contributo dos conhecimentos adquiridos durante toda a história da humanidade. Não ignoremos assim oito centúrias da nossa história hospitalar!»

Este trabalho foi apresentado por Cristina Moisão no dia 12 de Março de 2013, na OM em Lisboa, na sessão temática do NHMOM intitulada: “A Saúde e a Doença na Idade Média – Os Hospitais Medievais em Lisboa”.

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Hospitais_Medievais_de_Lisboa

Anexamos o material de apoio do trabalho ‘Medicina egípcia, múmias,mumificação’ da autoria de Maria do Sameiro Barroso, que foi apresentado na sessão temática do NHMOM de dia 27 de Outubro de 2012.

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Medicina_egípcia,_múmias_1_Maria_Sameiro

Anexamos o trabalho ‘Lepras reais – D. Sancho I, D. Afonso II’ da autoria de Manuel José Campos Magalhães, que foi apresentado na sessão temática do NHMOM de dia 23 de Fevereiro de 2013.

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Campos_Magalhaes_Lepras_reais