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A Ordem dos Médicos tem estatutariamente o dever de contribuir para a defesa da saúde dos cidadãos e dos direitos dos doentes; Neste espaço divulgaremos informação para a saúde baseada em evidência científica, em colaboração com várias entidades, entre as quais a Cochrane Portugal.

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Nomeadamente informações dos Colégios da Especialidade da Ordem dos Médicos mas também de outras entidades cujas informações são igualmente confiáveis, entre as quais a rede global e independente Cochrane, que trabalha para produzir informação sobre saúde confiável e acessível, sem patrocínio comercial ou outros conflitos de interesse. Pretendemos com estas informações apoiar os Médicos mas também aumentar a literacia e a informação para a saúde dos pacientes por considerarmos que essa é uma das formas de melhor garantir a defesa da saúde e dos direitos dos cidadãos.

Contexto

Os adolescentes podem precisar de apoio adicional na gestão da asma, pois correm maior risco de não tomar seus inaladores adequadamente e de se participarem em atividades que podem tornar sua asma pior (como fumar). Queríamos saber se as sessões lideradas por pares ou por líderes leigos (isto é, não profissionais de saúde) ajudam a reduzir estes riscos e levam a uma asma melhor controlada. Incluímos estudos que compararam este apoio com os cuidados habituais ou com um tipo diferente de ajuda. Realizamos as pesquisas mais recentes em 25 de novembro de 2016.

Características dos estudos

Encontramos cinco estudos, incluindo 1146 adolescentes com asma. Os estudos variaram no desenho, duração (2,5 a 9 meses), ambiente (escola, acampamento de dia, cuidados primários) e a forma como o apoio dos pares ou sessões conduzidas por leigos foram dadas. A gravidade da asma variou, assim como o número de fumadores. Três estudos utilizaram um programa chamado Triple A (Adolescente Asthma Action), pelo qual adolescentes mais velhos são treinados para oferecer sessões para os alunos mais jovens. Um dos estudos testou a adição de uma promessa de parar de fumar enquanto outro entregou sessões de grupo de apoio de pares, incluindo mensagens jogadas através de um leitor de mp3 para incentivar a adesão. O terceiro comparou um acampamento de dia de asma liderado por pares contra um liderado por enfermeiras e médicos.

Principais resultados

Adolescentes que receberam apoio de pares tiveram melhor qualidade de vida do que aqueles no grupo controlo, embora isso variasse com a forma como os resultados foram analisados, explicando assim a incerteza à volta do resultado. A maioria dos outros resultados não mostrou que a intervenção tivesse um benefício importante. Os estudos forneceram pouca informação sobre crises de asma ou visitas não programadas durante o estudo, e não se pode ter certeza se a intervenção foi benéfica em termos de controlo da asma. Os resultados de dois estudos em que muitos dos adolescentes eram fumadores mostraram alguma promessa de que os adolescentes tinham a confiança necessária para parar, mas a dependência global de nicotina e o conhecimento relacionado ao fumo não foram muito melhores do que nos controlos. Os estudos não forneceram relatos de eventos adversos.

Qualidade da evidência

Não podemos ter certezas em relação aos resultados porque a maioria destes foi avaliada por pessoas que conheciam o grupo a que os adolescentes foram atribuídos, o que pode afetar a forma como se responde às perguntas. Alguns estudos não publicaram toda a informação que tinham dito que iriam publicar, ou relataram informações que não foi possível analisar. Por vezes, os resultados dos estudos não concordavam com os resultados de outros estudos, e muitas vezes não se podia dizer com certeza se os adolescentes receberam benefício. Por estas razões, temos baixa confiança em todos os achados do estudo.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 19 Abril 2017

 

Autores: Kew KM, Carr R, Crossingham I

 

Grupo de Revisão Principal: Airways Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD012331.pub2/abstract

A questão
O cancro pode resultar num grande sofrimento emocional, físico e social. O tratamento atual do cancro incorpora cada vez mais intervenções psicossociais para melhorar a qualidade de vida. Musicoterapia e música medicina intervenções têm sido utilizadas para aliviar os sintomas e efeitos colaterais do tratamento e precisa de endereço psicossocial em pessoas com câncer. Nas intervenções da músicas na medicina, a pessoa simplesmente ouve música pré-gravada que é oferecida por um profissional da saúde. Musicoterapia requer a implementação de uma intervenção de música por uma musicoterapeuta treinado, a presença de um processo terapêutico e o uso de experiências de música pessoalmente sob medida.

O objectivo da revisão
O objectivo da revisão é de atualizar uma revisão de Cochrane de 2011, que incluiu 30 estudos e encontrou apoio para um efeito de intervenções de música em vários resultados físicos e psicológicos. Para esta atualização procuramos ensaios adicionais, estudando o efeito das intervenções de música sobre os resultados físicos e psicológicos em pessoas com cancro. Procuramos por estudos publicados e em curso até janeiro de 2016. Consideramos que todos os estudos em que a musicoterapia ou música médica foi comparada com o tratamento padrão sozinho ou combinado com outros tratamentos ou placebo.

Quais são as principais conclusões?
Identificámos 22 novos estudos, e assim esta revisão atualizada agora incide sobre 52 estudos com 3.731 participantes. Os achados sugerem que a musicoterapia e as intervenções de música médica podem ter um efeito benéfico sobre a ansiedade, dor, fadiga, frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial em pessoas com cancro. Por causa da muito baixa qualidade da evidência para a depressão, é pouco claro o possível impacto das intervenções de música. Musicoterapia, mas não as intervenções da música médica podem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Não encontramos evidência que as intervenções de música melhoram o humor, mau-estar ou funcionamento físico, mas poucos estudos investigaram estes efeitos. Não podemos tirar quaisquer conclusões sobre o efeito das intervenções de música sobre funcionamento imunológico, coping, resiliência ou resultados sobre a comunicação porque não havia estudos suficiente a investigar estas questões. Portanto, é necessária mais investigação.

Nenhum efeitos adverso das intervenções de música foi reportado.

Qualidade da evidência
maioria dos julgamentos foram de alto risco de viés, assim que estes resultados devem ser interpretados com cautela. Nós não identificámos qualquer conflito de interesses nos estudos incluídos.

Quais são as conclusões?
Podemos concluir que as intervenções de música podem ter efeitos benéficos sobre a ansiedade, dor, fadiga e qualidade de vida em pessoas com cancro. Para além disso, a música pode ter um pequeno efeito positivo na frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial. Redução da ansiedade, fadiga e dor são resultados importantes para as pessoas com cancro, uma vez que têm um impacto sobre a saúde e a qualidade de vida em geral. Portanto, recomendamos que se considere a inclusão de musicoterapia e intervenções de música médica no tratamento psicossocial do cancro.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada:15 Agosto 2016

 

Autores: Bradt J, Dileo C, Magill L, Teague A

 

Grupo de Revisão Principal: Gynaecological, Neuro-oncology and Orphan Cancer Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

https://doi.org/10.1002/14651858.CD006911.pub3

Pergunta de revisão

Nesta revisão queríamos ver se os cuidados paliativos beneficiam as pessoas com demência avançada ou a sua família ou cuidadores. Também queríamos descrever como os investigadores tentaram medir o efeito de cuidados paliativos.

Contexto

As pessoas com demência avançada têm graves problemas de memória e têm problemas em tomar decisões simples. Nesta fase geralmente não são capazes de comunicar pela fala. Precisam de muita ajuda por parte dos seus cuidadores. As pessoas com demência avançada podem viver durante muito tempo. É muito difícil dizer exatamente quanto tempo viverá uma pessoa com demência avançada.

Os cuidados paliativos (ou cuidados de fim-de-vida) são uma forma de cuidar de pessoas que têm doenças que não podem ser curadas. Os principais objetivos dos cuidados paliativos são reduzir a dor e manter a melhor qualidade de vida possível. As pessoas com cancro recorrem frequentemente aos cuidados paliativos, mas as pessoas com demência avançada nem tanto.

Características dos estudos

Revimos a investigação publicada até janeiro de 2016. Encontrámos apenas dois estudos adequados (189 pessoas), ambos dos Estados Unidos. Também encontrámos seis estudos que estavam em curso, mas cujos resultados ainda não foram publicados.

Principais resultados

Um estudo constatou que ter uma pequena equipa médica e de enfermagem treinada em cuidados paliativos fez pouca diferença em relação a como as pessoas com demência avançada foram tratadas enquanto hospitalizadas. Contudo, receber acompanhamento por parte desta equipa significa que mais pessoas tinham um plano de cuidados paliativos aquando da alta hospitalar. O outro estudo avaliou se dar informação escrita aos familiares, explicando os métodos diferentes que podem ser usados para alimentar as pessoas com demência avançada, ajudou os familiares ou a pessoa em questão. Este estudo verificou que dar aos familiares esta informação facilitou as decisões acerca de que métodos seriam utilizados para alimentar a pessoa com demência.

Qualidade da evidência

Encontrámos apenas dois estudos, e os dois métodos de cuidados paliativos nestes estudos eram muito diferentes. Não podemos ter muita certeza sobre a precisão de qualquer um destes resultados, em parte porque apenas um pequeno número de pessoas participou nos estudos. Assim, com base nestes estudos, é difícil afirmar com certeza se os cuidados paliativos têm impacto em pessoas com demência avançada.

Considerações finais

Pouca investigação tem sido feita com pessoas com demência avançada, muitas vezes por preocupações éticas. No entanto, embora seja difícil de fazer investigação com pessoas com demência, são necessários mais estudos bem desenhados para perceber como os cuidados paliativos podem ser otimizados nesta população particular.

Notas de tradução: Tradução por Margarida Rebolo, Neuroser, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 2 Dezembro 2016

 

Autores: Murphy E, Froggatt K, Connolly S, O’Shea E, Sampson EL, Casey D, Devane D

 

Grupo de Revisão Principal: Dementia and Cognitive Improvement Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD011513.pub2/abstract

Pergunta de revisão

Avaliamos o efeito dos produtos de cacau sobre a pressão arterial em adultos quando consumidos diariamente por pelo menos duas semanas. Foram encontrados 35 estudos, abrangendo 40 comparações de tratamento.

Contexto

O chocolate negro e produtos de cacau são ricos em compostos químicos chamados flavanóides. Flavanoides têm atraído interesse como eles podem ajudar a reduzir a pressão arterial, um conhecido fator de risco para doenças cardiovasculares (distúrbios do coração e vasos sanguíneos). Pensa-se que as propriedades de redução da pressão sanguínea dos flavanóides estão relacionadas com o alargamento dos vasos sanguíneos, causado pelo óxido nítrico.

Características dos estudos

Os estudos foram de curta duração, maioritariamente entre duas e 12 semanas, com apenas um estudo de 18 semanas. Os estudos envolveram 1804 adultos maioritariamente saudáveis. Nos estudos forneceram participantes 30 a 1218 mg de flavanol (média de 670 mg) em 1,4 a 105 gramas de produtos de cacau por dia no grupo de intervenção ativa. Sete dos estudos foram financiados por empresas com interesse comercial em seus resultados, e o efeito relatado foi ligeiramente maior nesses estudos, indicando viés possível. A evidência é atualizada até novembro de 2016.

Principais resultados

Uma meta-análise de 40 comparações de tratamento revelou uma diminuição pequena mas estatisticamente significativa da pressão arterial (sistólica e diastólica) de 1,8 mmHg. Esta pequena redução da pressão arterial pode complementar outras opções de tratamento e pode contribuir para reduzir o risco de doença cardiovascular.

Investigamos se a pressão arterial dos participantes no início do estudo, sua idade, a perceção da alocação de grupo (ativa ou controle), o teor de flavanol usado no grupo controle ou quanto tempo o estudo durou pode explicar as variações entre os ensaios. Embora o nível de pressão arterial (elevada ou normal) seja um fator provável no tamanho do efeito do cacau na pressão arterial, o impacto de outros fatores precisa ser confirmado ou rejeitado em outros ensaios.

Os efeitos adversos, incluindo queixas digestivas e aversão ao produto experimental, foram relatados por apenas 1% das pessoas no grupo de intervenção do cacau ativo e 0,4% das pessoas nos grupos de controle.

São necessários estudos a longo prazo para determinar se a ingestão regular de produtos de cacau ricos em flavanol tem um efeito benéfico na pressão sanguínea e na saúde cardiovascular ao longo do tempo e se existem efeitos secundários do uso a longo prazo de produtos de cacau numa base diária.

Qualidade da evidência

A evidência é de qualidade moderada. Não foi possível identificar quaisquer ensaios aleatorizados que testassem o efeito do uso diário de produtos de cacau a longo prazo na pressão arterial e não houve estudos que medissem as consequências para a saúde da pressão arterial elevada, como enfartes ou acidentes vasculares cerebrais.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina de Lisboa, com o apoio de Cochrane Portugal

 

Publicada: 25 Abril 2017

 

Autores: Ried K, Fakler P, Stocks NP

 

Grupo de Revisão Principal: Hypertension Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD008893.pub3/abstract

Pergunta de revisão

Qual é a eficácia e a segurança dos medicamentos usados para prevenir coágulos (tratamentos antitrombóticos) tanto na fase inicial e a longo prazo em pessoas que tiveram uma hemorragia dentro do cérebro (hemorragia intracerebral)?

Contexto

As pessoas com acidente vascular cerebral devido a sangramento no cérebro (também conhecido como hemorragia intracerebral: HIC) são mais propensas a desenvolver coágulos nos seus vasos sanguíneos devido à imobilidade (na fase inicial) e outras condições médicas (a longo prazo). Coágulos de sangue no cérebro, pulmões ou outros órgãos podem causar doença grave ou até morte. Fármacos que impedem a formação de coágulos (também conhecido como ‘anti-coagulantes’) podem ser úteis em pessoas com HIC. No entanto, esses fármacos também podem causar sérias complicações hemorrágicas.

Características dos estudos

Após uma pesquisa extensa, realizada em 8 de março de 2017, identificamos dois ensaios aleatorizados. Havia 121 participantes nestes dois ensaios, que comparou fármacos ‘anticoagulantes’ (heparina num dos estudos, enoxaparina no outro) administradas por injeções sob a pele contra nenhuma droga anticoagulante logo após ICH.

Principais resultados

O principal resultado desta revisão foi o risco combinado de vários eventos importantes (tais como outra hemorragia intracerebral, acidente vascular cerebral isquémico ou morte de causa cardiovascular). Não fomos capazes de calcular este resultado para estudos incluídos. Nenhum dos estudos relatou informação sobre a recuperação da independência ou capacidades mentais. Um estudo com 46 participantes relatou que em fatalidade caso associado com o tratamento antitrombótico a curto prazo e não encontrou um efeito estatisticamente significativo. Para as consequências do tratamento que puderam ser analisadas, as estimativas de risco eram imprecisas e incertas. Assim, os potenciais benefícios e prejuízos de fármacos anti-trombóticos, após um acidente vascular cerebral devido a hemorragias cerebrais permanecem incertos. Novas estudos de alta qualidade que estudem o uso de tratamento antitrombótico após um acidente vascular cerebral devido a HIC parecem ser justificados e necessários.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência como um todo era baixa. Isto é devido à maneira como os estudos incluídos foram conduzidos e relatados, bem como o pequeno número de participantes, que não pode ter sido alto o suficiente para identificar pequenas diferenças entre os grupos em estudo.

Notas de tradução: Tradução por: Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 25 Mai 2017

 

Autores: Perry LA, Berge E, Bowditch J, Forfang E, Rønning OM, Hankey GJ, Villanueva E, Al-Shahi Salman R

 

Grupo de Revisão Principal: Stroke Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD012144.pub2/abstract

Pergunta de revisão

Qual a eficácia e segurança da combinação de hormona luteínica recombinante (rLH) e hormona folículo – estimulante recombinante (rFSH) quando comparada com rFSH isolada na estimulação ovárica em mulheres submetidas a fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI)?

Contexto

Nos ciclos fisiológicos do ovário, a hormona luteínica (LH) e a hormona folículo – estimulante (FSH) são necessárias para a maturação dos folículos ováricos. Um dos vários protocolos de estimulação ovárica possíveis, em ciclos de FIV ou ICSI, inclui a estimulação ovárica com rFSH em combinação com um análogo de hormona libertadora de gonadotropina (GnRH). Os análogos da GnRH permitem evitar que ocorram picos prematuros de hormona luteínica. Desta forma, os folículos ováricos em desenvolvimento são privados da ação da hormona luteínica (LH), pelo que surgiu a hipótese de a suplementação com esta hormona recombinante (rLH) aumentar as taxas de natalidade.

Características dos estudos

Durante a nossa pesquisa encontrámos 36 ensaios controlados e aleatorizados que comparam rLH combinada com rFSH e rFSH isolada em 8125 mulheres submetidas a FIV/ICSI. Esta é uma atualização de uma revisão anterior da Cochrane, publicada pela primeira vez em 2007. A evidência é relativa a Junho de 2016. Apenas sete em cada 36 estudos claramente referem que foram financiados pelo governo ou institutos de pesquisa. Seis foram financiados por empresas farmacêuticas e o resto não indicou nenhuma fonte de financiamento.

Principais resultados

Não encontrámos nenhuma evidência de diferença entre o grupo de rLH combinada com rFSH e o grupo de controlo (rFSH isolada) quando verificadas as taxas de nados vivos e de síndrome de hiperestimulação ovárica (SHO). A evidência para estas comparações é de muito baixa qualidade em relação à taxa de nados vivos e de baixa qualidade em relação ao SHO. Encontrámos evidência de moderada qualidade de que o uso de rLH combinada com rFSH pode levar mais gravidezes com sucesso que rFSH isolada. Existiam também provas de moderada qualidade que sugeriam pouca ou nenhuma diferença entre os grupos na taxa de aborto. Não havia nenhuma evidência clara de diferenças entre os grupos nas taxas de cancelamento do ciclo por baixa resposta ou SHO iminente, mas a evidência para estes desfechos eram de baixa ou muito baixa qualidade.

Podemos concluir que a evidência é demasiado limitada para encorajar ou desencorajar os regimes de estimulação que incluem rLH combinada com rFSH em ciclos de FIV/ICSI.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência variou de muito baixa a moderada. As principais limitações foram risco de viés (associado com a pobre descrição metodológica) e imprecisão.

Notas de tradução: Tradução por Catarina Reis Carvalho, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 24 Mai 2017

 

Autores: Mochtar MH, Danhof NA, Ayeleke RO, Van der Veen F, van Wely M

Grupo de Revisão Principal: Gynaecology and Fertility Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD005070.pub3/abstract

As pessoas que não tem níveis suficientes de atividade física tendem a ter uma saúde pior. A prática regular de atividade física reduz o risco de doenças crônicas, melhora a saúde e promove o bem-estar das pessoas. A falta de atividade física é um problema de saúde comum e crescente. Para lidar com esse problema, 33 estudos testaram estratégias para aumentar a atividade física em comunidades, usando mais de um tipo de abordagem em um único programa. Quando avaliamos primeiramente as pesquisas disponíveis em 2011, observamos que havia uma falta de bons estudos que poderiam mostrar se esses tipos de programas eram benéficos ou não. Alguns estudos diziam que programas comunitários aumentavam o nível de atividade física das pessoas e outros estudos diziam que não. Nesta atualização, nós encontramos 4 novos estudos de boa qualidade; entretanto, nenhum destes estudos mostraram aumento no nível de atividade física da população. Alguns estudos relataram efeitos em nível do programa, como o aumento do número de pessoas caminhando, entretanto, em nível populacional, a atividade física não aumentou. Esta revisão evidenciou que intervenções comunitárias são muito difíceis de serem realizadas, e parece que normalmente elas não geram um benefício mensurável de atividade física para a população. Parece que muitas intervenções deixaram de atingir uma parte substancial da comunidade. Nós especulamos que algumas das estratégias específicas que foram incluídas nos programas podem não ser efetivas individualmente.

Conclusões dos autores: 

Apesar dos numerosos estudos realizados sobre o tema, existe uma grande inconsistência nos achados e isso é afetado por sérios problemas metodológicos entre esses estudos. As evidências existentes não apoiam a hipótese de que intervenções comunitárias multifacetadas aumentem de forma efetiva o nível de atividade física na população, se bem que alguns estudos com componentes ambientais observaram maior número de pessoas caminhando.

Introdução: 

Intervenções comunitárias multifacetadas para aumentar a atividade física são cada vez mais populares, porém ainda não se sabe qual é a capacidade dessas intervenções produzir melhoras em nível populacional.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos de intervenções comunitárias multifacetadas sobre a atividade física em nível populacional.

Estratégia de busca: 

As buscas foram feitas nas seguintes bases de dados: Cochrane Public Health Group Segment da Cochrane Register of Studies, The Cochrane Library, MEDLINE, MEDLINE in Process, EMBASE, CINAHL, LILACS, PsycINFO, ASSIA, The British Nursing Index, Chinese CNKI databases, EPPI Centre (DoPHER, TRoPHI), ERIC, HMIC, Sociological Abstracts, SPORTDiscus, Transport Database e Web of Science (Science Citation Index, Social Sciences Citation Index, Conference Proceedings Citation Index). Também foram consultados as páginas web: EU Platform on Diet, Physical Activity and Health, Health-Evidence.ca; the International Union for Health Promotion and Education; the NIHR Coordinating Centre for Health Technology (NCCHTA) e as diretrizes do NICE e SIGN.Também revisamos as listas de referências de todas as revisões sistemáticas, diretrizes e estudos primários relevantes e fizemos contato com especialistas sobre o tema. As buscas foram atualizadas até 16 de Janeiro de 2014 e não houve restrição quanto ao idioma ou status de publicação.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECR) tipo cluster e tipo convencional, estudos quasi-experimentais que usaram uma população controle para comparação, estudos de séries temporais interrompidas e estudos controlados de coortes prospectivas. Foram incluídos somente estudos com um acompanhamento mínimo de seis meses desde o início da intervenção até a mensuração dos desfechos. As intervenções comunitárias deveriam ter pelo menos duas estratégias para promover a atividade física de toda a população. Os estudos que randomizaram indivíduos da mesma comunidade foram excluídos.

Coleta dos dados e análises: 

Ao menos dois autores independentes extraíram os dados e avaliaram o risco de viés de cada estudo. Cada estudo foi avaliado em relação ao local, número de componentes da intervenção e sua intensidade. Os desfechos primários foram agrupados de acordo com o tipo de variável mensurada: dicotômicos (percentual de indivíduos fisicamente ativos, percentual de indivíduos fisicamente ativos durante atividade física recreativa e percentual de indivíduos fisicamente inativos), ou contínuos (tempo gasto em atividades físicas recreativas, tempo de caminhada, e gasto energético (mensurados como equivalentes metabólicos ou METS). Para as medidas dicotômicas calculamos a diferença de risco não-ajustada e ajustada, e o risco relativo não-ajustado e ajustado. Para as medidas contínuas calculamos a diferença percentual ajustada e não-ajustada comparada com as medidas iniciais.

Principais resultados: 

Um total de 33 estudos foram incluídos. Estes estudos relatavam intervenções envolvendo um total de 267 comunidades (com populações entre 500 e 1,9 milhões de pessoas cada). Dentre os estudos incluídos, 25 foram conduzidos em países de alta renda e 8 em países de baixa renda. As intervenções variaram em relação ao número de estratégias incluídas e suas intensidades. Quase todas as intervenções incluíram um componente de criar parcerias com os governos locais ou com organizações não-governamentais (ONGs) (29 estudos). Nenhum dos estudos apresentou seus resultados conforme o nível sócio econômico ou outros marcadores de desigualdade social dos participantes. Entretanto, 14 dos estudos realizados em países de alta renda foram descritos pelos autores como sendo oferecidos para comunidades desfavorecidas ou de baixo nível sócio econômico. O risco de viés foi considerado alto em 19 estudos, incerto em 10 e baixo em 4. O viés de seleção foi o principal problema entre estes estudos; apenas 5 dos estudos usaram randomização para a alocação das comunidades. Quatro estudos tiveram um baixo risco de viés e 19 estudos tiveram um risco incerto para viés de seleção. O risco de viés de detecção foi alto em 12 estudos, incerto em 13 e baixo em 4. Em geral, os estudos que tiveram melhor desenho metodológico mostraram nenhuma melhora na medida do desfecho primário de atividade física em nível populacional.

Os 4 novos estudos (conduzidos no Japão, Reino Unido e Estados Unidos) incluídos nessa atualização da revisão tinham um baixo risco de viés e usaram randomização para alocar a intervenção nas comunidades. Três desses estudos usaram um desenho tipo cluster para randomização e um estudo utilizou o desenho stepped-wedge. A maneira de mensurar o desfecho primário de atividade física foi melhor nesses 4 novos estudos do que nos estudos anteriores. Um estudo usou uma medida objetiva de atividade física em nível populacional através do uso de acelerômetros, enquanto os outros 3 estudos utilizaram questionários autorelatados validados. O estudo que utilizou acelerometria, conduzido em comunidades americanas de baixa renda e com crime elevado, enfatizou o marketing social, parcerias com a polícia e melhoras no ambiente. Durante os dois anos da intervenção, não foram observadas mudanças na média (de 7 dias) de minutos gastos por dia em atividade física moderada à vigorosa. Algum efeito do programa foi observado através do maior número de pessoas caminhando na comunidade no grupo de intervenção, entretanto esse resultado não aconteceu em toda comunidade. Similarmente, os dois estudos realizados no Reino Unido (um em vilas rurais e outro em Londres; os dois utilizando comunicação, parcerias e estratégias ambientais), não encontraram melhoras nas médias dos níveis de gasto energético por pessoa por semana, mensurado após 1 e 4 anos após o início da intervenção. Nenhuns dos 3 estudos com baixo risco de viés que relataram desfechos dicotômicos de atividade física encontraram melhoras associadas com a intervenção.

Em geral, os estudos incluídos apontam uma notável falta de benefícios da atividade física das intervenções comunitárias. Entretanto, de uma forma geral, as intervenções conduzidas na China parecem ter tido mais sucesso, com uma alta taxa de participação. O viés de relato foi evidente em 2 estudos que deixaram de relatar a atividade física ao final do seguimento. Nenhum evento adverso foi relatado. Os dados sobre custo e sustentabilidade das intervenções foram limitados e variados.

Notas de tradução: Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Maíra T. Parra) – contato:tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

 

Publicada: 5 Janeiro 2015

 

Autores: Baker PRA, Francis DP, Soares J, Weightman AL, Foster C

 

Grupo de Revisão PrincipalPublic Health Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

https://doi.org/10.1002/14651858.CD008366.pub3

Qual é a questão?

A diabetes gestacional é uma intolerância à glicose, levando a altos níveis de glicose que primeiro é reconhecida durante a gravidez e que geralmente se normaliza após o parto. Diabetes durante a gravidez tem sido associada a muitos problemas de saúde a curto e a longo prazo para a mãe e seu bebé. A principal maneira de tratar a diabetes gestacional é através de mudanças de estilo de vida como dieta, exercício e a monitorização dos níveis de glicose no sangue.

Por que é importante?

Mulheres com diabetes gestacional têm um risco aumentado de desenvolver hipertensão arterial durante a gravidez (pré-eclâmpsia) e são mais propensas a ter um trabalho de parto induzido. Os bebés de mulheres com diabetes gestacional são mais propensos a serem grandes, e isto pode estar ligado a bebés com trauma no parto (ossos partidos ou nervos danificados durante o parto) e a necessidade de partos por cesariana. Intervenções de estilo de vida que incluem dois ou mais componentes de aconselhamento dietético, atividade física, educação e auto-monitorização de glicose no sangue são a primeira linha de tratamento para a maioria das mulheres diagnosticadas com diabetes gestacional. Intervenções como alimentação saudável e atividade física pretendem ajudar as mulheres a manter os níveis de glicose do sangue dentro de um intervalo considerado mais seguro, de modo a melhorar os resultados de saúde para a mãe e o bebé.

Que evidência encontrámos?

Procuramos na literatura (em maio de 2016) ensaios aleatorizados que comparassem uma intervenção no estilo de vida com um grupo controlo de mulheres recebendo tratamento habitual ou outra intervenção. Quinze ensaios aleatorizados (45 publicações) estão incluídos nesta revisão, envolvendo 4501 mulheres e 3768 crianças. Nenhum dos ensaios foram financiados por uma concessão condicional de uma empresa farmacêutica.

Para o bebé, intervenções no estilo de vida foram associadas com uma redução no risco de nascer grande para a idade gestacional (seis estudos, 2994 crianças). O número de bebés com um peso ao nascer de mais de 4000 g (macrosomia) foi menor com a intervenção no estilo de vida, sem diferença clara do número de bebés recém-nascidos com baixos níveis de glicose (seis estudos, 3000 crianças). A evidência é de qualidade moderada para estes achados. O peso ao nascer também foi menor no grupo de intervenção no estilo de vida.

Para as mães a introdução de intervenções no estilo de vida não fez um diferença clara no número de mulheres com hipertensão arterial induzida pela gravidez (quatro estudos, 2796 mulheres) ou a ter uma cesariana (10 estudos, 3545 mulheres) com base em evidências de baixa qualidade ou na indução do trabalho de parto (quatro ensaios, mulheres 2699, evidência de alta qualidade). Um número semelhante de mulheres teve trauma perineal ou rasgar (um estudos, 1000 mulheres) ou desenvolveu diabetes tipo 2, até 10 anos depois de dar à luz (dois estudos, 486 mulheres). Estes achados foram apoiadas por evidência de baixa a moderada qualidade.

Mais mulheres no grupo de intervenção no estilo de vida atingiram os seus objetivos de peso um ano após o parto, e as intervenções no estilo de vida foram associadas com uma diminuição do risco de depressão após o nascimento, a partir de informação de estudos individuais. Estes achados foram apoiadas por evidência de baixa qualidade.

O que quer isto dizer?

Intervenções no estilo de vida são benéficos no tratamento de mulheres com diabetes gestacional As intervenções são úteis como a principal estratégia terapêutica e geralmente incluem, no mínimo, uma alimentação saudável, atividade física e uma monitorização dos níveis de açúcar no sangue.

Investigação futura poderá incidir sobre os componentes eficazes das intervenções de estilo de vida e o uso de intervenções de estilo de vida como a única intervenção sem tratamento farmacológico. Estudos futuros também precisam considerar os resultados a longo prazo para a mãe o bebé.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 4 Mai 2017

 

Autores: Brown J, Alwan NA, West J, Brown S, McKinlay CJD, Farrar D, Crowther CA

 

Grupo de Revisão Principal: Pregnancy and Childbirth Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD011970.pub2/abstract

Contexto

O consumo de tabaco mata mais pessoas em todo o mundo do que qualquer outra causa evitável de morte. A melhor maneira de reduzir o consumo de tabaco é impedir que as pessoas comecem a usar tabaco e encorajar e ajudar os usuários existentes a parar. Isso pode ser feito através da introdução de políticas que podem atingir um grande número de pessoas em um país, juntamente com a oferta de tratamento individual e apoio às pessoas que já estão usando o tabaco para ajudá-los a parar. Muitos países introduziram proibições sobre a publicidade ao tabaco, mas não controlaram a aparência da própria embalagem de tabaco. As embalagens de tabaco podem ser coloridas e atraentes, com formas e tamanhos novos e excitantes. A embalagem padronizada do tabaco é uma política governamental que remove esses desenhos, por exemplo, permitindo apenas que as embalagens de tabaco sejam de uma cor, forma ou tamanho. Embalagens padronizadas geralmente envolve o uso da mesma cor uniforme em todas as embalagens de tabaco, sem imagens de marca, e a marca registrada em uma fonte, cor e tamanho especificados. Os avisos de saúde e outras informações que os governos desejam colocar nas embalagens podem permanecer. A Austrália foi o primeiro país a introduzir embalagens padronizadas de tabaco em dezembro de 2012. A França foi o segundo em janeiro de 2017. Vários outros países estão no processo de introduzir embalagens padronizadas e ainda mais têm planos de o fazer. Examinamos se embalagens padronizadas reduzem o uso do tabaco.

Características do estudo

Pesquisamos nove bases de dados para artigos que avaliassem embalagens padronizadas que já haviam sido revisadas por acadêmicos e publicadas antes de janeiro de 2016. Também verificamos referências nesses artigos a outros estudos e contactamos os autores quando necessário.

Principais resultados

Encontramos 51 estudos envolvendo aproximadamente 800.000 participantes. Estes estudos variaram consideravelmente. Alguns estudos forcaram-se no efeito da embalagem padronizada na Austrália e olharam para os níveis globais de tabagismo, se os fumadores alteraram o seu comportamento, como reduzir o número de cigarros que fumavam e se os fumadores estavam a realizar mais tentativas de parar. Também incluímos experiências em que as pessoas usavam ou visualizavam pacotes de tabaco padronizados e examinavam suas respostas, em comparação com quando eles viam embalagens de marca. Também incluímos estudos que avaliaram os movimentos dos olhos das pessoas quando olhavam pacotes diferentes e como as pessoas estavam dispostas a comprar e quanto estavam dispostas a pagar, padronizadas em comparação com as embalagens de marca.

Apenas cinco estudos analisaram os nossos principais resultados. Um estudo na Austrália analisou os dados de 700.000 pessoas antes e depois de embalagens padronizadas serem introduzidas. Este estudo constatou que houve uma queda de meio ponto percentual na proporção de pessoas que usaram tabaco após a introdução de embalagens padronizadas, em comparação com antes, após ajustar por outros fatores. Quatro outros estudos analisaram se os fumadores alteraram o número de cigarros que fumavam. Dois estudos Austrálianos analisaram isto, um usando inquéritos a 8811 fumadores, e não encontrou nenhuma alteração no número de cigarros fumados. Os três estudos mais pequenos encontraram resultados inconclusivos. Dois outros estudos observaram um aumento nas tentativas de cessão tabágica na Austrália após introdução de embalagens padronizadas. Os restantes estudos analisaram outros resultados e a conclusão mais consistente foi que embalagens padronizadas reduziram o quão atraentes as pessoas encontraram as embalagens comparadas com as embalagens de marca. Nenhum estudo relatou o número de pessoas que deixaram de usar tabaco, o número de pessoas que começaram a usar tabaco, ou o número de pessoas que voltaram a usar tabaco depois de parar.

Qualidade da evidência

A certeza nestas constatações é limitada por várias razões, incluindo as dificuldades envolvidas no estudo de políticas nacionais como a embalagem padronizada. No entanto, achados sugerindo embalagens padronizadas podem diminuir o uso do tabaco são suportados por dados de rotina do governo australiano e estudos que analisam outros resultados. Por exemplo, nos estudos incluídos, as pessoas encontraram consistentemente pacotes padronizados menos atraentes do que os pacotes de marca. Não encontramos nenhuma evidência sugerindo que embalagens padronizadas possam aumentar o uso do tabaco.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculadade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 27 Abril 2017

 

Autores: McNeill A, Gravely S, Hitchman SC, Bauld L, Hammond D, Hartmann-Boyce J

 

Grupo de Revisão Principal: Tobacco Addiction Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD011244.pub2/abstract

Pergunta de revisão

O objetivo desta revisão foi avaliar se o pré-tratamento com uma pílula contraceptiva oral combinada (PCOC) ou com progestágeno ou estrogênio sozinho influencia os resultados de gravidez em casais com baixa fertilidade, passando por tecnologias de reprodução assistida (TRA)

Contexto

Fertilização in vitro (FIV; onde um ovo é misturado com esperma fora do corpo) e injeção intra citoplasmática de espermatozoide (ICSI; onde um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo) são técnicas importantes para as mulheres que têm problemas para engravidar. Ciclos de fertilização in vitro e ICSI são realizados em poucos passos. Em primeiro lugar, a mulher recebe terapia hormonal para estimular os ovários na produção de células de ovo (chamadas de estimulação ovariana). Quando alguns óvulos estiverem maduros o suficiente para serem fertilizado, a mulher recebe uma único injeção de hormona. Isso leva os ovários a liberar os óvulos, para que eles podem ser recolhidos pelo profissional de saúde. Os ovos são então fertilizados fora do corpo da mulher e tornam-se embriões. Um ou dois embriões são então transferidos para o útero.

Antes da primeira etapa em ciclos de FIV ou ICSI (terapia hormonal), pode ser dado um tratamento prévio com uma PCOC. Uma COC contém progesterona e estradiol. O pré-tratamento com um progesterona ou estradiol sozinho também pode ser usado antes da terapia hormonal. Estes pré-tratamentos suprimem a produção hormonal da própria mulher. Isto pode melhorar a resposta da mulher para a terapia hormonal em ciclos de FIV/ICSI. Desta forma, o risco de situações não desejáveis, como a formação de quistos (sacos de líquido que se desenvolve no ovário de uma mulher) e o número de gravidezes perdas poderá ser reduzido e os resultados de gravidez podem ser melhorados.

Características dos estudos

Esta revisão de Cochrane incluiu 30 ensaios clínicos controlados (estudos clínicos onde pessoas aleatoriamente são colocadas em um dos dois ou mais grupos de tratamento) que avaliaram o pré-tratamento com a PCOC, progesterona ou estradiol em 5096 mulheres, passando por tecnologias de reprodução assistidas. A evidência é atual, com a pesquisa feita em janeiro de 2017.

Principais resultados

Em mulheres em fase de estimulação ovariana em protocolos antagonistas, o pré-tratamento com a PCOC esteve associado a uma menor taxa de nascimento vivos ou gravidezes em curso, quando comparado com a ausência de pré-tratamento. Havia evidência insuficiente para determinar se as taxas de nascimento vivos ou gravidezes em curso foram influenciadas por tratamento prévio com progesterona ou de estradiol ou o pré-tratamento com PCOC usando outros protocolos de estimulação. Os achados em relação aos eventos adversos são inconclusivos, exceto que o pré-tratamento de progesterona pode reduzir o risco de quistos ováricos em ciclos de agonistas, e a PCOC em ciclos de antagonistas pode reduzir o risco de perda de gravidez, quando comparado com nenhum pré-tratamento em ciclos de agonistas.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência variou de muito baixa a moderada. Os principais problemas foram o risco de viés e a imprecisão. A maioria dos estudos não descreveram os métodos com um nível de detalhe adequado.

Notas de tradução: Tradução por Catarina Reis Carvalho, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 25 Mai 2017

 

Autores: Farquhar C, Rombauts L, Kremer JAM, Lethaby A, Ayeleke RO

Grupo de Revisão Principal: Gynaecology and Fertility Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD006109.pub3/abstract

Pergunta de revisão: analisámos a evidência científica disponível sobre o efeito dos alongamentos em pessoas com contraturas articulares ou que se encontram vulneráveis às mesmas.

Contextualização: procurámos determinar a eficácia dos alongamentos no tratamento e prevenção de deformações articulares (também conhecidas como contraturas articulares) em pessoas com doenças neurológicas e não neurológicas. Algumas das doenças contempladas nesta revisão incluem pessoas com fraturas, acidentes vasculares cerebrais, lesões cerebrais, artrite ou queimaduras.

Os alongamentos podem ser executados através da utilização de ortóteses e programas de posicionamento corporal, ou com talas gessadas, que são mudadas em intervalos regulares (talas gessadas seriadas). Em alternativa, os alongamentos podem ser executados pelo próprio ou aplicados manualmente por terapeutas.

Características dos estudos: esta revisão Cochrane está atualizada até Novembro de 2015. Inclui os resultados de 49 ensaios clínicos aleatorizados que envolveram um total de 2135 participantes. Os participantes tinham doenças neurológicas e não neurológicas, incluindo acidentes vasculares cerebrais, lesões cerebrais e vertebro-medulares, artrite, fraturas do punho e queimaduras.

Os estudos compararam grupos que executaram alongamentos a grupos sem alongamentos, muitas vezes em associação a medidas de tratamento padrão, tais como exercício físico ou injeção de toxina botulínica, em casos de espasticidade.

Os alongamentos foram executados de diferentes formas, incluindo alongamentos passivos (executados pelo próprio, por um terapeuta ou com auxílio de equipamento técnico), posicionamento corporal, ortóteses e talas gessadas seriadas.

O tempo de execução dos alongamentos foi bastante variável entre os diferentes estudos, desde 5 minutos a 24 horas por dia [mediana de 420 minutos, intervalo interquartil (IIQ) de 38 a 600)], durante 2 dias a 7 meses (mediana de 35 dias, IIQ de 23 a 84). O tempo de execução cumulativo dos alongamentos variou entre 23 minutos a 1456 horas (mediana de 168 horas, IIQ de 24 a 672).

Os resultados de interesse incluíram o arco de amplitude articular, espasticidade, dor, capacidade de mobilização, capacidade para a participação em atividades da vida diária, qualidade de vida e efeitos adversos. Os efeitos a curto prazo (menos de uma semana) e a longo prazo (mais de uma semana) foram investigados separadamente.

Fontes de financiamento dos estudos: nenhum dos estudo foi financiado por uma companhia farmacêutica ou empresa com interesses comerciais no resultado dos mesmos.

Resultados chave: encontrámos os seguintes efeitos a curto prazo, até uma semana após a última intervenção, em estudos que compararam grupos que executaram alongamentos contra grupos sem alongamentos:

Arco de amplitude articular (pontuação mais elevada equivale a um melhor resultado)

Doenças neurológicas: os alongamentos aumentaram o arco de amplitude articular em cerca de 1% (0% a 2% melhor) ou 2º (0º a 3º)

Doenças não neurológicas: os alongamentos aumentaram o arco de amplitude articular em cerca de 1% (0% a 3% melhor)

Qualidade de vida (pontuação mais elevada equivale a um melhor resultado)

Doenças neurológicas: sem estudos

Doenças não neurológicas: os alongamentos aumentaram a qualidade de vida em cerca de 1% (0% a 3% melhor)

Dor (pontuação mais baixa equivale a um melhor resultado)

Doenças neurológicas: os alongamentos aumentaram a dor em cerca de 2% (de 1% pior a 6% pior)

Doenças não neurológicas: os alongamentos diminuíram a dor em cerca de 1% (de 3% melhor a 1% pior)

Limitação nas atividades (pontuação mais elevada equivale a um melhor resultado)

Doenças neurológicas: os alongamentos aumentaram a capacidade de mobilização em cerca de 1% (0% a 2% melhor)

Doenças não neurológicas: os alongamentos aumentaram a capacidade de mobilização em 1% (de 2% pior a 4% melhor)

Participação nas atividades de vida diária (pontuação mais elevada equivale a um melhor resultado)

Doenças neurológicas: sem estudos

Doenças não neurológicas: os alongamentos diminuíram a capacidade de participação nas atividades de vida diária em cerca de 12% (31% pior a 6% melhor)

Eventos adversos

Doenças neurológicas e não neurológicas: foram reportados 49 eventos adversos, incluindo lacerações cutâneas, dor, parestesias, tromboses venosas, infeções de feridas, hematomas, défices de flexão e edema. Não conseguimos calcular o risco destes eventos adversos surgirem com os alongamentos, uma vez que nem todos os estudos reportaram os efeitos adversos, ou não os reportaram para ambos os grupos.

Qualidade da evidência científica: encontrámos evidência científica de elevada qualidade em como os alongamentos não têm efeitos clinicamente importantes a curto prazo no arco de amplitude articular em pessoas com doenças neurológicas ou não neurológicas. Encontrámos evidência científica de elevada qualidade em como os alongamentos não têm efeitos clinicamente importantes a curto prazo sobre a dor, e evidência científica de moderada qualidade em como os alongamentos não têm efeitos clinicamente importantes a curto prazo sobre a qualidade de vida em pessoas com doenças não neurológicas.

Conclusão: os alongamentos não são eficazes para o tratamento e prevenção das contraturas articulares e não apresentam efeitos a curto prazo sobre a qualidade de vida e a dor em pessoas com doenças não neurológicas. Os efeitos a curto prazo e a longo prazo dos alongamentos sobre outros resultados em pessoas com doenças neurológicas e não neurológicas não são conhecidos.

Notas de tradução: Tradução por Guilherme Ferreira dos Santos, Departamento de Medicina Física e Reabilitação, Hospital de Curry Cabral, Centro Hospitalar Lisboa Central; Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência; com o apoio de Cochrane Portugal

 

Publicada: 9 Janeiro 2017

 

Autores: Harvey LA, Katalinic OM, Herbert RD, Moseley AM, Lannin NA, Schurr K

 

Grupo de Revisão Principal: Musculoskeletal Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD007455.pub3/abstract

Pergunta de revisão

Investigámos os benefícios e malefícios do apoio para adultos hospitalizados em risco de desnutrição, com base em métodos diferentes, que vão desde o formalmente validados ‘de acordo com o parecer’ dos investigadores experimentais de alimentação.

Contexto

Quando as pessoas desnutridas são admitidos ao hospital podem ter um risco aumentado de morte ou são mais propensos a sofrer uma complicação séria. O suporte de alimentação pode ajudá-los, apesar da desnutrido poder estar associada com uma doença grave subjacente. Neste caso, as intervenções específicas que visam melhorar o seu estado nutricional não ajudariam, como não seria o estado nutricional pobre em si que causou o aumento do risco de morte ou de sofrer um dano grave.

Data de pesquisa: fevereiro de 2016.

Características dos estudos

Foram incluídos 244 ensaios, com 28.619 participantes. Os ensaios incluídos avaliaram os efeitos de diferentes tipos de suporte nutricional (ou seja conselhos dietéticos, enriquecimento regular de alimentos com proteína extra e calorias, suplementos de proteína e alimentação através de um cateter diretamente na veia ou através de um tubo de alimentação diretamente no estômago ou intestino). O suporte nutricional foi prestado a pessoas que estavam doentes, sendo que tinham vários tipos de doenças e que iriam ser submetidos a procedimentos diferentes. O que todos tinham em comum era estarem em risco em pelo menos uma medida, incluindo a opinião dos investigadores.

Principais resultados

Não encontramos nenhuma evidência de uma diferença entre o grupo de suporte nutricional e o grupo de controlo em termos de risco de morte. No grupo de controlo 8,3% das pessoas morreram a curto prazo, quando comparado com 7,8% no grupo com apoio nutricional (baixa qualidade de evidência). No ponto temporal mais completo 13,2% das pessoas no grupo controlo morreram, comparado com 12,2% no grupo de suporte nutricional (baixa qualidade de evidência). Não encontramos evidência de uma diferença entre o suporte nutricional e controlo em relação ao risco de complicações sérias a curto prazo. As pessoas nos grupos de controlo tinham uma taxa de complicação grave de 9,9% no seguimento a curto prazo em comparação com 9,2% no grupo de suporte nutricional (baixa qualidade de evidência). No seguimento a longo prazo 15,2% das pessoas no grupo de controlo tinham uma complicação séria em comparação com 13,8% nos grupos de suporte nutricional (baixa qualidade de evidência). Estes resultados baseiam-se em pouco mais de 21.000 participantes. O suporte nutricional pode aumentar o peso em cerca de 1,32 kg em comparação com as pessoas em grupos de controlo. O benefício associado a um aumento de peso de 1,32 kg é incerto. Nós não confiável poderia avaliar os efeitos na qualidade de vida, devido à variação no relato desta informação. Quando olhámos para os diferentes tipos de suporte nutricional, uma análise secundária sugeriu que a alimentação por sonda pode ser benéfica, reduzindo complicações sérias no seguimento máximo, mas a força deste achado é fraco.

Qualidade da evidência

A evidência para estas conclusões é de baixa qualidade em relação ao risco de complicações graves e morte. A evidência é de muito baixa qualidade em relação ao efeito no peso. Todos os ensaios tinham um alto risco de viés (ou seja, os ensaios foram todos conduzidos de uma forma que pode sobre-estimar os benefícios e sub-estimar os danos de suporte nutricional). Os resultados eram consistentes em relação a complicações graves e morte, mas havia uma grande variação nos efeitos sobre o peso.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 19 Mai 2017

 

Autores: Feinberg J, Nielsen EE, Korang SK, Halberg Engell K, Nielsen MS, Zhang K, Didriksen M, Lund L, Lindahl N, Hallum S, Liang N, Xiong W, Yang X, Brunsgaard P, Garioud A, Safi S, Lindschou J, Kondrup J, Gluud C, Jakobsen JC

 

Grupo de Revisão Principal: Hepato-Biliary Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD011598.pub2/abstract

Pergunta de revisão

Queríamos saber se antibióticos melhoram o estado das pessoas com bronquite aguda. Também foram avaliados os potenciais efeitos adversos da terapia antibiótica.

Contexto

Bronquite aguda é um diagnóstico clínico (baseado em sinais e sintomas relatados pelo doente) para uma tosse aguda, que pode ou não estar associada com tosse com muco ou catarro. A bronquite aguda pode ser causada por vírus ou bactérias. Os sintomas geralmente duram duas semanas mas podem durar até oito semanas. Os antibióticos são frequentemente prescritos para tratar a bronquite aguda, mas estes podem causar efeitos adversos como náusea e diarreia bem como causar reações mais graves em pessoas alérgicas ao medicamento. Não há nenhum teste prático para distinguir entre bronquite bacteriana e viral.

Características dos estudos

Foram incluídos ensaios clínicos aleatorizados, comparando a qualquer terapia antibiótica com placebo ou nenhum tratamento em pessoas com bronquite aguda ou pessoas que tinham uma tosse produtiva aguda mas sem doença pulmonar crónica subjacente. Foram incluídos 17 ensaios com 5099 participantes. Tratamentos simultâneos com outros medicamentos para aliviar os sintomas foram permitidos se tivessem sido dados a todos os participantes no estudo.

Principais resultados

A evidência é atual de 13 de janeiro de 2017.

Encontramos evidência limitada de um benefício clínico para apoiar o uso de antibióticos para a bronquite aguda. Algumas pessoas tratadas com antibióticos recuperaram um pouco mais rapidamente com menor impacto relacionado a com tosse. No entanto esta diferença não pode ter uma importância prática como consistia numa diferença de meio dia ao longo de um período de 8 a 10 dias. Houve um aumento pequeno mas significativo de efeitos adversos em pessoas tratadas com antibióticos. Os efeitos adversos mais frequentemente reportados incluem náuseas, vómitos, diarreia, dor de cabeça e irritação da pele.

Esta revisão sugere que há um benefício limitado no uso de antibióticos para a bronquite aguda em pessoas saudáveis. É necessária mais investigação sobre os efeitos do uso de antibióticos para a bronquite aguda em pessoas frágeis, idosas com múltiplas condições crónicas, que podem não ter sido incluídas nos ensaios existentes. A utilização de antibióticos tem que ser considerada no contexto dos potenciais efeitos adversos, de uma terapêutica dirigida a uma condição auto-limitada, do custo do tratamento com antibióticos e em particular a efeitos prejudiciais a nível populacional devido ao aumento da resistência aos antibióticos.

Qualidade da evidência

A qualidade destes ensaios foi geralmente boa, em particular nos estudos mais recentes.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

 

Publicada: 19 Junho 2017

 

Autores: Smith SM, Fahey T, Smucny J, Becker LA

Grupo de Revisão Principal: Acute Respiratory Infections Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD000245.pub4/abstract;jsessionid=EE9B0D5B1EAD59694242E68B79BFF155.f03t03

Pergunta da revisão

Foi revista a evidência sobre o efeito da toxina botulínica tipo A (BtA) em comparação com a toxina botulínica tipo B (BtB) em pessoas com posicionamento involuntário da cabeça, uma doença chamada distonia cervical. Isto é uma atualização de uma revisão Cochrane anterior onde foi avaliada a eficácia (redução da gravidade, incapacidade e dor) e a segurança da BtA versus BtB na distonia cervical.

Contexto

A distonia cervical, também conhecido como torcicolo espasmódico, é uma doença que leva a uma posição anómala da cabeça, sendo incontrolável e muitas vezes dolorosa. É uma condição relativamente incomum (afetando 57 a 280 pessoas por milhão) mas que pode ser muito incapacitante, afetando negativamente a qualidade de vida. Na maioria dos casos, a causa é desconhecida e não existe cura. Uma vez que a distonia cervical é normalmente uma doença de longo prazo, requer tratamento a longo prazo.

A toxina botulínica (Bt) é um produto químico poderoso e natural que pode causar paralisia grave (uma incapacidade de se mover na parte do corpo onde é aplicada) em animais e humanos.A toxina pode ser usada para tratar muitas doenças, em particular aquelas com contrações musculares involuntárias, como a distonia cervical. O tratamento é administrado por injeções nos músculos afetados pela doença. Existem diferentes tipos de toxina, mas nem todos estão disponíveis para o tratamento de condições de saúde. A BtA é tipicamente o primeiro tratamento usado na distonia cervical, mas a BtB é uma alternativa. A força relativa de cada formulação Bt é variável, e o custo no Reino Unido para 200 unidades varia de GBP 198 a GBP 308.

Características do estudo

Foi realizada uma pesquisa rigorosa da literatura médica em outubro de 2016 e foram encontrados três estudos que compararam uma única sessão de tratamento de BtA versus BtB. Estes estudos incluíram um total de 270 participantes, com, em média, um comprometimento moderado da doença. Os participantes permaneceram nos estudos por um curto período de tempo – entre 16 e 20 semanas após o tratamento. A idade média das pessoas nos estudos foi de 53,3 anos, e tiveram distonia cervical durante uma média de 6,6 a 7,9 anos antes de participarem nos estudos. A maioria, 63,3%, das pessoas nos estudos eram mulheres. Todos os três estudos foram financiados por fabricantes de medicamentos com possíveis interesses nos resultados dos estudos.

Principais resultados

Os resultados mostram pouca ou nenhuma diferença entre BtA e BtB nas principais medidas de eficácia e segurança, incluindo o número total de eventos adversos (indesejados ou nocivos). Houve também pouca ou nenhuma diferença entre BtA e BtB nas autoavaliações relatadas pelos participantes do estudo. Com base nos resultados, seria de esperar que, de 1000 pessoas com distonia cervical tratados com BtB, haveria 362 mais pessoas que experimentam boca seca ou dor de garganta em comparação com 1000 pessoas tratadas com BtA. Os estudos que analisaram a duração do efeito mostraram pouca ou nenhuma diferença entre BtA e BtB. Nenhum dos estudos examinou o impacto de qualquer tipo de toxina na qualidade de vida.

Qualidade da evidência

Todos os estudos incluíram participantes que eram diferentes da pessoa média que sofre de distonia cervical. Para ser incluído, era exigido um ciclo de tratamento bem sucedido com toxina botulínica no passado. As pessoas com certos tipos de distonia cervical, em particular as formas que fazem a cabeça virar para trás ou para a frente, não foram autorizados a participar nos estudos.

Não foram incluídos suficientes participantes nos estudos para estar completamente confiantes nos resultados para o risco de eventos adversos, as avaliações auto-relatadas pelos participantes ou a avaliação da dor.

A qualidade da evidência para melhoria geral e o risco de eventos adversos foi baixa. A qualidade da evidência que mostra mais dor de garganta ou boca seca em pessoas que recebem BtB é moderada. A qualidade da evidência onde os participantes deram suas auto-avaliações é baixa.

Não se podem tirar conclusões definitivas sobre a segurança global e a utilidade a longo prazo da BtA em comparação com a BtB na distonia cervical.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina de Lisboa

 

Publicada: 26 Outubro 2016

 

Autores: Duarte GS, Castelão M, Rodrigues FB, Marques RE, Ferreira J, Sampaio C, Moore AP, Costa J

 

Grupo de Revisão Principal: Movement Disorders Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004314.pub3/abstract

Pergunta da revisão

Foi analisado se as vacinas podem ajudar a prevenir as constipações.

Contexto

A constipação é causada por uma infecção viral do trato respiratório superior, e as pessoas geralmente ficam melhores quando o vírus morre. Pessoas constipadas não se sentem bem, o nariz tende a pingar, há congestão nasal, espirros e tosse com ou sem dor de garganta e temperaturas ligeiramente elevadas. Os tratamentos visam aliviar os sintomas.

Globalmente, a constipação causa doença generalizada. Tem sido difícil produzir vacinas para prevenir a constipação devido aos muitos vírus envolvidos. O efeito das vacinas sobre a prevenção da constipação em pessoas saudáveis é ainda desconhecido.

Data da pesquisa

Para esta atualização, pesquisamos a literatura até 2 de setembro de 2016.

Características do estudo

Não encontramos novos ensaio nesta atualização. Esta revisão inclui um estudo aleatorizado previamente identificado e realizado em 1965. Este estudo envolveu 2307 pessoas saudáveis numa instalação de treino para a Marinha dos Estados Unidos e avaliou o efeito de uma vacina viva enfraquecida (atenuada) de adenovírus em comparação com uma vacina falsa (placebo).

Fontes de financiamento

Este estudo foi financiado por uma instituição governamental.

Principais resultados

Não houve diferenças na frequência de constipações entre aqueles que receberam a vacina em comparação com aqueles que receberam uma vacina falsa. Não houve eventos adversos relacionados com a vacina. No entanto, devido ao baixo número de pessoas incluídas no estudo e número de constipações, bem como falhas no desenho do estudo, a nossa confiança nos resultados é baixa. Investigação futura poderá esclarecer se as vacinas podem prevenir constipações, uma vez que a evidência atual não apoia o uso da vacina de adenovírus para prevenir constipações em pessoas saudáveis.

Qualidade da evidência

Nós avaliamos a qualidade da evidência como baixa devido ao alto risco de viés e baixo número de participantes no estudo e número de constipações, o que resultou em imprecisão.

Notas de tradução: Tradução por Gonçalo S Duarte, Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica, Faculdade de Medicina de Lisboa, com o apoio de Cochrane Portugal

 

Publicada: 18 Mai 2017

 

Autores: Simancas-Racines D, Franco JVA, Guerra CV, Felix ML, Hidalgo R, Martinez-Zapata MJ

 

Grupo de Revisão Principal: Acute Respiratory Infections Group

 

Revisão completa pode ser consultada AQUI:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD002190.pub5/abstract