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Encerramento da urgência pediátrica do Garcia de Orta é uma “falência do Ministério da Saúde e do Estado”

A urgência pediátrica do Garcia de Orta fechou, durante a noite, duas vezes em três dias. O primeiro encerramento teve lugar entre as 20h de dia 12 de outubro e as 08h de dia 13.  Mais recentemente o problema voltou a acontecer, desta vez das 21h de dia 14 às 8h30 de dia 15.

O conselho de administração do hospital deu conta da “insuficiência de médicos pediatras para cumprir a escala noturna” e pediu aos utentes que se dirigissem ao mesmo serviço do Hospital de Santa Maria ou Dona Estefânia, em Lisboa.

Miguel Guimarães considera que o encerramento da urgência pediátrica do Garcia de Orta durante estas duas noites representou uma “falência do Ministério da Saúde e do Estado”, que está há meses sem resolver a situação.

O bastonário acrescentou também que vai criar um novo documento de “declaração de responsabilidade”, que os médicos devem assinar quando entendem não estarem asseguradas as condições dos seus serviços e que possa servir para “assacar responsabilidades políticas” pelas insuficiências de meios nos serviços de saúde. Sobre a urgência pediátrica do Garcia de Orta, o líder da Ordem dos Médicos entende que “é inaceitável e incompreensível que a situação não tenha sido ainda resolvida”. “Este serviço recebe cerca de 150 crianças por dia e que chega a ser assegurado por um médico especialista e um médico interno”, realçou.

Miguel Guimarães destaca “o peso” da urgência do hospital Garcia de Orta, que tem uma “população geral de referência superior a 300 mil habitantes”, que dá apoio às populações do Barreiro, Montijo e até Setúbal e cuja urgência pediátrica recebe em média 150 mil crianças por dia — “um volume elevado”, constata.

Problemas desde o fim de 2018

Os sinais de alerta começaram a surgir no final de 2018, quando a própria Ordem alertou para o risco da urgência pediátrica do Garcia de Orta encerrar à noite no início do ano, mais concretamente em fevereiro.

Na sequência de várias informações sobre problemas na instituição, muito em especial no que à pediatria e à urgência pediátrica diz respeito, Miguel Guimarães deslocou-se ao Hospital Garcia de Orta, no dia 15 de janeiro, com uma comitiva que teve oportunidade de falar com representantes da administração e com vários colegas. Na altura existiam apenas seis chefes de equipa, um número que não cobria sequer as sete noites da semana e que obrigava a que estes pediatras fizessem um número incomportável de horas suplementares.

Infelizmente, mesmo depois de vários contactos, nada foi feito e, no mês seguinte, no dia 6 de fevereiro, a Ordem dos Médicos emitiu uma nota pública onde indicava que a urgência pediátrica do HGO corria o risco de fechar durante a noite.

Tanto por parte da tutela como da administração precedente, lamentavelmente apenas existiu a preocupação de garantir publicamente que a posição da Ordem dos Médicos era manifestamente exagerada e que tudo seria acautelado – ao invés de se investirem todos os esforços no sentido de reforçar o quadro de pediatras.