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Vila Real: 1829 dias de espera para primeira consulta de Urologia

A segunda semana do périplo pela Saúde em Portugal começou no Hospital de Vila Real, do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), onde o bastonário deixou claro que a Ordem dos Médicos não vai prescindir da missão de defender os utentes, os profissionais e a qualidade dos serviços “independentemente das pressões da ministra da Saúde”. Miguel Guimarães destacou o trabalho exemplar dos profissionais de saúde que mantém os serviços a funcionar e lamentou a grave carência de médicos em especialidades como a Oncologia ou a Nefrologia. O bastonário denunciou ainda os “inaceitáveis” tempos médios de espera para primeira consulta que, na Urologia, chega aos 1829 dias.

Os tempos para Ortopedia fixam-se nos 836 dias e para Pneumologia são 530. Uma situação que o bastonário diz ser “inaceitável” e que “devia ser motivo de preocupação da ministra da Saúde, devia ser motivo de grande preocupação do Governo e devia ser motivo de preocupação de todos os partidos políticos que têm assento na Assembleia da República”.

O CHTMAD está num impasse administrativo desde dezembro do ano passado devido à saída do conselho de administração. Há aqui um impasse por parte do Ministério da Saúde que não conseguimos entender e que pode ter reflexos, obviamente, naquilo que é a gestão diária do hospital”, afirmou Miguel Guimarães.

“O hospital estar tanto tempo sem administração é absolutamente lamentável, embora, mesmo quando o centro hospitalar tinha o seu conselho de administração a funcionar em pleno, a verdade é que as dificuldades também existiam”, salientou Miguel Guimarães. O bastonário considera que o centro hospitalar “precisa com urgência de mais investimento” e realçou que não se pode “medir o país apenas pelo número de pessoas, isto é, pelo número de votos”. Continua a não existir, por parte do Ministério da Saúde, “uma verdadeira política de incentivos” para as regiões mais periféricas e mais desfavorecidas. “Os médicos aqui têm sido verdadeiramente escravos do SNS, fazem mais horas do que devem fazer sem qualquer compensação, em muitos casos, mas isto não pode ser a forma constante das pessoas trabalharem”, concluiu.

Na comitiva da Ordem dos Médicos estiveram presentes António Araújo, presidente da Secção Regional do Norte, Margarida Faria, presidente da sub-região de Vila Real, representantes sindicais e ainda representantes de duas associações de doentes, Filomena Frazão da Fundação Portuguesa “A Comunidade Contra a Sida” e Vitor Neves da Europacolon Portugal.