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Sobre ser a única interna numa USF

Autora: Débora Alves Fonseca, Interna de Formação Específica de MGF da USF Além D’Ouro (ACeS Espinho/Gaia)

 

Chegando a época da escolha da especialidade, surgem as dúvidas além da especialidade: o local de internato. Esta é uma questão muito importante com a qual os candidatos se deparam e com a qual me deparei no momento da minha escolha.

São vários os fatores relacionados com o local do trabalho que podem influenciar o decorrer do internato e um deles é o facto de ser uma Unidade sem internos de formação específica. Sou a única interna na minha Unidade de Saúde Familiar (USF) e, sobre isso, fui encontrando ao longo do internato vantagens e desvantagens.

Uma vantagem é o facto de ter sempre um gabinete disponível, tendo em conta a realidade das limitações estruturais possíveis de encontrar numa unidade (gabinetes partilhados). Uma das possíveis desvantagens é a concretização de trabalhos. Mas digo possíveis porque pela organização do nosso internato (reuniões mensais de internato, cursos da coordenação e estágios hospitalares) surgem sempre oportunidades de elaborar trabalhos com colegas da mesma especialidade ou até com colegas de outra especialidade. Por outro lado, o facto de não haver mais internos ou muitos internos faz com que não exageremos na participação de todos e mais alguns trabalhos, por vezes causando um desgaste sem fundamento.

Uma outra possível desvantagem é a partilha de informação sobre avaliações, discussões de casos clínicos, orientação de relatórios e bibliografia. Porém, uma vez mais, devido à organização do internato, essas informações chegam, são partilhadas e discutidas, além de haver uma fonte oficial para a delegação das mesmas. Na minha opinião, a verdadeira desvantagem é o facto de não ter um “modelo a seguir”, alguém com quem partilhar “ombro-a-ombro” e na “hora” as dúvidas que vamos lidando no dia-a-dia relacionadas.

No entanto, o internato permite-nos conhecer outros internos, fazer amizades, e na realidade senti-me sempre apoiada. Portanto, sobre a escolha do local de internato, penso que depende de cada um de nós. No momento da minha escolha, privilegiei acima de tudo a relação humana com o(a) orientador(a) de formação. São quatro anos importantes da nossa vida e ter uma boa relação profissional, um bom ambiente no local de trabalho é fundamental para mim. Agora, no final dos quatro anos de especialidade, sei que voltaria a fazer a mesma escolha.