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Relação médico-doente: Miguel Guimarães

Autor: Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

 

Discurso proferido na apresentação do livro “A relação médico-doente: um contributo da Ordem dos Médicos” no dia 25 de novembro de 2019.

 

Distintos convidados, permitam-me que, nas pessoas dos senhores ex-bastonários aqui presentes, Dr. Germano de Sousa, Dr. Gentil Martins e Dr. Pedro Nunes, e nas pessoas dos senhores ex-ministros aqui presentes, Dra. Maria de Belém Roseira, Prof. António Correia de Campos e Prof. Adalberto Campos Fernandes cumprimente todo o auditório.

Em primeiro lugar quero agradecer à Fundação Calouste Gulbenkian o enorme apoio que deu, desde a primeira hora, a este projeto. Na pessoa do Prof. Jorge Soares, aqui a representar a Fundação, não posso deixar de dar este testemunho público. Se não fosse o vosso incentivo a obra seria, obviamente, mais difícil de ser alcançada e não seria possível chegar tão longe. Muito, muito obrigado.

Quero dirigir uma segunda palavra ao Prof. António Barreto, nosso convidado. A mensagem que acabou de nos transmitir é uma mensagem verdadeiramente extraordinária. Diria que o seu texto tem que obrigatoriamente estar neste livro. Caso contrário a obra está incompleta, vai-lhe faltar qualquer coisa. Quero agradecer-lhe penhoradamente este maravilhoso contributo e fazer-lhe um pedido público para que nos deixe publicar o seu texto numa eventual próxima edição do livro. Mas, desde já, espero que nos honre autorizando à divulgação das suas palavras nos meios de comunicação da Ordem dos Médicos.

Em terceiro lugar quero deixar uma palavra de amizade, apreço, respeito e gratidão ao Dr. José Poças. Foram dezenas de reuniões e centenas de contactos. Não é fácil em cerca de 1 ano e meio conseguir que 81 autores tivessem, de forma coordenada, produzido este livro. É um tempo recorde. Tive a oportunidade de ler todos os textos – alguns mais do que uma vez – e, julgo, o livro está muito bom.

Dr. José Poças: pela sua persistência, pela sua garra, pela sua força, pela sua energia, quero deixar-lhe aqui este muito forte agradecimento em nome da Ordem dos Médicos.

Quero também transmitir o nosso agradecimento muito especial à By the Book, na pessoa da Dra. Ana Albuquerque, pelo maravilhoso trabalho que fizeram, também num tempo muito curto. Obrigado por todo o cuidado que tiveram na edição, pelos contactos e pela revisão.

Alargo este cumprimento à Comissão Editorial. A Comissão Editorial composta pelo Dr. Álvaro Carvalho e pelo Dr. Amadeu Prado Lacerda, que tiveram um trabalho magnifico, mas também ao Dr. Barros Veloso que fez um trabalho notável. Acompanhou-nos desde o início, participou em todas as reuniões, fez críticas pertinentes, deu um contributo muito importante e com isso melhorou o resultado. Por tudo o que fizeram quero deixar-lhes também este merecido agradecimento público, a si Dr. Barros Veloso e a todos os membros da Comissão Editorial.

Quero também deixar um agradecimento aos dirigentes da Ordem dos Médicos representados pelo Dr. Carlos Cortes, pelo Dr. Alexandre Valentim Lourenço e pela Dra. Lurdes Gandra que na ausência do Prof. António Araújo está aqui a representar a Secção Regional do Norte. As secções de facto, desde a primeira hora, estiveram neste projeto, apoiaram-no e ajudaram a dinamizá-lo. Não posso deixar de, através de vós, agradecer a todos os dirigentes da Ordem.

Desejo ainda, e acima de tudo, agradecer aos autores. Os autores fizeram um trabalho de facto distinto e que vai ficar para a história da medicina. É um trabalho que poderá vir a ter repercussão a nível internacional, porque este tema da relação médico-doente é transversal a toda a humanidade. É um tema intemporal, que traduz uma relação milenar e que nunca foi tão profundamente abordado como nesta obra, através das vossas palavras. Pelo menos, nunca vi uma abordagem tão humana e tão profunda nos livros a que tenho tido acesso e em que se trata especificamente a relação médico-doente. Penso que cada autor – na sua área – e tendo em conta o enquadramento que lhe foi pedido que respeitasse, deu um contributo de facto notável. A todos deixo a minha gratidão pública. A todos seria justa a atribuição de uma medalha por este precioso contributo que dão para a medicina portuguesa, para a medicina internacional, para os nossos cidadãos, mas sobretudo para os nossos doentes. Muito obrigado!

Não posso também esquecer o apoio institucional daqueles que se associaram à Ordem dos Médicos e à Fundação Calouste Gulbenkian, nomeadamente as várias sociedades e associações científicas, fundações e ligas que contribuíram das mias diversas formas para este projeto, quer em apoio financeiro quer na projeção da sua divulgação.

Gostava ainda de relembrar as palavras do Papa Francisco, proferidas há cerca de um ano. A propósito daquilo que são as relações entre as pessoas, o Papa Francisco frisou ser preciso valorizar mais as relações humanas, num apelo a maior humanização, mais compaixão, mais entendimento, que as pessoas não fiquem completamente bloqueadas pela tecnologia. E deu como último reduto daquilo que é a relação humana exatamente o que acontece nas misericórdias e nos hospitais. As misericórdias e hospitais que são, em última análise, o sítio onde as relações humanas são mais fortes, onde as relações humanas se revelam mais entre uma pessoa que precisa de ajuda e de cuidados, que se encontra fragilizada, e alguém que de facto pode ajudar. O contributo deste livro vai assim ao encontro do desafio internacional que o próprio Papa lançou em defesa da humanização do cuidar.

A Ordem dos Médicos tem tido uma atenção muito especial à relação médico-doente, muito além de tentar que esta relação seja reconhecida como património imaterial da UNESCO. Porque, na realidade, a relação médico-doente já é um património imaterial da humanidade. É uma relação milenar, conhecida e reconhecida em todo o mundo. Não há nenhum país em que esta relação de confiança entre o médico e p doente não aconteça. Mas este passo que a UNESCO poderá vir a dar seria importante para valorizar as relações humanas, para chamar a atenção para os efeitos da evolução tecnológica enquanto barreira às relações humanas. A evolução é importante para nós mas tem de ser integrada e equilibrada com as relações humanas, tão essenciais no cuidar. Se deixarmos que a tecnologia comece a ocupar o espaço das pessoas (médicos e doentes), vamos ter sérios problemas no futuro.

Costumo dar como exemplo da despersonalização, quando as pessoas estão, em situações sociais, com os telemóveis na mão. Talvez o ideal fosse que não houvesse rede, nem wifi, nos restaurantes, por exemplo. Caso contrário, continuaremos a ver pessoas sentadas à mesma mesa a olhar para o seu telemóvel e a comunicar umas com as outras através de um ecrã. Temos de começar a dar espaço à humanização da humanidade. E, nessa perspetiva, se este projeto, que é um projeto internacional, vier a ter sucesso e conseguirmos que a UNESCO reconheça a importância da relação médico-doente como património imaterial da humanidade, será muito bom para todos nós.

Quero deixar também um testemunho final de reconhecimento pelo apoio do Prof. Adalberto Campos Fernandes. Na altura em que falei deste projeto pela primeira vez era ministro da Saúde o Prof. Adalberto. Não esqueço, e quero disso dar testemunho público, que desde a primeira hora tivemos no Prof. Adalberto Campos Fernandes apoiante deste projeto de candidatura da relação médico-doente a património da humanidade. Por ter apoiado sempre, quer como ministro, quer noutras funções: muito obrigado.

Finalmente quero, em nome da Ordem dos Médicos, transmitir a minha gratidão a todos vocês. E dar um renovado abraço especial a todas as pessoas que fizeram parte desta Comissão Editorial, a todos os autores e ao Prof. António Barreto pelo seu texto maravilhoso, um texto que merece e deve ser lido e divulgado. Muito, muito obrigado a todos.

Miguel Guimarães

25/11/2019