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Presença de Anestesiologistas em sala de bloco operatório

Presença de Anestesiologistas em sala de bloco operatório – Simultaneidade de apoio anestésico em duas ou mais salas operatórias

 

Questões:

1 ­‐ Haverá necessidade da presença física em simultâneo de dois especialistas em anestesiologia na mesma sala para a indução de uma anestesia geral?

2 ­‐ Haverá necessidade da presença física no bloco operatório de dois especialistas em anestesiologia para realização de uma anestesia geral, estando simultaneamente presente um elemento da equipa de anestesia na instituição em ambiente de consulta e na proximidade do bloco?

3 ­‐ Realização de cirurgias com anestesia tópica (consideradas pequenas cirurgias -­‐ chalazion, pterigeon entre outras) em duas salas em simultâneo. A presença de um único especialista em anestesiologia será suficiente para assegurar o apoio às duas salas? Considera-­‐se anestesia tópica a aplicação de anestésico em gotas ou em injeção palpebral ou subconjuntival, sem sedação, sem manipulação dos músculos retos oculares. Considera-­‐se a presença de outro elemento de anestesia em ambiente de consulta e na proximidade do bloco.

4 ­‐ Realização de cirurgias de catarata (facoemulsificação com introdução de lente) com anestesia tópica, sem sedação, em três salas em simultâneo. A presença física de dois especialistas em anestesiologia no bloco operatório será suficiente para assegurar o apoio às três salas? Considerar que na consulta pré-operatória o doente é avaliado de acordo com o risco anestésico e doentes cujo risco seja elevado são transferidos, eletivamente, para um hospital com unidade de recobro adequada à patologia sistémica em causa. Considerar ainda que se trata de cirurgias de curta duração, sendo possível interromper atividade nalguma das salas em caso de complicação noutra.

5 ­‐ realização de cirurgias em quatro salas em simultâneo, com anestesia tópica ou peribulbar na presença física de três especialistas em anestesiologia no bloco operatório. Considera-­‐se a avaliação prévia do risco na consulta de pré-­‐operatório e os restantes considerandos da alínea anterior.

Parecer do colégio de Anestesiologia:

Apesar das múltiplas questões colocadas, o quesito central parece colocar-­‐se com a simultaneidade de apoio anestésico a duas ou mais salas operatórias. Na análise dessas questões, foi tido em consideração o “Regulamento sobre o acompanhamento e responsabilidade do Anestesiologista pelo doente submetido a atos médicos de anestesia ou sedação”, aprovado pelo Conselho Nacional Executivo (CNE) da Ordem dos Médicos (OM) a 6 de Novembro de 2007, publicado no site oficial da OM).

A Direção do Colégio de Anestesiologia vem esclarecer,1. Relativamente às questões 4 e 5 colocadas:
a) Considera-­‐se que o Anestesiologista que assume a responsabilidade por um doente está moral, ética e legalmente vinculado ao acompanhamento do doente durante o ato médico de anestesia e sedação;
b) A boa prática exige que o acompanhamento do doente anestesiado ou sedado seja efectuado, em presença física junto do doente, por um especialista em Anestesiologia, devidamente inscrito no Colégio;
c) O Anestesiologista que acompanhe um doente anestesiado ou sedado deve assumir a responsabilidade apenas por um doente em cada momento, não sendo aceitável o acompanhamento de mais do que um doente em simultâneo, ou a tutela de quem acompanha outro doente;
d) Como situação de exceção, apenas se considera aceitável a intervenção em mais do que um doente anestesiado ou sedado, em caso de emergência, com risco de vida, que imponha a intervenção imediata com os recursos disponíveis, ainda que estes não sejam os ideais.
Em resumo, é entender da Direção deste Colégio que, à luz do que se encontra definido pela Ordem dos Médicos, não é aceitável a responsabilização de um Anestesiologista pela realização de cuidados anestésicos monitorizados (ou outros) por mais do que um doente em simultâneo, tendo em consideração a segurança do doente e a necessária e inerente gestão do risco.

2. No que concerne à questão 3:
a) A presença do Anestesiologista não é obrigatória em todas as cirurgias realizadas, ao contrário do que é afirmado na carta que nos foi remetida. Bom exemplo disso, são algumas pequenas cirurgias realizadas sob anestesia tópica ou local, em que o Cirurgião prescinde de qualquer tipo de apoio/intervenção por parte do Anestesiologista. O Chalazion e o Pterigion são algumas das cirurgias passíveis de serem realizadas nestas circunstâncias. No entanto, se esse apoio for solicitado ou pressuposto de alguma forma, a regra a seguir é a indicada no ponto anterior, já que os preceitos da assunção de responsabilidade e da gestão do risco são exatamente os mesmos assim que o apoio do Anestesiologista for solicitado.

3. Quanto às questões 1 e 2:
a) A presença física em simultâneo de dois especialistas em Anestesiologia na mesma sala para a indução de uma anestesia geral não consiste prática comum e habitual. No entanto, ela pode ser legítima, e até desejável, se o Anestesiologista responsável pelo doente considerar que dessa forma estão reunidas as condições de segurança adequadas, tendo em conta as circunstâncias especiais que envolvem o caso concreto.

Presença de Anestesiologistas em Bloco Operatório