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Poesia e outras formas de expressão de gratidão aos médicos

Temos recebido as mais diversas manifestações de gratidão aos médicos (e outros profissionais de saúde), cartas, agradecimentos, aplausos, desenhos dos mais novos… Muitas pessoas escolhem a escrita, nomeadamente a poesia, como forma de expressar os sentimentos em relação a quem está na linha da frente, para cuidar de todos os portugueses. Reproduzimos em seguida alguns exemplos de poemas e outros textos, deixando o nosso agradecimento aos autores pelo muito que essas palavras significam para todos os profissionais de saúde.

 

Carta de agradecimento: “Exmo. Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos José Guimarães, Enquanto utente do SNS, venho por este meio elogiar e agradecer o esforço árduo e o excelente trabalho que vocês, enquanto classe profissional, tem desenvolvido ao longo dos tempos, principalmente nestes tempos desafiadores da pandemia da Covid 19. Reconheço que a vossa responsabilidade de defender e proporcionar os melhores cuidados de saúde aos que são alvo da vossa intervenção, exige um grande esforço da vossa parte. A dedicação que vocês tem demonstrado em sempre se manterem na linha da frente é, sem dúvida, admirável. Como Testemunha de Jeová faço um trabalho voluntário onde procuro ajudar as pessoas a lidarem com as adversidades da vida de uma forma positiva.
(…) Desejo as maiores felicidades para todos vós e respectivas familias. Mais uma vez muito obrigada pelo vosso zelo, abnegação, empatia e coragem.
Atenciosamente, P.A.”

 

 

História criada a pedido da neta da autora, “escrita com o coração”, para refletir “a enorme admiração e o enorme respeito” que nutre por médicos e enfermeiros “ou não fosse irmã, prima e sobrinha/afilhada de médicos”. Leia AQUI “Os nossos super-heróis”, uma história escrita por Salette Oliveira.

 

 

 

Tanta abnegação, tanto empenho – Como singelíssima forma de agradecimento e reconhecimento pelo vosso esforço neste combate desigual, publiquei nesta quarta-feira, 15 de abril de 2020, no meu blog (http://altas-cavalarias.blogspot.com/2020/04/tanta-abnegacao-tanto-empenho.html) um texto com um desenho, aquilo que sinto pela vossa missão e entrega, e que também sei que é o reconhecimento de todo o povo português, pelo que reproduzo, mutatis mutandis, as palavras de Churchill: “nunca tantos portugueses deveram tanto a tão poucos”. Um eterno Bem-Haja.
Autor: Santos Costa

 

 

“Perante a forma pronta e a total disponibilidade como todos os profissionais de saúde abraçaram este combate, consideramos ser da mais elementar justiça, dar conhecimento público do presente poema (…) que não representa mais do que uma forma singela e humilde de enaltecer todas as qualidades técnicas e humanas destes profissionais.” –  Carlos Caldeira e Ana Caldeira

ODE AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE EM TEMPOS DE PANDEMIA

Passos apressados,

fugazes, diligentes,

enérgicos

sincopados, extenuados

votados à irmandade

do inaugural

Hipócrates

e, contudo

naquela dança

de calamidade

suportam sozinhos

o direito

à nossa humanidade

Vê-los ou ouvi-los

à beira do precipício

é entrar em transe

qual tarantela

para afastar medos

e esconjuras

de contágio

e, no entanto

em permanente

acção

vislumbram o

sonho

para o qual foram

chamados

o nome inconfundível

soletrado de

Re-cu-pe-ra-do

vozes aflitas

angustiadas

que lançam

ordem no caos

com preces

silenciosas

inconscientes

presas na

garganta

e os que caem

no campo da batalha

cumprem a voz muita

antiga

que perdura no tempo

que marcou

depois de Cristo

a palavra cristã

aquela que

anuncia

não haver

mais amor

do que aquele

que dá a vida

pelo seu irmão.

Autora: Ana Caldeira

Na caixa do correio da Ordem dos Médicos, foi deixado um poema, escrito à mão com a dedicatória “para os médicos e médicas de Portugal”, por G.G.:

Ter um médico ou uma médica

neste mundo doente

é ter o sorriso de uma linda flor

em tempo de primavera

é ter o sol como abrigo do frio

é ter rios de palavras

que vêm de um vasto oceano

é ter um copo de água

quando se tem sede

Médico e Médica:

Muitas vezes estão em dificuldades

Mas não são derrotados

Têm muitos inimigos

Mas nunca falta um amigo

às vezes são feridos mas não destruídos

Levam sempre nos vossos corpos mortais

a sabedoria para a cura dos males

deste mundo

Ter um médico ou uma médica

é ter um porto de abrigo

quando se aproxima a tempestade

é ter um pedaço de pão quando se tem fome

é ter o vosso amor no coração

para levar a cura aos doentes deste mundo

que as vossas preciosas vidas sejam

como um rio que corre corre sem nunca parar

Autor: G.G.

De Raul Máximo da Silva recebemos esta ode de sua autoria que ofereceu aos profissionais:

Ode Aos Nossos Médicos e Enfermeiros

São heróis nacionais

A solidariedade os move

São os anjos da guarda

Dos infetados com a Covid-19.

Médicos e enfermeiros

Nos hospitais resistem

Pela saúde dos outros

Continuam, não desistem.

Aqueles que foram infetados

Internados, tiveram que ficar

Apenas perderam uma batalha

Numa guerra que vão ganhar.

Quando a crise terminar

Como sempre acontece

Por muitos serão esquecidos

Porque só o povo agradece.

Autor: Raul Máximo da Silva

De Fernando Alagoa, recebemos vários poemas de sua autoria com a mensagem: “Estimados Médicos, enfermeiros, polícias, guardas, bombeiros, técnicos e demais colaboradores:
Nestas alturas em que a vida nos põe à prova, são muitas as agruras que o quotidiano nos reserva.
Por isso, consciente das dificuldades que certos serviços atravessam, aos quais, estou certo, todos os portugueses estão gratos, ocorreu-me que talvez fosse agradável, no meio de tanto desgaste e sofrimento, receber uma palavra, singela, que possa, de alguma forma alegrar a vida.
Com votos de muita saúde, fica a intenção. Na impossibilidade de chegar a todos, remeto para os “serviços centrais” de cada instituição.
Respeitosamente, deixo-vos um abraço e um agradecimento”

QUERIA TANTO DAR-TE UM ABRAÇO
Queria tanto dar-te um abraço,
e ficar assim,
em silêncio,
só pelo prazer desse enlace.
Nessa impossibilidade,
vou guardar todos os abraços
e enviá-los para as madrugadas
dos abraços por dar,
assim, cada vez que o sol nascer
nem um só abraço se irá perder,
saberás,
que sou eu que te estou a abraçar.
Autor: Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

SEI QUE ESTÁS AÍ
Sei que estás aí,
médico, enfermeiro, polícia, bombeiro, agricultor, pescador, padeiro!…
Sei que estás aí, por ti, por mim, por nós, e isso conforta-me.
Não esqueço aqueles que nos alimentam a alma – família, amigos,
artistas e professores -, mas quando a saúde e a alimentação se forem,
os sonhos serão apenas memórias distorcidas, rumores.
Sei que estás aí, por ti, por mim, por nós, e isso conforta-me.
Podes não ter o salário que mereces, as condições de trabalho que
mereces ou a vida que mereces, mas manténs-te aí, por ti, por mim, por
nós.
As manhãs continuam a despertar, mesmo que ninguém lá esteja para as
contemplar, mas tu continuas aí, por ti, por mim, por nós.
Amanhã, não sei…, ninguém sabe se vais continuar a ser herói, se vão
continuar a bater-te palmas ou a acarinhar-te, mas tu manténs-te aí,
por ti, por mim, por nós.
Acordo e sinto-me preso, enlouqueço, percorro as ruas vazias e sós.
Regresso destroçado.
Por vezes, neste embaraço, nem sei o que faço, e ainda que não te
conheça, sei que estás aí, por ti, por mim, por nós, e sinto-me
reconfortado.
É bem provável que um dia destes sejas ofendido, espancado ou
apedrejado, tu sabe-lo bem e eu também, mas continuas aí, por mim, por
ti, por nós.
Às vezes sinto-me perdido, desorientado, e depois penso em ti, talvez
também te sintas só, esquecido e desamparado, mas continuas aí, por
ti, por mim, por nós.
Quero que saibas, que apesar da minha loucura, ainda que não te
conheça, nunca irei esquecer-te, porque sei que estás aí, por mim, por
nós, por ti.
Caríssimos Médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos e demais colaboradores hospitalares. Apenas poemas!… Com votos de muita saúde.
Autor: Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

Vós, que estais na primeira linha, tendes de ter paciência, embora nem sempre seja fácil, porque:

1/3 – OS HOMENS NÃO COMPREENDEM

Pássaros inebriando-se pelos céus
em estonteantes bailados de azul,
voar…,
deslizar pelo arco-íris
em namoro constante com os ventos,
ouvindo os anjos,
Redemoinhando momentos.
Ventos cantarolando florestas,
beijando as folhas,
acariciando os ramos.
Paixão!…
Árvores seculares como as terras que povoam,
namorando a luz,
parindo sombras.
Mãe sempiterna,
paraíso.
Insectos destemidos mordendo os ares
pousando em cada flor,
bzzzzzzzzzz…,
simbioses,
eterno amor,
visitando a vida,
criando esplendor,
crisálidas, metamorfoses.
Rios fervilhando encostas,
seduzindo montes,
gerando riachos,
saciando sedes,
erguendo fachos.
Cascatas rumando aos mares.
Águas desfilando baleias,
cânticos melodiosos,
encantando nereidas.
Golfinhos cortejando oceanos,
conquistando corações insanos.
Ecos…, mudos!…

Alcateias prestando vassalagem à lua,
vulcões em erupção,
cinza, lava, rochas, sangue,
enxames em ebulição
monções alimentando a terra,
chuvas carpindo mágoas.

Os Homens não compreendem!

As estrelas morrem e nascem todos os dias,
os cometas percorrem a via Láctea,
rasgando sóis e constelações.
Meteoritos germinam galáxias.
A vida explode!

Os Homens não compreendem!

Os Homens
pilham,
sacam,
destroem,
eliminam,
matam.
Vruuuummmm…,
fim!
Buuuummmmmmmm!…

Os Homens não compreendem!

Vidas em suspenso, tensão
Linhas ténues, caos
Desterro, separação
Silêncios destruindo vidas,
vidas morrendo em silêncio.
A Terra chora.

Os Homens não compreendem!
Autor: Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

Este será certamente o vosso olhar!? Nele depositamos a nossa confiança…, a vida!…

2/3 – O UNIVERSO NO OLHAR

Nos meus olhos
Podes folhear o livro da vida
Porque trago neles o universo
Carrego o universo no olhar
No coração a música das estrelas
E o arco-íris derretido no sangue
Nos meus olhos carrego a doçura das manhãs
O lazer do fim das tardes
E a calmaria das noites enamoradas pelo luar
Os meus olhos já dançaram com o vento
E navegaram nas águas das chuvas
Nas torrentes dos rios
E nos fundos oceânicos
Galoparam com as baleias
Beberam dos seus cânticos
O universo habita nos meus olhos
Vive dentro da música
Funde-se com os acordes.
Em cada nebulosa renasce
Uma estrela maravilhosa e única.
Carrego o universo no olhar
E debaixo das pálpebras o segredo da vida
A fórmula de Deus
O elixir da eternidade
Nos meus olhos vive a felicidade
E em cada espasmo
Perde-se de amores pelo mundo!
Autor: Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

Por fim… que em breve, também vós, possais caber dentro das manhãs!…

3/3 – DENTRO DAS MANHÃS

A madrugada,

o café,

a cascata em chamas

sobre as chávenas,

o aroma delicioso

O sabor do pão,

o cheiro inefável

A casa,

a nossa casa

A vida,

o sonho derramado

na concretização

A aragem matinal

dissipando a neblina

Os raios de sol

espreguiçando-se

As velas desfilando

a perspectiva

O rádio sobre o horizonte,

a música embalando

o momento

E depois, existes tu e eu

dentro das manhãs

Autor: Fernando Alagoa © todos os direitos reservados