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Ordem associa-se a cordão humano em defesa da urgência do Hospital dos Covões

Depois de nos últimos meses o Hospital dos Covões, em Coimbra, ter sido uma referência no combate à pandemia, a dedicação e a qualidade dos médicos e restantes profissionais parece estar já a ser esquecida pela tutela. O Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) avançou que pretende fechar esta urgência hospitalar e a Administração Regional de Saúde do Centro, em vez de afastar totalmente a ideia, promovendo uma visão integrada de melhoria dos serviços da região, indicou que a urgência não vai fechar, mas transformar-se antes numa urgência básica, que também não serve o melhor interesse dos doentes.

“Apesar de tudo o que de mau a pandemia trouxe, a verdade é que a importância e necessidade imperiosa de termos serviços de saúde públicos de qualidade saiu reforçada junto dos cidadãos. Infelizmente, parece que essa mesma perceção está, uma vez mais, a passar ao lado tanto do conselho de administração do CHUC como da ARS do Centro”, lamenta o bastonário da Ordem dos Médicos. Miguel Guimarães avança que “a Ordem dos Médicos não podia deixar de estar solidária e de se associar ao movimento que vai promover na terça-feira um cordão humano em defesa dos Covões”.

O bastonário insiste que “não só o combate à COVID-19 ainda não acabou, como mais do que nunca o Serviço Nacional de Saúde vai enfrentar um período de retoma muito difícil, com milhares de doentes a verem os seus problemas de saúde por diagnosticar ou a agravar perante os exames, consultas e cirurgias desmarcados”. Para Miguel Guimarães, é “impensável que o Hospital dos Covões perca diferenciação, vendo a sua urgência transformada numa urgência básica, com menos valências e menos especialidades e com uma resposta que fica muito aquém das necessidades”.

O bastonário relembra que “Portugal tem um grave problema no dimensionamento e organização das urgências hospitalares, que leva a horas de espera acima do recomendado e à insatisfação dos profissionais e dos doentes, pelo que apela a que tanto o CHUC como a ARS não escondam em pareceres técnicos decisões economicistas que em nada beneficiam a população e que se podem revelar mais caras no futuro”.

Lisboa, 8 de junho de 2020

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