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Miguel Guimarães: “SNS está ligado a um ventilador”

Miguel Guimarães iniciou o 3º dia do périplo a várias unidades de saúde de todo o país com uma visita de trabalho ao Hospital Fernando Fonseca (Amadora/Sintra). Depois de reuniões com o conselho de administração e com os médicos – seguidas de uma visita a vários serviços do hospital – o bastonário foi alertado para graves carências ao nível de recursos humanos e em equipamentos, desde os mais complexos como angiógrafos, até aos mais simples como macas, aparelhos de ar condicionado e ventiladores. Para Miguel Guimarães, o que está “ligado a um ventilador” é mesmo o SNS que só consegue manter capacidade de resposta com o incansável empenho e dedicação inexcedível das equipas médicas.

Ao nível dos recursos humanos, “faltam pelo menos 90 médicos” no hospital, nomeadamente anestesiologistas e obstetras. Um cenário que põe em causa a qualidade dos cuidados prestados, lamentou o bastonário.

O bastonário da OM alertou também que a degradação do SNS está a “empurrar” cada vez mais utentes para os serviços de saúde privados e apelou para que a ministra da Saúde “lute pelo SNS no Conselho de Ministros”. “O número de portugueses que têm um seguro privado de saúde é de 35/40 por cento. Caminhamos para uma linha vermelha que não podemos ultrapassar. Aquilo que os portugueses querem é um SNS com melhor capacidade de resposta e é isso que a ministra da Saúde tem de oferecer”, sublinhou.

Os problemas de recursos humanos no hospital foram também relatados pela anestesiologista Ângela Rodrigues, que se queixou da existência de pressões para reduzir o número de especialistas presentes nos serviços de urgência. “O serviço está a lutar para conseguir manter o número correto de elementos em serviço de urgências (…) existem pressões para que sejam reduzidos para três”, afirmou.

Na visita esteve também a Federação Nacional de Médicos, que através de Guida da Ponte, lamentou o fracasso nas negociações entre os sindicatos e o Governo. “Após quatro anos de negociações não é aceitável que a ministra da Saúde não tivesse apresentado respostas. Não tivemos outras opções se não abandonar as reuniões. Não podemos enganar os colegas e fingir que está tudo bem, quando, na verdade, existe uma grave carência de recursos humanos”.

Carlos Ramalheiro, interno do hospital, representou o CNMI – Conselho Nacional do Médico Interno – nesta visita.

Na USF Amato Lusitano não há sequer uma saída de emergência

Nesta mesma quarta-feira (dia 10), durante a tarde, o bastonário da Ordem dos Médicos seguiu para a USF Amato Lusitano, pertencente ao ACES da Amadora. As más condições estruturais e de climatização foram dos dos principais problemas reportados pela coordenadora da USF e pelos médicos que lá trabalham.

A USF funciona no 3º e 4º piso de um edifício velho e subdimensionado onde o elevador chega apenas até ao 3º andar. Mais grave do que isso é o facto de não existir uma saída de emergência o que significa um perigo constante para profissionais e doentes.

Miguel Guimarães deixou uma mensagem de esperança para os Colegas e irá recorrer a todas as instâncias possíveis para ajudar a criar melhores condições de trabalho nesta USF.