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Faltam médicos e espaço no Hospital de Aveiro

Foi sobretudo falta de espaço, instalações desadequadas (e degradadas) e escassez de recursos humanos, nomeadamente médicos, que fez disparar os alarmes da Ordem dos Médicos no segundo dia do périplo pela Saúde em Portugal. No Hospital de Aveiro – principal unidade do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) – as equipas nem sempre estão em número suficiente para cumprir os mínimos.

Miguel Guimarães disse que um dos principais problemas tem a ver com a falta de médicos para assegurar a urgência na área da Cirurgia Geral. “A Cirurgia Geral tem sofrido muito com isto, porque apesar de o quadro médico ter 22 cirurgiões, só 11 é que fazem serviço de urgência”, constatou, considerando que este número é “claramente insuficiente, o que faz com que o hospital tenha que “recorrer muitas vezes a serviços externos”.

“Temos deficiência de vários médicos de várias especialidades no Hospital de Aveiro. Pelas horas extraordinárias que são feitas e pelas horas feitas por médicos tarefeiros, diria que faltariam cerca de 60 médicos no Hospital”, afirmou o bastonário.

De acordo com dados do final de 2017, o CHBV tinha 5196 médicos e 3169 médicos internos. O trabalho suplementar foi de 65.267 horas, valor que tem aumentado constantemente desde 2014, quando eram 55.809 horas. Em empresas médicas foram gastas 60.831 horas, num valor de 1,6 milhões de euros.

Tais condições, ou falta delas, deixam a clara noção de que é preciso um novo hospital, até porque as instalações atuais não têm espaço para se expandir. “Aveiro é uma cidade pujante, que tem uma grande energia, tem um capital universitário muito interessante, e as pessoas que cá trabalham e as pessoas que necessitam de cuidados de saúde deviam ter direito a novas instalações, porque é um dos grandes problemas que existe aqui”, referiu.

Este problema foi reforçado por Inês Rosendo, vice-presidente da Secção Regional do Centro, que diz que este hospital “está claramente subdimensionado”. “Foram relatadas situações de cirurgias que tem de ser canceladas, porque não há espaço de internamento para depois internar as pessoas”, frisou Inês Rosendo.

Pela positiva, Miguel Guimarães, destacou “a elevada qualidade” dos médicos do hospital, “uns heróis, mesmo sem terem as condições adequadas” e o grau de satisfação de “muitos médicos internos” que escolheram o CHBV para fazerem a sua formação.

Na comitiva da Ordem dos Médicos estiveram também presentes a presidente da sub-região de Aveiro, Beatriz Gusmão, José Carlos Almeida, secretário regional do Sindicato Independente dos Médicos e ainda representantes de Associações de Doentes.

Falta de laboratório de hemodinâmica não permite salvar vidas

Aveiro não possui laboratório de hemodinâmica que permita tratar, por exemplo, doentes com enfartes de miocárdio. Esta semana um funcionário do Hospital de Estarreja teve um enfarte e morreu a caminho de Coimbra. O desfecho poderia até ser o mesmo se existisse a unidade em Aveiro, mas “em nome da coesão social não podemos permitir que reste qualquer dúvida”, realçou Miguel Guimarães.

Aveiro também não tem um laboratório de ressonância magnética, que é fundamental na Imagiologia e Radiologia. “São estes pequenos pormenores que fazem a diferença e que não têm sido tidos em conta por quem tem responsabilidade políticas”, concluiu o bastonário.