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Este é o momento de contratar mais médicos e de recuperar as carreiras

“O nosso trabalho é salvar vidas, ajudar os portugueses e ajudar o país.” Foi desta forma que o bastonário da Ordem dos Médicos sintetizou, no Parlamento, aquele que tem sido o trabalho dos médicos ao longo dos meses de pandemia – e que, no fundo, corresponde ao que já faziam antes, mas que não era mediatizado.

Miguel Guimarães foi ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, na sequência de um requerimento do CDS-PP sobre as falhas de informação e de materiais no combate à COVID-19. Várias bancadas parlamentares elogiaram o desempenho dos médicos na luta contra o novo coronavírus. Em resposta aos deputados, sobre se esta era a altura certa para premiar os profissionais de saúde, o bastonário assegurou que os médicos não esperam uma compensação especial por este período, sendo que o que seria justo era revitalizar as carreiras médicas, para progredirem de forma regular. “Se, por exemplo, abrirmos os concursos todos os anos é evidente que as pessoas progrediam de forma diferente na carreira e isso já lhes trazia também alguma compensação”, declarou.

Por outro lado, Miguel Guimarães insistiu que este é sim o momento de contratar mais médicos para o Serviço Nacional de Saúde, tanto mais que ficou demonstrado o impacto e a importância da saúde na economia dos países. A este propósito, o bastonário lembrou que muitos doentes viram as suas consultas, cirurgias e exames adiados, pelo que será necessária uma resposta muito forte para recuperar a lista de espera visível e a invisível, isto é, a lista dos doentes que nem sabemos que existem porque não tiveram a oportunidade de ter um primeiro contacto com os centros de saúde e hospitais. Exemplo disso é o caso da ARS Norte que, após a pandemia, tem menos doentes em espera do que em fevereiro, o que significa que os doentes não estão a ser inscritos.

Ainda sobre o receio que se sente no regresso às unidades de saúde, o bastonário defendeu que é preciso passar “uma mensagem muito forte” à sociedade para os doentes não terem medo de ir aos hospitais e se poder recuperar os atrasos nas consultas e cirurgias causados pela pandemia. As listas de espera no Serviço Nacional de Saúde são “a preocupação principal, não pela lista de espera em si, mas pela condição de que uma coisa chamada medo está a ter nas pessoas”, salientou.