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Especialidade de Urologia

UROLOGIA

A UROLOGIA é uma especialidade médico/cirúrgica que tem como objectivos a investigação científica, o estudo e o tratamento clínicos das doenças que afectam o aparelho urinário (do homem e da mulher) e o aparelho genital masculino.

A Urologia nasce do “tronco comum” da Cirurgia Geral, e a sua emancipação impôs-se pela quantidade e rapidez com que foram adquiridos os conhecimentos científicos respeitante ao aparelho uro-genital, bem como pelo desenvolvimento de meios e técnicas, de diagnóstico e terapêutica, de grande complexidade na sua aplicação e execução.

O conhecimento aprofundados do aparelho uro-genital quanto à sua actividade normal (fisiologia) às perturbações do seu funcionamento (fisiopatologia) bem como o conhecimento mais profundo da estrutura dos seus órgãos (histologia) e das alterações desses tecidos quando doentes (histopatologia), bem como o amadurecimento de um vasto campo de conhecimentos sobre a clínica das doenças que afectam os aparelhos urinário e genital masculino e, finalmente, o desenvolvimento e aplicação fundamentada das variadas modalidades de tratamento, médico e cirúrgico disponíveis para o tratamento das doenças destes aparelhos impuseram  uma diferenciação técnica muito exigente e especializada nesta área de trabalho Médico. É neste contexto que surge e se desenvolve a especialidade de UROLOGIA.

A área de interesse anatómico da UROLOGIA inclui as glândulas supra-renais, os rins, os ureteres, a bexiga e a uretra – no homem e na mulher (quase todos são órgãos extraperitoneais com localização predominantemente retroperitoneal, pelo que se considera urologista o cirurgião, por excelência do, do retroperitoneu). Fazem ainda parte dos órgãos estudados e tratados pelos urologistas os órgãos do aparelho genital masculino – a próstata, as vesículas seminais, os canais deferentes, o escroto, os testículos, os epidídimos e o pénis. Finalmente, dadas as importantes implicações urológicas relacionadas com os processos de incontinência urinária feminina, são ainda alvo do interesse desta especialidade as estruturas do pavimento pélvico na mulher.

São muito variadas as doenças que afectam os órgãos uro-genitais e vão desde as malformações congénitas do aparelho génito-urinário (urologia pediátrico) às doenças infecciosas (as infecções do aparelho urinário – infecções renais, da bexiga, da próstata) à litíase urinária (cálculos das cavidades renais, do uréter e da bexiga), à incontinência urinária (no homem e na mulher), à hipertrofia da próstata (ou hiperplasia benigna da próstata também referida como adenoma da próstata) e ainda todas as doenças tumorais malignas primitivas (neoplasia malignas primárias) que atingem em especial os rins, a bexiga, a próstata, o pénis e os testículos, ou secundárias (chamadas metástases de tumores primitivos de tecidos / órgãos que não fazem parte do aparelho uro-genital) e que pela localização das suas “ramificações” condicionam perturbações funcionais importantes ou complicações que exigem estudos, avaliações e tratamentos específicos.

O Urologista estuda e trata, também, as doenças do foro sexual masculino em especial a disfunção eréctil (impotência) e as perturbações da ejaculação (por exemplo a ejaculação prematura ou rápida), e cabe ainda ao urologista colaborar nas equipas de estudo e tratamento da infertilidade. Nestas equipas cabe ao urologista promover o estudo e tratamento integrados dos homens com perturbações da fertilidade. Nesta área de trabalho é também da sua competência o estudo e execução dos meios cirúrgicos de controlo da fertilidade masculina (vasectomia).

Uma área, vasta e complexa, do trabalho do urologista inclui o estudo e a resolução de problemas que afectam o aparelho urinário e que resultam de doenças e/ou de tratamentos de outros órgãos, por exemplo, de doenças inflamatórias e de tumores do intestino, de tumores do aparelho genital feminino, de doenças do sistema nervoso (degenerativas, traumáticas ou iatrogénicas), de tratamentos por radiações e ainda de complicações de outros tratamentos cirúrgicos não urológicos, de entre muitos outros.

O estudo das doenças urológicas exige uma avaliação clínica especializada que recorre muitas vezes a técnicas de grande diferenciação para esclarecer e fundamentar os diagnósticos sugeridos pela clínica – desde a vulgarizada ecografia “de superfície” à ecografia endorectal, às técnicas de estudo urodinâmico (para estudo do comportamento e funcionamento durante as fase de enchimento vesical e da micção) bem como as técnicas de estudo por visão directa do interior das vias urinárias (técnicas endoscópicas) – uretroscopia (visão da uretra); cistoscopia (visão da bexiga), ureteroscopia (visão dos ureteres), pielo-calicoscopia (visualização das cavidades renais).
A importância que assumiu o diagnóstico precoce do cancro da próstata promoveu o desenvolvimento das técnicas de biópsia da próstata com controlo por ecografia com imagens em tempo real permitindo a orientação do trajecto da agulha de biopsia para áreas seleccionadas (biopsia ecodirigida). A execução desta técnica é feita, actualmente, sob anestesia local o que permite a sua realização com uma grande qualidade técnica e de forma confortável para o doente.
No âmbito da disfunção eréctil utilizam-se provas de estimulação visual e farmacológica com controlo e registo digital – rigidometria peniana sob estimulação visual e farmacológica, bem como o estudo imageológico dos fluxos sanguíneos arteriais dos corpos cavernosos, permitindo obter importantíssimas informações para a definição da estratégia terapêutica destes doentes.

No tratamento das doenças urológicas usam-se medicamentos (base dos tratamentos “médicos” – antibióticos, anti-inflamatórios, medicamentos que actuam nos mecanismos nervosos da micção, medicamentos com acção nas doenças prostáticas benignas e malignas, entre outros). Algumas doenças podem ser tratadas por meio de técnicas especiais como por exemplo os cálculos urinários podem em muitos casos ser tratadas por “ondas de choque” (litotrícia extracorporal por ondas de choque – LEOC), o cancro da próstata pode, nalguns casos, ser tratado por braquiterapia (“sementes de radioisótopos”) ou crioterapia (congelação controlada da próstata – técnica ainda em fase de avaliação e desenvolvimento).
Finalmente em muitos casos a melhor estratégia de tratamento é a cirúrgica. São muitas as técnicas disponíveis bem como as metodologias utilizadas desde a cirúrgica dita “clássica” ou “a céu aberto” à cirúrgica endoscópica, que usa aparelhos especiais e permite tratar, por meios cirúrgicos certas doenças usando os trajectos e as cavidades naturais do aparelho urinário (uretra – bexiga – ureteres – cavidades renais) e finalmente a utilização das técnica de laparoscopia e retroperitoneoscopia em que se utilizam aparelhos especiais que permitem dissecar, abordar e tratar um grande número de doenças do aparelho urinário com vias de acesso muito pequenas e de forma muito regrada e minimalista de que resultam um pós-operatório com o mínimo desconforto, um internamento mais curto e uma recuperação muito más rápida.

A Urologia assume-se nos nossos dias como uma especialidade com grande dinamismo na investigação, com um vasto campo de actuação clínica, que utiliza meios de diagnóstico e tratamento que se fundamentam em avançados conhecimentos científicos, em evolução permanente e que desafiam as fronteiras da imaginação.