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Envelhecimento ativo: uma política de saúde

Autora: Rita Oliveira, Médica Interna do 4º ano de Formação Específica em MGF (UCSP B Chaves 1, ACeS Alto Tâmega e Barroso)

 

Em Portugal, assim como outros países da Europa, “o envelhecimento apresenta-se como um dos problemas cruciais do século XXI. As últimas décadas do século passado registaram um aumento ininterrupto do número de pessoas idosas que transformou as sociedades mais desenvolvidas em sociedades envelhecidas.” A combinação da queda da fecundidade com o aumento da esperança média de vida estão na base do valor que a população com mais de 65 anos apresenta hoje na sociedade portuguesa.

O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos, quer para os indivíduos, quer para as sociedades – refletindo os progressos da humanidade em termos económicos, sociais e médicos –, mas também um dos seus maiores desafios. O envelhecimento tem um forte impacto na sociedade e exige adaptações e respostas em diversos setores, nomeadamente nos sistemas de suporte, como os sistemas de saúde, segurança social, educação, justiça e transportes. O envelhecimento tem, igualmente, inúmeras implicações ao nível das políticas públicas, não estando a nação portuguesa ainda consciente destas implicações.

O envelhecimento deve ser vivido de uma forma ativa, assente em três pilares basilares: saúde, segurança e participação. Na saúde, mais concretamente no bem-estar físico, mental e social, é importante evitar os fatores de risco que interferem no aparecimento das doenças crónicas e no declínio funcional. As políticas têm de atender às necessidades e aos direitos das pessoas idosas no que toca à segurança social, física e financeira. A participação passa pelo apoio à participação em atividades sociais e culturais, de acordo com os direitos humanos e as capacidades das pessoas, para um desempenho ativo na sociedade com atividades não remuneradas, enquanto envelhecem. Esta otimização tem como objetivo melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.

Quando falamos em envelhecimento não podemos dissociarmo-nos dos diferentes determinantes subjacentes: a cultura, o género, saúde, apoio social, comportamentais como os estilos de vida, os fatores psicológicos e os económicos que englobam o rendimento, a proteção social e o trabalho.

Deste modo, não se pode descurar as implicações que a longevidade traz nas mudanças no quadro político e social. Traduzir-se-á o acentuar dos riscos de vulnerabilidade do estado de saúde bem como do isolamento social e da solidão propriamente dita. Concomitantemente, haverá mais dependência não só física e mental, mas também económica. Assim, entende-se que a implementação de projetos/ programas de envelhecimento ativo que promovam a saúde mental e relações sociais são tão importantes como as atividades que melhoram as condições físicas de saúde.

Para tal, Portugal deve rever os alicerces sociais e económicos em que esses sistemas assentam, de modo a tentar responder aos problemas resultantes da maior longevidade e da importância da saúde. Se tal não se proceder, não será possível garantir a qualidade de vida e «o bem-estar físico, mental e social» tendo em conta as necessidades emergentes, as preferências da população e a otimização dos recursos disponíveis.