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Condições indignas no Hospital de Gaia/Espinho

Iniciou-se, no dia 8 de julho, o périplo do bastonário da Ordem dos Médicos a unidades de saúde de todo o país, com o objetivo de conhecer no terreno alguns dos problemas dos hospitais e centros de saúde e ouvir os médicos e os doentes. A primeira visita de trabalho foi ao Hospital Eduardo Santos Silva integrado no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Miguel Guimarães deparou-se com “condições indignas” para os doentes e para os médicos. “Continuamos a ter más condições de trabalho, condições que em alguns casos são indignas por exemplo na urgência. Há falta privacidade e de dignidade para dar às pessoas. Em alguns serviços não é possível colocar uma maca para deitar os pacientes”, afirmou o bastonário.

Na passagem pelos serviços de Dermatologia, Oftalmologia, Urologia, Otorrino, Medicina Interna, Serviço de Urgência (de adultos e pediatria), Cirurgia Geral e Cardiologia, Miguel Guimarães ouviu as queixas e desabafos dos médicos, tendo ficado a saber, por exemplo, que na Urologia há apenas uma casa de banho para 36 doentes.

“A situação difícil do Hospital de Gaia arrasta-se há vários anos e o que vemos hoje é uma degradação da situação com condições verdadeiramente indignas para os profissionais e para os doentes. É incompreensível que o Ministério da Saúde conheça o terreno de Gaia e nada faça”, comentou o bastonário da Ordem dos Médicos. “Em muitos destes locais há apenas uma casa de banho para mais de 30 doentes e se uma maca estiver no corredor já não se consegue passar”, exemplifica Miguel Guimarães, lembrando também que as obras e equipamentos têm sofrido vários atrasos.

O bastonário destaca que, “apesar de tudo, o Centro Hospitalar conta com médicos de excelência e com uma formação de internos de grande qualidade”. Mesmo assim, é preciso reforçar o CHVNGE para não comprometer os resultados e resolver com urgência a ausência de conselho de administração, já que o diretor clínico está a liderar desde abril o hospital mas de forma interina.

Só em trabalho suplementar, os médicos do CHVNGE fizeram 178.994 horas de trabalho suplementar em 2017 (último ano com dados disponíveis), quando em 2014 eram 144.847. As horas através de empresas foram 25.130, num total de 627.190 euros. Os números das horas suplementares e através de empresas demonstram que seria necessário contratar mais de 115 médicos.

Na comitiva da Ordem dos Médicos estiveram presentes o presidente da Secção Regional do Norte, António Araújo, a secretária do Conselho Nacional e médica na instituição, Lurdes Gandra e a presidente da sub-região do Porto, Luciana Couto.

Hospital Conde Ferreira

No mesmo dia, durante a tarde, a Ordem dos Médicos seguiu para o hospital psiquiátrico Conde de Ferreira, sob a gestão da Misericórdia do Porto. O bastonário mostrou-se preocupado na sequência de uma reportagem da TVI que mostrava condições longe das desejáveis para os doentes e fez questão de tentar saber se existiram melhorias efetivas desde então.

Apesar da administração da instituição ter barrado a entrada à comunicação social, o bastonário ficou satisfeito por não ter assistido a situações semelhantes àquelas que passaram na televisão.

Carlos Mota Cardoso, vogal do Conselho Regional do Norte da OM e ex-dirigente do hospital, ficou visivelmente emocionado por vários doentes ainda o reconhecerem, lembrarem-se do seu nome e fazerem questão de o cumprimentar. Na comitiva esteve também presente a psiquiatra Ana Matos Pires.