Segundo dados recentes da DE-SNS e DGS, em 2025 foram registados 3429 episódios de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mais 848 casos do que em 2024. A violência psicológica continua a ser a mais frequente, representando mais de metade das ocorrências, com 2067 casos. Também se verificou um aumento da violência física, que passou de 578 para 730 episódios, e dos casos de assédio moral, que subiram de 171 para 318. Estas situações resultaram em 2012 dias de ausência ao trabalho, mais 827 dias do que no ano anterior. Carlos Cortes, em declarações à comunicação social, disse que "os dados apresentados são, do nosso ponto de vista, somente uma ponta do iceberg porque a situação é muito mais grave do que esta".
O Bastonário, sublinhou ainda que estes números refletem apenas os episódios oficialmente reportados, alertando para a elevada probabilidade de falta de denúncias em diferentes contextos, nomeadamente nos serviços de urgência e cuidados de saúde primários.
Apesar das medidas de prevenção e monitorização em curso, todos os tipos de violência registaram um aumento face a 2024, incluindo outros episódios ou formas não especificadas, que subiram para 314 casos.
No último ano foram ainda realizadas 596 ações de formação dirigidas a profissionais do SNS, envolvendo mais de 12 700 participantes, com o objetivo de capacitar as equipas para a identificação precoce de situações de risco e para a atuação em contexto de violência.
A entrada em vigor, em abril, da nova legislação que agrava o enquadramento penal das agressões contra profissionais de saúde veio reforçar a proteção legal, passando a maioria destas situações a ser considerada crime público, o que permite a criação de processo criminal sem necessidade de queixa formal da vítima.
“Temos que ter uma política de tolerância zero, de violência, obviamente em todos os locais, em todas as situações, mas fundamentalmente aqui [SNS], onde nós temos um conjunto de profissionais que trabalham sobre uma enorme pressão, sobre condições muitas vezes degradantes do exercício da sua profissão e que depois acabam por ter que se sujeitar a atos de violência absolutamente inadmissíveis e intoleráveis”, acrescentou o dirigente da Ordem dos Médicos, reiterando que a violência nunca pode ser uma resposta.