A recolha harmonizada de dados sobre a violência contra médicos, o Observatório Europeu da Violência contra os Médicos, o Observatório Europeu de Demografia Médica e os desafios éticos e deontológicos da profissão estiveram entre os principais temas da reunião plenária do Conselho Europeu das Ordens dos Médicos (CEOM), realizada a 23 de outubro, em Dubrovnik, na Croácia. A organização europeia, presidida pelo médico português José Santos, reuniu representantes das instituições médicas para debater questões de grande relevância para o presente e o futuro da profissão médica, tanto em Portugal como na Europa. A violência contra os médicos mereceu particular atenção, com destaque para o trabalho do Observatório Europeu da Violência contra os Médicos e para a implementação de um formulário europeu de recolha de dados, relativo a 2025 e 2026. Esta iniciativa procura promover uma abordagem harmonizada ao conhecimento e acompanhamento deste fenómeno à escala europeia. Outro dos temas em análise foi o Observatório Europeu de Demografia Médica, uma área fundamental para acompanhar a evolução da profissão e os desafios relacionados com os recursos humanos médicos nos diferentes países. No domínio da ética e da deontologia, foram abordadas as relações entre a legalidade e a ética na prática médica, incluindo situações em que determinados atos podem ser legalmente permitidos, mas suscitar questões éticas, ou ser eticamente justificáveis sem enquadramento legal correspondente. Foram ainda discutidas a partilha internacional de sanções disciplinares e a perspetiva do CEOM sobre o mecanismo de alerta do Sistema de Informação do Mercado Interno (IMI). A agenda incluiu ainda a defesa e o reforço da profissão médica num contexto de mudança, a qualidade na prática médica, os desafios clínicos e éticos do exercício profissional por médicos de países terceiros, a evolução da vocação médica e a sua resiliência perante situações de crise, bem como a reforma legislativa francesa relativa ao fim de vida. A reunião evidenciou a diversidade e a relevância dos desafios que se colocam atualmente à profissão médica na Europa, desde a segurança dos profissionais e o planeamento da força de trabalho médica até à defesa dos princípios éticos e deontológicos que orientam o exercício da Medicina.