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A Ordem dos Médicos está a promover esta manhã o encontro “Rumo para a Saúde”, durante o qual está a ser apresentado o estudo “Retrato da Saúde em Portugal no Pós-Pandemia: Perceções, Acesso aos Cuidados e Uma Só Saúde”. O trabalho é coordenado por Tiago Correia, do IHMT-NOVA. O estudo analisa as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, a forma como os portugueses avaliam o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o setor privado, bem como o papel das famílias e dos cuidadores. Os resultados serão debatidos em três mesas-redondas, com a participação de decisores, médicos, estudantes e representantes da sociedade civil. No final, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, apresentará as prioridades e propostas da instituição para responder aos principais desafios identificados no estudo.

Na abertura da sessão, Carlos Cortes, enquadrou este “um rumo para a saúde”, como aquele que considera ser o projeto mais ambicioso deste mandato e que visa dar um contributo para a sociedade. “Uma das competências da Ordem dos Médicos é ajudar o país a desenvolver-se”, frisou, realçando que a instituição tem o dever de apoiar o desenvolvimento das políticas de saúde e por isso mesmo quis pôr toda a capacidade técnica de que dispõe ao serviço do país. “…Dezenas de comissões, gabinetes e grupos de trabalho sobre temas de saúde, naturalmente, milhares de peritos que a Ordem dos Médicos tem e que quer que sejam usados para a causa comum que esteve na génese da criação deste projeto: preparar os cuidados de saúde para o futuro”. Com o olhar posto no futuro, o Bastonário da Ordem dos Médicos não esquece quem precisa de cuidados de saúde hoje e garantiu que este ”rumo para a saúde" tem também o foco no presente.

A Ordem dos Médicos tem a capacidade de juntar pessoas e é isso que este rumo para a saúde vai fazer, “um projeto alargado no tempo, que se iniciou há um ano com reuniões por todo o país e que tem esta capacidade de agregar”, pessoas e instituições. “Tivemos a feliz ideia de convidar o Professor Tiago Correia pois se queremos mudar a saúde do país" temos que saber o que sente a população; “Se queremos falar do futuro da medicina temos que falar também de quem está agora na faculdade”, os médicos do futuro. “O médico de amanhã terá com certeza alguns aspetos iguais e notáveis (…) mas do ponto de vista tecnológico será muito diferente do médico que temos hoje”, destacou o representante máximo da OM.

“Este debate não é da Ordem dos Médicos. Somos o seu motor, mas este debate é de toda a sociedade, aberto a todos aqueles que querem dar o seu contributo. (…) Temos que nos adaptar às mudanças profundas das últimas décadas e sobretudo dos últimos anos”, concluiu, deixando a promessa de ser entregue um relatório final ao poder político, como contributo da OM para este caminho que a sociedade precisa percorrer para cuidar melhor dos cidadãos 

Um dos primeiros passos deste “rumo para a saúde" foi o estudo realizado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical, que foi apresentado nesta sessão por Tiago Correia que, na sua intervenção, falou das perceções das pessoas quanto ao acesso à saúde e explicou que se forem negativas prejudicam substancialmente a coesão social. “Um terço das pessoas tem a perceção que não consegue aceder e isso merece a nossa atenção”. Alguns dos dados mencionados justificam a perceção negativa que se referiu: devido às dificuldades financeiras, 6,7% das pessoas não acedem a consultas e tratamentos e 4,4% não compraram os medicamentos prescritos, por esse mesmo motivo. 48% dos inquiridos estão englobados num grupo de vulnerabilidade que tem pior saúde devido a maior carga de doenças mas, paradoxalmente, tem mais dificuldade no acesso, grupo em que há maior a utilização dos cuidados de saúde por necessidade. No extremo oposto, situam-se 34% dos inquiridos, que classificou como “doentes episódicos”, grupo mais jovem onde a perceção do estado de saúde é boa. Mas seja qual for o grupo, “aquilo que as pessoas procuram quando necessitam de cuidados de saúde é de cuidados em tempo útil e de qualidade”. Entrando na área do one health, Tiago Correia explicou que não basta falar do SNS. Há fatores que têm a ver com as condições de vida das pessoas e com a sua literacia em saúde que têm que ser equacionados pois têm repercussões na saúde da população. 

Finda esta introdução, fica o desafio. Agora é preciso analisar: o que temos que mudar? Precisamos de compreender se basta fazer mudanças na organização do SNS. Podemos expandir mais a autonomia local e territorializar a resposta em saúde? Como definir melhor as necessidades de recursos humanos e o enquadramento entre as várias profissões de saúde? E, frisou, não esquecer a importância de monitorizar sejam os indicadores objetivos sejam as perceções das pessoas “porque isso é que nos dá o pulso da sociedade” e só as perceções positivas permitem que as pessoas se sintam parte de um projeto coletivo. No resto do encontro falamos do que mudar, quem assume a necessidade de mudança e a ação consequente e como saber se melhorou, ou seja, o que medir para garantir que o rumo para a saúde não se desvia do objetivo principal: conseguir que o país tenha os recursos necessários para prestar cuidados de saúde de qualidade, de forma atempada, a quem deles precisa.

Os resultados foram debatidos em três mesas-redondas, com a participação de decisores, médicos, estudantes e representantes da sociedade civil. No final, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, apresentou as prioridades e propostas da instituição para responder aos principais desafios identificados no estudo, deixando o compromisso da OM em entregar um relatório final aos decisores políticos como um contributo para o país definir "um rumo para a saúde" que sirva melhor todos os cidadãos. 

A encerrar a sessão, Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos considerou que este estudo é "o ponto de partida para a reflexão" e deixou um apelo a "um novo SNS que deve insistir na prevenção, na literacia em saúde, com cuidados de proximidade e assegurar a transição entre níveis de cuidados". Para o representante dos médicos, um ponto incontornável é que as equipas tenham condições para cuidar com humanidade. "O país precisa de um choque de reforma na Saúde" para "construir um novo SNS, com um processo único, (...) telemedicina integrada no percurso de cuidados, (...) reduzir tarefas administrativas, (...) e uma estratégia bem definida para o SNS", entre várias outras modernizações essenciais a melhor cuidar da população.

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