Um pouco por todo o país, as cerimónias de receção aos médicos internos sucedem-se, em momentos de celebração, que reconhecem o percurso já feito e proporcionam acolhimento e esperança no futuro da medicina, reconhecendo a dedicação e o compromisso daqueles que escolheram como profissão cuidar da vida dos outros.
No passado dia 23 de janeiro de 2026, foi a vez do Conselho Médico dos Açores da Ordem dos Médicos realizou a receção oficial aos novos médicos internos da Região Autónoma dos Açores. A sessão contou com a presença da Secretária Regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, e da médica Filipa Lança, Vice-Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, que - em conjunto com a mensagem que o Bastonário fez questão de dirigir aos jovens colegas - dignificaram esta cerimónia. O Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, na mensagem de boas-vindas, frisou como os médicos estão, “habituados, desde o primeiro ano, às dificuldades, aos esforços, aos sacrifícios” bem como “à dedicação permanente para estarmos sempre o mais habilitados a poder cuidar daquilo que é o bem mais precioso que cada pessoa tem, que é a sua vida, a sua qualidade de vida, o seu bem estar e a sua saúde”. ”Este “é um momento muito relevante em que vão iniciar o caminho da diferenciação, da aprendizagem para o resto da vossa vida”.
Já o Presidente do Conselho Médico dos Açores, Carlos Oliveira Ponte, sublinhou a importância desta etapa na carreira dos novos médicos: “Escolheram ser médicos - uma profissão que é, acima de tudo, uma missão - e vão exercê-la numa região única, geográfica e culturalmente desafiante, mas profundamente rica em valores humanos, proximidade e sentido de comunidade.” Carlos Ponte destacou que, apesar dos enormes avanços, “a tecnologia nunca substitui o humanismo. Nenhum algoritmo escuta como um médico atento. Nenhum exame complementa o valor de um olhar empático, de uma palavra certa no momento certo, de um gesto de presença.” O dirigente desta região autónoma alertou também para desafios estruturais nos Açores, como a escassez de médicos. Referiu que, este ano, no Internato de Medicina Geral e Familiar, foram solicitadas 22 vagas e apenas 12 foram ocupadas, enquanto no Internato de Formação Especializada os números variaram entre 0 e 17 por hospital. Carlos Ponte sublinhou que “este problema estrutural começa na origem, nos critérios de admissão ao curso de Medicina, que devem ser ajustados à realidade demográfica e epidemiológica atual”. O Conselho Médico apelou aos novos internos a colaborar com ideias inovadoras e a colocar sempre no centro do trabalho “a qualidade dos cuidados prestados, a dignidade do exercício médico e a segurança dos pacientes”. O seu discurso terminou com uma mensagem de incentivo e solidariedade: “Sejam tecnicamente competentes, mas nunca distantes. Sejam inovadores, mas nunca indiferentes. Sejam médicos do futuro, sem deixar de ser médicos de pessoas. Sejam muito felizes. A Ordem dos Médicos será sempre um aliado fiel ao longo de toda a vossa carreira.” O. Bastonário finalizou a sua mensagem reafirmando o papel da humanização em saúde, “nunca se esqueçam que a humanização em saúde faz parte integral daquela que é a condição de ser médico, assente fundamentalmente na relação médico-doente, uma relação de empatia, de profunda confiança e de uma ligação absolutamente insubstituível”.