Crónica integral de Carlos Cortes:
Casos Sociais
"A publicação da nova portaria sobre os designados “casos sociais” nos hospitais revela um país que continua a tratar problemas estruturais com medidas de emergência. Expõe a continuada incapacidade de planear políticas que respondam às necessidades reais. Mais de 2800 pessoas permanecem internadas apesar de terem alta clínica, ocupando camas essenciais e motivando constrangimentos nas urgências e cirurgias. Qual a resposta? Pagar mais às instituições com atualizações anuais, mas sem garantir a sustentabilidade do sistema. O problema não é apenas financeiro, é de visão. Continuamos a gerir a dependência e a vulnerabilidade como exceções, quando são fenómenos previsíveis numa sociedade envelhecida. A improvisação permanente tem custos humanos e financeiros. Se todas as partes não assumirem que a dependência, o abandono ou o envelhecimento exigem uma rede robusta, articulada e previsível, continuaremos a gerir crises em vez de prevenir colapsos. O país não precisa apenas de camas intermédias. Necessita de uma estratégia integrada entre saúde, segurança social e cuidados continuados. A portaria é um passo, mas não é ainda a política que o país precisa."
Crónica no Correio da Manhã aqui.