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O 43º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que decorreu de 8 a 11 de abril em Tróia, foi palco de várias intervenções centradas na equidade em saúde e na audácia necessária para enfrentar os desafios atuais. Nas palavras que dirigiu aos colegas numa mensagem vídeo, o Bastonário da Ordem dos Médicos sublinhou a importância crucial da Medicina Geral e Familiar (MGF) no panorama da saúde em Portugal. Foram vários dias de temas prementes, desde a investigação à medicina narrativa, dos desafios da burocracia à inteligência artificial. Tudo naquele que é, nas palavras do Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o "verdadeiro encontro da Medicina Geral e Familiar”. 

No balanço do evento, o Presidente da APMGF, Nuno Jacinto, sublinhou que o encontro foi marcado por uma forte componente prática e científica. A programação teve início com "workshops muito práticos realizados pelos nossos grupos de estudo e que vão ao encontro daquilo que são as nossas necessidades do dia-a-dia", seguindo-se "mesas diversificadas, todas elas muito participadas". Durante o congresso, foram abordados "temas clínicos", incluindo uma "parceria com a Sociedade Portuguesa de Pediatria", e discutidas questões sociais e organizacionais como a "violência familiar", a "organização de cuidados", a "qualidade com a grelha de OR", bem como "indicadores", "cuidados em rede" e o "papel da direção clínica". Para Nuno Jacinto, este evento anual distingue-se pelo ambiente de proximidade: "É o encontro onde nos sentimos em casa, onde nos sentimos bem. Somos muitos, mas é uma família, é a família da APMGF que aqui se reúne". Esta união serve de base para a ambição da especialidade, refletida no lema do encontro: "um novo futuro para a Medicina Geral e Familiar". Nuno Jacinto recordou a mensagem que serviu de mote ao acolhimento dos participantes: "A MGF é a escolha do coração e o coração sabe sempre onde deve estar", afirmou referindo-se aquela que considera ser "a melhor especialidade do mundo". 

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, iniciou a sua intervenção contextualizando o momento atual como "um tempo de incerteza profunda", marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e tensões sociais, onde "a confiança se desgasta e em que a desigualdades se acentuam". Neste cenário, a ansiedade, o sofrimento e a solidão entram "nos hospitais, entra no centro de Saúde, na vossa consulta, nos vossos gabinetes e entra também na vida real do dia a dia das pessoas nas nossas vidas". É precisamente neste contexto que a MGF "ganha uma relevância ainda maior", tornando-se "ainda mais essencial" a necessidade de "uma medicina de maior proximidade, medicina competente, segura e confiável". 

Recordando que a MGF é "garantia ética, moral e humanizadora, num tempo em que a saúde corre o risco de se tornar excessivamente burocratizada, algorítmica e despersonalizada", Carlos Cortes frisou que a inovação e a inteligência artificial são bem-vindas, mas "não podem substituir a escuta, o julgamento clínico, a relação de confiança" entre o médico e o doente. Porque, "Não há SNS forte, com MGF fraca. Isso não existe. Não há equidade sem médico de família. Não há humanização sem tempo, sem respeito, sem condições". O futuro da MGF pode exigir "reinvenção, reforma e adaptação a estes novos tempos", mas nunca deve significar, “diminuir” ou "descaracterizar" a especialidade. Citando o especialista em MGF José Mendes Nunes, numa entrevista há uns anos, Carlos Cortes reforçou que "O médico de família está lá para que tudo o mais não falhe", agradecendo aos médicos de família por serem "exatamente assim".

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