Primeiro estudo alargado realizado em Portugal sobre burnout em Médicos Internos
Comunicado de Imprensa
Primeiro estudo alargado realizado em Portugal sobre burnout em Médicos Internos: 1 em cada 4 médicos internos apresenta sintomas graves de burnout
Segundo o primeiro estudo nacional sobre burnout em médicos internos, mais de metade (55,3%) dos jovens médicos está em risco de desenvolvimento de burnout e 1 em cada 4 (24,7%) já apresenta sintomas graves da síndrome. Neste estudo promovido pelo Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI), 64,7% dos médicos inquiridos encontra-se num nível de exaustão emocional grave, 45,8% num nível elevado de despersonalização/desumanização e 48,1% apresenta elevada diminuição da realização profissional.
Em comparação com o último estudo realizado em Portugal (2016), os médicos internos têm uma prevalência de burnout grave mais de três vezes superior aos restantes médicos portugueses (24,7% vs 7%). Quando comparado com a média de estudos realizados noutros países (22.9%), os níveis de burnout encontrados são também superiores.
“Estes resultados são superiores aos dados que temos para a população médica em geral e são, de facto, muito preocupantes”, refere Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos. “Revelam uma realidade silenciosa que afeta muitos médicos internos, sobretudo os que trabalham no SNS, que asseguram serviços de urgência e realizam horas extraordinárias acima do aceitável. Revelam também o fracasso das políticas dos sucessivos governos que, ao desenvolverem um sistema assente em médicos internos, estão a comprometer a formação médica em Portugal.”
Dos inquiridos, 35,3% dos médicos iniciaram algum tipo de apoio psicológico ou psiquiátrico durante o internato.
Os médicos internos há mais tempo no internato, que consideram como mais desequilibrada a relação entre trabalho e vida pessoal, com menos autonomia no seu trabalho e que realizam mais horas extraordinárias apresentam níveis superiores de burnout.
A percentagem de médicos internos totalmente envolvidos no seu trabalho é de apenas 5,3%, uma percentagem cerca de quatro vezes inferior à de outros países. Apenas 16,5% considera a relação entre a vida pessoal e profissional equilibrada ou muito equilibrada.
Por zona geográfica, há maior percentagem de médicos com sintomas de burnout na região Norte (28,6%), seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (23,7%) e Centro (22,1%).
Entre as especialidades com número de respostas mais elevado, verifica-se que 1 em cada 3 anestesiologistas sofrem de burnout (32,4%) e metade está em risco. Seguem-se as especialidades de Cirurgia Geral (29,7%), Medicina Interna (28,9%), Medicina Intensiva (26,2%) e Ginecologia/Obstetrícia (22,2%).
Sobre as condições laborais, 84,8% dos inquiridos realiza horas extraordinárias, com uma média de trabalho semanal de 52,8 horas, o equivalente a cerca de dois meses e meio de trabalho extra por ano. Verifica-se ainda que mais de metade dos inquiridos (55,1%) realiza mensalmente turnos com duração superior a 12 horas.
“Os resultados deste estudo evidenciam aquilo que é a perceção de muitos colegas: a sobrecarga laboral a que os médicos internos estão sujeitos e o impacto que o internato tem na sua saúde mental” alerta José Durão, Presidente do CNMI. “É a renovação da força de trabalho e a sustentabilidade do sistema de saúde português que está em causa. Se nada for feito para proteger os médicos mais jovens agora e para lhes garantir qualidade formativa sem compromisso do seu bem-estar físico e psicológico, serão os cuidados de saúde prestados à população a sofrer com isso.”
O CNMI defende a criação de tempo protegido no horário de trabalho para estudo autónomo, a necessidade de revisão e uniformização das grelhas de avaliação do internato médico, promovendo a valorização de competências clínicas, e a agilização de apoio psicológico e/ou psiquiátrico aos médicos internos em todas as instituições de formação. Este órgão reitera ainda a importância da revisão das grelhas salariais, do cumprimento dos descansos compensatórios e do limite de horas de urgência, matéria a ser discutida em sede sindical.
Este estudo foi realizado pelo Conselho Nacional do Médico Interno entre agosto e setembro de 2023. Foram obtidas 1737 respostas, correspondendo a uma taxa de resposta de 16,9%.
Consulte aqui o anexo: Relatório Estudo Burnout

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