+351 21 151 71 00

A Ordem dos Médicos alerta para o impacto grave do Despacho n.º 8134-A/2026 na resposta a situações clínicas tempo-dependentes, ao introduzir um modelo que fragiliza equipas altamente diferenciadas de Neurorradiologia de Intervenção, Radiologia de Intervenção e Cardiologia de Intervenção.

A criação das Vias Verdes foi uma das reformas mais importantes do SNS. No AVC e no enfarte agudo do miocárdio, permitiu respostas rápidas, articulação entre pré-hospitalar e hospitais, redução de tempos de diagnóstico e tratamento e melhoria da vida de milhares de pessoas, com menos morte evitável, incapacidade e dependência. Este progresso não pode regredir.

O despacho abrange procedimentos essenciais como trombectomias, angioplastias, cateterismos, embolizações, tratamento endovascular de patologias hemorrágicas intracranianas urgentes, trombólises, reparação de aneurismas, TIPSS e outras intervenções vasculares urgentes. São atos complexos, em doentes instáveis, e dependem de equipas treinadas, completas e disponíveis.

Estas equipas, raras e de alto rendimento, atuam em contexto de urgência sempre que são chamadas. A sua disponibilidade permanente é decisiva para assegurar avaliação clínica, imagem, decisão terapêutica, anestesia quando necessária, enfermagem diferenciada e apoio técnico especializado. Cada atraso pode significar perda de oportunidade terapêutica, maior incapacidade, agravamento clínico ou morte evitável.

Se o despacho não for rapidamente corrigido, existe o risco concreto de se tornarem mais difíceis, ou mesmo impossíveis, de completar escalas de prevenção nestas áreas já a partir de agosto. Essa fragilização pode comprometer a Via Verde AVC, a Via Verde Coronária e outros circuitos urgentes de intervenção, fazendo com que respostas disponíveis 24 horas por dia deixem de funcionar quando os doentes mais precisam.

A Ordem dos Médicos regista com agrado a informação transmitida pela Ministra da Saúde, em reunião com o Bastonário da Ordem dos Médicos, de que o diploma será revisto rapidamente.

A revisão deve enquadrar a organização das equipas, os regimes de prevenção e ativação, os registos clínicos obrigatórios, as auditorias clínicas, os indicadores de qualidade e segurança, os tempos de resposta e as boas práticas. Um erro de método deve ser transformado numa oportunidade de melhoria, dando estabilidade a equipas que salvam vidas e funcionam como verdadeira resposta de urgência.

“O tratamento destas situações é uma corrida contra o tempo. Não podemos permitir que alterações precipitadas comprometam equipas que protegem a vida e a autonomia dos doentes”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

“A revisão anunciada deve ser feita com urgência, prudência, diálogo e conhecimento da realidade assistencial. O objetivo é melhorar o sistema, nunca colocar em causa aquilo que funciona bem.”

A prioridade absoluta deve ser garantir que todos os doentes têm acesso, em tempo útil, ao tratamento que lhes pode salvar a vida e preservar a autonomia. O país avançou muito nesta área. Não pode andar para trás.

Lisboa, 08 de julho de 2026

Últimas Notícias

Ver tudo