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A Ordem dos Médicos manifestou a sua preocupação para os efeitos de um excesso de confiança do Ministério da Saúde que pode pôr em causa a visão realista sobe os problemas que afetam o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Perante as afirmações da Ministra da Saúde centradas na reforma em curso e em alguns exemplos de progressos, nomeadamente o aumento do número de utentes com médico de família ("progresso" que se traduz mais em mudanças administrativas do que em real aumento da cobertura) ou no alegado reforço de meios e de profissionais no INEM, em declarações à TSF, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, lamentou que se "tente justificar muitos dos problemas que o Serviço Nacional de Saúde tem tido através de dados que são muito convenientes para mostrar que houve um progresso". "Obviamente que houve um progresso em algumas áreas, mas é perigoso entrarmos em triunfalismos, em excesso de confiança, porque todos nós sabemos que o Serviço Nacional de Saúde tem enormes dificuldades", frisou, sublinhando que "houve mais de 200 mil utentes que passaram a ter médico de família, mas as listas de utentes ainda estão a ser reconstruídas e 1,3 milhões de utentes continuam sem médico de família".

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