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Foi apresentado no passado dia 16 de setembro de 2026, na Biblioteca Histórica da Ordem dos Médicos, em Lisboa,  um livro cuja génese radica no 27º Congresso Nacional da Ordem dos Médicos, que convida a refletir sobre o impacto da IA na prática médica.

A apresentação ficou a cargo do Presidente do Conselho Regional do Sul, Paulo Simões, que agradeceu o trabalho de revisão realizado por Manuel Curado (com quem partilhou a apresentação da obra). Paulo Simões considera que a grande revolução do nosso século é a IA. “Não tenho dúvida nenhuma que o caminho é este, se queremos dar resposta às necessidades da população”, explicou o presidente do CRS, frisando que “este livro abre o debate, não o encerra”. 

Já Manuel Curado falou sobre como todos oscilamos entre o entusiasmo e não ter medo daquilo a que chamou o “processo de artificialização da vida humana” e o medo efetivo. Confessando-se menos otimista que os autores, exortou à reflexão. “Será que a IA vai alterar tudo em todas as especialidades?”, ou será que tudo ficará na mesma? Com sentido de humor, mencionou como impôs o rigor técnico: “Torturei os autores com revisões (…) para honrar o assunto e a instituição”. Da IA falou como a “ferramenta maravilhosa" que vai ajudar em tudo e com a qual “não nos devemos assustar” porque faz parte da evolução, mas antes acautelar controlo. Apresentando as “contas filosóficas”, questionou se a realidade vai continuar como sempre foi, com acidentes e doenças, mas também as “contas de intelectual”: “e se tudo isto for apenas o primeiro episódio para o controlo total da nossa vida?” O que é certo, para Manuel Curado é que este é o maior choque científico da nossa história, com o confronto de dois titans: a medicina e a IA. Mas, seja qual for o quadro, quer se oscile para o entusiasmo ou para o medo, “a estrutura metafísica da realidade não pode ser alterada”, asseverou.

Ana Frade Pina da Comissão para a Inteligência Artificial da OM, comentou a transversalidade da IA, frisando que “o humano é que usa a tecnologia” e que em vez de nos assustarmos, o ideal é que estejamos “capacitados” para transformar e usar o melhor possível a IA para potenciar a saúde das nossas populações. Já Manuel Bragança recordou na sua breve intervenção que “muitas vezes excesso de dados é ruído para uns e para outros é contexto”, numa referência ao potencial da IA nesse contexto. Miguel Bigotte Vieira explicou como o seu contributo para a obra se refere explicitamente ao uso da IA na sua especialidade, Nefrologia, mas sem omitir que a IA nos coloca desafios para os quais temos que procurar respostas. 

Paulo Simões encerrou a sessão frisando a importância de viver o contraditório, refletir sobre o entusiasmo e o medo. E como esta rgrande revolução tem grandes riscos. “Temos que continuar a pensar”, disse, mantendo a certeza de que a IA é o caminho para dar resposta às necessidades das populações. O projeto foi organizado por Paulo Simões, André Dias Pereira e Manuel Curado e aos textos dos organizadores juntam-se os contributos de 16 personalidades de diferentes áreas, entre Medicina, Direito, Filosofia e Inteligência Artificial, numa abordagem multidisciplinar aos desafios e oportunidades que a IA coloca à Medicina.

O documento, intitulado "Inteligência Artificial e Medicina", convida à reflexão sobre o impacto da IA nas diferentes dimensões da Medicina, conta com contributos de 16 personalidades, entre os quais João Frutuoso, Manuel Bragança Pereira e Ana Frade Pina da Comissão para a Inteligência Artificial da OM e Miguel Bigotte Vieira, coordenador do Choosing Wisely Portugal. Na foto acima, estes autores com o coordenador do CPIA, António Vaz Carneiro, que fez questão de marcar presença e congratular todos os colegas pela reflexão agora partilhada em livro. 

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