Choosing Wisely Portugal (Recomendações)
Teste de rastreio de heterozigotias para doenças monogénicas recessivas
Recomendação
Escolha não fazer teste de rastreio de heterozigotias para doenças monogénicas recessivas exceto em contexto de casal.
Recommendation
Choose not to undergo heterozygous screening for recessive monogenic diseases except in the context of a couple.
Justificação
O rastreio de portador (teste de heterozigotia) para doenças monogénicas refere-se ao teste utilizado para identificar se uma pessoa saudável é portadora (heterozigota) de uma variante causal (patogénica ou provavelmente patogénica) associada a doença recessiva (autossómica ou ligada ao X).
Recomenda-se que os casais em contexto pré-concecional ou excecionalmente no primeiro trimestre da gravidez recebam informação sobre a possibilidade e utilidade do rastreio de portador para doenças monogénicas de hereditariedade recessiva. Sempre que possível, o aconselhamento genético e o referido rastreio devem ser realizados antes da gravidez para permitir aos casais conhecer o seu risco reprodutivo e considerar todas as opções reprodutivas disponíveis (incluindo não engravidar, utilizar o teste genético pré-implantação ou gâmetas de dadores ou ainda engravidar e utilizar ou não o diagnóstico pré-natal). O rastreio de portador é uma ferramenta útil, mas só deve ser realizado se estiverem reunidas todas as seguintes condições:
1. Houver orientação médica e aconselhamento genético disponíveis antes e depois do teste;
2. O casal compreender o objetivo, os riscos e limitações e decidir realizá-lo de forma informada, esclarecida e livre;
3. O resultado do teste integrado (resultado combinado do casal) for útil para a tomada de decisões reprodutivas, como a utilização de teste genético pré-implantação, diagnóstico pré-natal específico ou outras;
O rastreio de portador tem maior utilidade clínica nas seguintes circunstâncias:
1. Quando existe história de doença hereditária autossómica recessiva ou ligada ao X na família com confirmação molecular (teste genético diagnóstico com identificação de variante patogénica ou provavelmente patogénica);
2. Quando existe consanguinidade do casal (primos em primeiro grau ou mais próximos)
Escolha não realizar o teste fora do contexto de casal ou se não for útil para a gestão de uma gravidez, uma vez que os resultados podem gerar ansiedade, dúvidas e gastos desnecessários, sem benefícios reais para o planeamento familiar. Sempre que possível, mesmo se existir história de doença monogénica na família, opte por realizar o rastreio de portador pan-étnico e alargado, que inclua as doenças genéticas com frequência de heterozigotia igual ou superior a 1/200 [nível 3 para as doenças AR (tabelas 1 a 5) e genes associados a doenças XL (tabela 6) segundo o ACMG].
O rastreio de portador não substitui o rastreio neonatal, que deve ser realizado conforme as recomendações nacionais e, de igual modo, o rastreio neonatal não diminui o potencial benefício do rastreio de portador no período pré-concecional e pré-natal.
A informação apresentada nesta recomendação tem um propósito informativo e não substitui uma consulta com um médico. Caso tenha alguma dúvida sobre o conteúdo desta recomendação e a sua aplicabilidade no seu caso particular, deve consultar o seu médico assistente.
Bibliografia / Bibliography
• Committee Opinion No. 690. Carrier screening in the age of genomic medicine. Obstet. Gynecol129, e35–e40 (2017).
• Screening for autosomal recessive and X-linked conditions during pregnancy and preconception: a practice resource of the
• Responsible implementation of expanded carrier screening – Background document including Recommendations of the
• An ESHG-ESHRE survey on the current practice of expanded carrier screening in medically assisted reproduction; Hum
Uma recomendação de / Recommendation by:
Colégio da Especialidade de Genética Médica da Ordem dos Médicos