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A Ordem dos Médicos manifesta a sua profunda solidariedade para com o povo colombiano, as vítimas e as suas famílias na sequência do recente sismo, bem como para com os médicos e todos os profissionais de saúde que estão na primeira linha da resposta às populações afetadas. 

A Ordem dos Médicos portuguesa já fez chegar à Federación Médica Colombiana, aos Ministérios da Saúde e dos Negócios Estrangeiros de Portugal a sua inteira disponibilidade para colaborar e apoiar, no âmbito das suas competências, em tudo o que possa ser considerado necessário e útil perante esta emergência. 

As imagens e os relatos que chegam da Colômbia lembram-nos também uma responsabilidade que não pode ser esquecida: as catástrofes não podem ser evitadas, mas podemos preparar-nos melhor para as enfrentar. 

Portugal é um país com risco sísmico e deve garantir que os seus hospitais, enquanto infraestruturas críticas, permanecem capazes de cuidar precisamente quando a população mais precisa deles. A Ordem dos Médicos defende, por isso, uma avaliação nacional da resiliência dos hospitais perante sismos e outras situações de catástrofe que não deve limitar-se somente à resistência estrutural dos edifícios. 

É essencial conhecer a capacidade real de manter em funcionamento urgências, blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos, laboratórios e outros serviços essenciais, garantindo simultaneamente energia de emergência, comunicações, abastecimento de água e oxigénio, medicamentos, sangue, sistemas de informação e circuitos de evacuação. 

“Quando acontece uma catástrofe, o hospital não pode transformar-se em mais uma vítima. Tem de continuar a ser o lugar onde as vítimas encontram resposta. Preparar os nossos hospitais para continuarem a cuidar mesmo nas circunstâncias mais adversas é uma questão de segurança dos doentes e uma responsabilidade do Estado”, afirma Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos. 

Para Vítor Almeida, coordenador do Gabinete de Apoio Humanitário da Ordem dos Médicos (GAHOM), "a questão que se coloca não é 'se' acontecer em Portugal, mas quando. Por isso temos de começar já a trabalhar na prevenção". 

A Ordem dos Médicos considera necessária uma avaliação nacional da resiliência hospitalar, envolvendo as autoridades de saúde, a Proteção Civil, o INEM, as instituições hospitalares, os profissionais de saúde e especialistas das áreas técnicas relevantes. 

Esta avaliação deve permitir identificar vulnerabilidades, estabelecer prioridades de investimento e garantir planos efetivos de continuidade assistencial. Deve ser acompanhada por exercícios periódicos que testem, em condições próximas da realidade, a articulação entre hospitais, emergência pré-hospitalar, bombeiros, proteção civil e restantes entidades envolvidas.

A solidariedade com quem hoje enfrenta uma catástrofe deve também traduzir-se na nossa capacidade de aprender, antecipar e prevenir. 

Prepararmo-nos para uma catástrofe que esperamos nunca enfrentar não é alarmismo. É responsabilidade. É proteger os doentes antes da emergência acontecer e garantir que, mesmo nos momentos mais difíceis, o sistema de saúde continua capaz de cumprir a sua missão essencial: cuidar.

Lisboa, 12 de agosto de 2026

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