No próximo ano letivo Medicina vai contar com um acréscimo de 62 vagas a nível nacional. Este incremento é essencialmente sustentado pelas 40 que correspondem ao novo curso da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Trata-se de um mestrado integrado em Medicina que havia sido rejeitado duas vezes pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), em 2023 e 2024. Mas, apesar do parecer negativo da Ordem dos Médicos, em 2025, o curso foi aprovado. A Ordem dos Médicos não pode deixar de lamentar o que classifica como mera "medida de cosmética" que não traz benefícios efetivos, muito menos a curto prazo. Ao JN, Carlos Cortes esclareceu: "Só daqui a cerca de década e meia se conhecerá o impacto, após cada aluno concluir a formação, que é de seis anos, e a especialidade, que vai de cinco a sete". “Trata-se de uma medida de cosmética que não vai resolver [nem agora, nem no futuro] o principal problema: a falta de profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS)". O Bastonário recordou que nada garante que estes estudantes, terminados os seus cursos, optam por se vincular ao serviço público. Atualmente a taxa de captação rondaria os 48%, mas, se nada for feito para aumentar a atratividade, daqui uma década a situação estará, provavelmente, pior, com uma taxa ainda menor de jovens médicos a escolher ficar no SNS.
Apesar da análise técnica da Ordem dos Médicos, de que o curso da UTAD evidencia fragilidades significativas, nomeadamente:
- insuficiência de corpo docente com massa crítica médica;
- ausência de estruturas clínicas próprias ou protocoladas com garantia de continuidade formativa;
- definição curricular pouco consistente e não plenamente orientada por competências;
- fragilidade nos mecanismos de avaliação, supervisão e melhoria contínua.
Apesar destas reservas, a A3ES decidiu avançar com a acreditação. A Ordem dos Médicos não deixará de pugnar por uma formação médica sustentada em “maturidade institucional, cultura académica consolidada, tradição clínica estruturada e um compromisso inabalável com a qualidade, a ética e a segurança".
Os restantes 22 novos estudantes de medicina virão das vagas acrescidas que vão abrir na Universidade de Coimbra, que passa de 268 para 290. No total teremos 1656 novos estudantes de medicina, contra 1594 do ano letivo anterior.