+351 21 151 71 00

Ordem dos Médicos alerta para o risco de lesões potencialmente irreversíveis da retina e recomenda reforço da informação à população, além de um especial cuidado para proteger a saúde visual das crianças. 
No próximo dia 12 de agosto, Portugal poderá observar um eclipse solar de elevada magnitude, um fenómeno astronómico raro que deverá mobilizar milhares de pessoas em diferentes pontos do país. Perante o previsível interesse da população, nomeadamente das crianças, e a realização de atividades de observação, a Ordem dos Médicos, através dos Colégios da Especialidade de Oftalmologia e de Pediatria, apela às entidades públicas e privadas para que reforcem os avisos e a informação à população sobre os riscos da observação direta do Sol sem proteção adequada. 

“Durante um eclipse, a redução da luminosidade pode criar uma falsa sensação de segurança. É fundamental que todas as pessoas saibam que, mesmo durante as fases parciais do eclipse, quando apenas uma pequena parte do Sol permanece visível, continua a não ser seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada”, alerta Joana Tavares Ferreira, Presidente do Colégio da Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos. 

Dada a vulnerabilidade das crianças, a Ordem dos Médicos manifesta a sua especial preocupação e apela a que se garanta que a observação do eclipse pelos mais novos seja feita sempre sob supervisão de um adulto. "As crianças podem não ter a perceção do risco associado à observação direta do Sol e, por isso, não devem observar o eclipse sem a supervisão próxima de um adulto. Cabe aos adultos garantir previamente que os equipamentos de proteção são adequados, que estão em boas condições e que são utilizados corretamente durante toda a observação", alerta Ricardo Costa, Presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos. 

A instituição deixa um apelo a todas as entidades: “Um fenómeno desta dimensão merece ser vivido e apreciado, mas a curiosidade não pode transformar-se num risco para a saúde. Recomendamos que escolas, municípios, campos de férias e outras instituições que organizem atividades relacionadas com o eclipse assegurem previamente equipamentos adequados, reforcem a informação e garantam a supervisão das crianças e jovens. É fundamental que a informação chegue às pessoas antes do eclipse”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes. 

A Ordem dos Médicos reforça que óculos de sol comuns, mesmo que muito escuros ou polarizados, não oferecem proteção adequada e que não devem ser utilizados métodos improvisados (como radiografias, negativos fotográficos, vidro fumado, CDs, DVDs ou outros materiais não certificados). Para observar diretamente o eclipse, devem ser utilizados exclusivamente óculos ou visores especificamente concebidos para a observação solar, conformes com a norma internacional ISO 12312-2 e com marcação CE, adquiridos junto de fabricantes ou fornecedores de confiança. A observação indireta, através de sistemas de projeção como o método pinhole, constitui uma alternativa segura. 

“A radiação solar que chega à retina pode provocar retinopatia solar, uma lesão que pode comprometer a visão central e ser potencialmente irreversível. A retina não tem recetores de dor e, por isso, uma pessoa pode sofrer uma lesão durante a observação do Sol sem sentir qualquer dor ou desconforto imediato. Os sintomas podem surgir posteriormente, nomeadamente sob a forma de visão turva, uma mancha ou zona escura no centro da visão, distorção das imagens ou alterações na perceção das cores», acrescenta a Presidente do Colégio da Especialidade de Oftalmologia, reforçando a gravidade do risco.

A ampla e atempada divulgação destas recomendações é essencial para evitar acidentes e lesões oculares que podem ter consequências duradouras.

 

Lisboa, 11 de agosto de 2026

Últimas Notícias

Ver tudo