Emergência do Empenhamento Organizacional Médico
Emergência do Empenhamento Organizacional Médico
Autores: Válter Santos1 e Manuela Frederico2
(1) Doutorando em Medicina, Mestre em Cuidados Continuados e Paliativos, Assistente em Medicina Geral e Familiar, USF Marquês, Unidade Local de Saúde Região de Leiria; https://orcid.org/0000-0003-0366- 2379
(2) Doutoramento em Ciências Empresariais, Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra; https://orcid.org/0000-0003-4512-1669
O empenhamento organizacional tornou-se uma questão crítica em vários sectores profissionais, particularmente na área da saúde. Na Medicina Geral e Familiar (MGF), onde os desafios são complexos e diversificados, compreender o empenhamento dos médicos é fundamental para assegurar um atendimento eficaz garantindo a qualidade. Frederico e Anes (2024) oferecem uma base sólida para discutir como o empenhamento organizacional impacta a saúde e o bem-estar dos profissionais de saúde, influenciando diretamente a experiência dos utentes. O empenhamento organizacional é frequentemente abordado através do conceito de ligação organizacional, que é composto por três dimensões principais: afetiva, normativa e instrumental (Meyer & Allen, 1991). A dimensão afetiva reflete um apego emocional à organização, a normativa refere-se ao sentido de obrigação em permanecer na instituição, e a instrumental diz respeito aos custos que o indivíduo associaria à saída da organização. O reconhecimento das diferentes dimensões é fundamental para criar um ambiente propício em que os médicos se sintam valorizados e motivados a dar o melhor de si (Mowday, Porter, & Steers, 1979). Um estudo nacional realizado por Gaspar, Jesus e Cruz (2011) evidencia que a motivação no internato médico está intimamente ligada à escolha da especialidade, ressaltando a relevância do apoio institucional e emocional para um bom desempenho.
A cultura organizacional e a liderança têm um impacto significativo no empenhamento dos médicos. Uma cultura que promove a confiança, o reconhecimento da importância da dinâmica e permanente necessidade de adaptação é fundamental para a retenção de profissionais na área. Apesar de já existirem estudos relevantes em relação ao empenhamento organizacional, a literatura específica em MGF é limitada. Existe uma necessidade evidente de pesquisas que identifiquem as intervenções concretas que podem ser adotadas para aumentar o empenhamento organizacional dos médicos. Ferreira (2005) discute o papel do empenhamento organizacional na adaptabilidade a mudanças, enfatizando a necessidade de uma pesquisa direcionada a como as organizações de saúde podem fortalecer o engagment no setor. O desenvolvimento de políticas que promovam um ambiente de trabalho saudável, que valorize a liderança e que incentive uma cultura de apoio e reconhecimento do profissional, poderá traduzir- se numa diferença significativa.
Desta forma, o empenhamento organizacional revela-se um fator crítico para o funcionamento eficaz na Medicina Geral e Familiar. Compreender os diversos elementos que influenciam o empenhamento dos médicos é fundamental não apenas para melhorar a satisfação profissional, mas também para garantir a qualidade dos cuidados prestados à população. O presente artigo evidencia a necessidade urgente de promoção da investigação sobre o ambiente de trabalho mais positivo, estimulante e colaborativo. Ao abordar os diferentes fatores que afetam o empenhamento, será possível desenvolver intervenções práticas que fortaleçam não apenas o bem-estar dos médicos, mas, consequentemente, a saúde da população.
Referências:
Ferreira, M. C. (2005). O papel do comprometimento organizacional no contexto de mudanças: Uma análise teórica e empírica. Psicologia em Estudo, 10 (3), 405-414.
Frederico, M., & Anes, E. (2024). Empenhamento organizacional. In A. Galvão & B. Magalhães (Eds.), Gestão de Contextos de Trabalho Seguros, Saudáveis e Felizes (pp. 94-101). Chiado Books-Chiado Grupo Editorial.
Gaspar, D., Jesus, S., & Cruz, J. (2011). Motivação Profissional no Internato Médico de Medicina Geral e Familiar: Um estudo nacional. Acta Médica Portuguesa, 24, 255-264.
Meyer, J. P., & Allen, N. J. (1991). A three-component conceptualization of organizational commitment. Human Resource Management Review, 1 (1), 61-89.
Mowday, R. T., Porter, L. W., & Steers, R. M. (1979). The measurement of organizational commitment. Journal of Vocational Behavior, 14 (2), 224-247.
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