Comunicado de Imprensa | Novo modelo de escolha de vagas do Internato Médico deve ser adiado
Este ano, pela primeira vez, os candidatos à formação do Internato Médico deverão escolher a especialidade e o local de formação através de uma plataforma eletrónica, num processo organizado por lotes de candidatos. Decidido pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), o novo modelo substitui o procedimento utilizado até 2025 e surge já numa fase tardia do processo.
Esta escolha é decisiva para o futuro profissional e pessoal de cada jovem médico. Define a especialidade e o local onde irá viver e trabalhar nos próximos anos. Determina também o preenchimento das vagas de formação nos hospitais e centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e no setor privado com idoneidade formativa, com impacto na organização dos serviços e na constituição das equipas.
A Ordem dos Médicos valoriza a modernização e a informatização da Administração Pública, mas sem lugar para precipitações, nem para soluções experimentais. Modernizar deve significar, melhorar os procedimentos e reforçar as garantias dos candidatos, prevenindo falhas graves que comprometam a formação médica, o funcionamento dos serviços e a resposta aos doentes.
A plataforma informática foi recentemente criada de raiz para este procedimento específico. Embora tenha sido objeto de testes técnicos pontuais, nunca foi testada em condições reais de funcionamento, com os candidatos e sob a carga efetiva do processo. O primeiro ensaio real não pode ser feito à custa do futuro de mais 2449 jovens médicos candidatos.
Antes de avançar, a ACSS tem de garantir um plano de contingência, previamente testado que assegure a continuidade do processo perante qualquer falha informática. Nenhum candidato pode perder uma vaga por uma indisponibilidade ou erro do sistema.
A alteração do modelo numa fase tão avançada, sem um ensaio-piloto, é inaceitavelmente tardia e está a gerar legítima apreensão. Uma mudança com este impacto não pode ser precipitada, rodeada de dúvidas e sem fiabilidade tecnológica, rastreabilidade e previsibilidade.
O conhecimento que a Ordem dos Médicos e o Conselho Nacional do Médico Interno têm de todas as fases do processo permite defender que a implementação da plataforma informática seja adiada.
A Ordem dos Médicos exige uma escolha verdadeiramente informada e segura. Os candidatos têm de receber informação clara e atempada sobre os lotes, os prazos, a divulgação dos resultados, a rastreabilidade das operações, o apoio técnico e os procedimentos de contingência.
"Modernizar é necessário, mas não à custa dos candidatos. Uma plataforma sem ensaio-piloto em condições reais não pode avançar sem mais garantias de segurança, transparência e equidade. A Ordem dos Médicos defendeu desde o início o adiamento da sua implementação. O que aconteceu recentemente noutras áreas deve servir de alerta. Não podemos repetir erros que prejudiquem médicos, serviços e doentes", afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
A Presidente do Conselho Nacional do Médico Interno, Catarina Dourado, sustenta que "uma alteração com esta dimensão e impacto na vida profissional de milhares de médicos exige informação atempada, clara e completa. Não podemos estar tão próximos da implementação de um novo modelo com aspetos essenciais ainda por responder, e continuaremos a exigir os esclarecimentos necessários em defesa dos médicos internos."
A Ordem dos Médicos já transmitiu estas preocupações à ACSS e ao Ministério da Saúde, exigiu garantias adicionais, defendeu o adiamento do novo modelo para o próximo concurso e solicitou uma reunião de emergência com o Conselho Diretivo da ACSS que ainda aguarda resposta.
A Ordem dos Médicos continuará a acompanhar todas as fases do processo. A defesa dos médicos internos e da qualidade do Internato Médico é uma prioridade absoluta. Não aceitará que uma alteração tardia, insuficientemente preparada ou sem garantias sólidas de segurança, transparência e equidade prejudique os candidatos, comprometa a formação médica ou a capacidade de resposta do SNS.
Lisboa, 24 de setembro de 2026
Últimas Notícias
Ver tudo-
Museu de Portimão e a Alzheimer Portugal juntaram-se para levar a arte a quem vive com demência
O Museu de Portimão é o primeiro museu algarvio a integrar um programa de participação cultural e encontro com a arte, o património e o território…
Ler Mais -
Saúde mental: não basta fazer mais, é preciso alcançar melhores resultados
Num artigo de opinião em antevisão ao Dia Mundial da Saúde Mental da autoria de Guida da Ponte, escrito em coautoria com Joaquim Cerejeira e Susana Pinto ...
Ler Mais -
Projeto PRR
Projeto PRR integrado na dimensão da Resiliência, especificamente focado no reforço e modernização tecnológica
Ler Mais -
Inquérito | Preparação de estudantes finalistas de Medicina e recém graduados para o acompanhamento de pessoas nos últimos dias e horas de vida
Ler Mais -
Avaliar para Cuidar – Avaliação de Riscos Psicossociais no Internato Médico
Ler Mais -
Rigor e transparência na análise de níveis de prescrição
Ordem dos Médicos acompanha evolução da prescrição de Mounjaro em Portugal
Ler Mais -
Hematologista português recebe primeira Bolsa Francisco Gentil Martins para formação em Londres
Hematologista português recebe primeira Bolsa Francisco Gentil Martins para formação em Londres, atribuída pelo Núcleo Regional do Sul da LPCC
Ler Mais -
SNS: progressos não significam ausência de dificuldades!
A Ordem dos Médicos manifestou a sua preocupação para os efeitos de um excesso de confiança do Ministério da Saúde que pode pôr em causa a visão realista&
Ler Mais -
Cooperação e "uma só saúde" (one health): como enfrentar desafios futuros
A Ordem dos Médicos participou em reunião com a Organização Mundial de Saúde Animal, tendo abordado os desafios futuros no contexto da “one health”
Ler Mais