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Sol saudável todo o ano

Autora: Filipa Santos Jorge, Interna de MGF, USF Santa Luzia (ACeS Tâmega III)

 

Resumo: Todos os verões surgem questões sobre a proteção solar em creme, sendo importante perceber e identificar quais as melhores opções com base nas suas características. A proteção solar deve ser usada diariamente, todo o ano, sendo importante relembrar este tema também nos meses de inverno por parte dos profissionais de saúde, escolas, media e redes sociais. O sol é benéfico, sendo necessário sabermos conviver com ele de uma forma equilibrada e adequada.

Qual o melhor protetor solar?  Quanto maior o SPF, maior a proteção? Quão prejudicial é a exposição solar excessiva? Perguntas como estas e muitas outras são repetidas a cada verão, sendo imperativa a resposta a estas questões.

 

O que devemos saber sobre os protetores solares?

A proteção solar funciona pela existência de filtros solares: filtros físicos/minerais, nanopartículas que atuam como espelhos que refletem a radiação ultravioleta (UV), formando uma barreira na pele, não absorvente, sendo os recomendados como primeira linha na idade pediátrica. Os filtros químicos/orgânicos atuam absorvendo a radiação UV, capturam a energia incidente e reemitem como radiação térmica, inofensiva para a pele. Atualmente, a maioria dos protetores solares é formulado com ambos os tipos de filtros, de forma a obter o benefício de ambos, sobretudo quando usados na face.

Os raios UVB penetram pouco na pele, mas são os que causam queimaduras, eritema e aumentam o risco de cancro, sendo os mais perigosos. Estes atuam nas células produtoras de melanina, ativando a sua produção, sendo responsáveis ​​por manter a cor bronzeada da pele. Os raios UVA penetram na derme, danificando a elastina e o colagéneo da pele, proteínas responsáveis ​​pela textura, elasticidade e firmeza. São os principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento da pele, oxidam a melanina e levam a um bronzeado rápido que desaparece com facilidade.

A radiação UVC, a mais perigosa para a saúde, não chega à Terra porque é 100% absorvida na atmosfera, não causando danos.

Assim, a produção de melanina e a sua oxidação são processos acelerados pelos UVB e UVA, pelo que a coloração bronzeada NÃO é sinónimo de saúde, devendo-nos preocupar e proteger de ambos.

 

Qual a importância do sol? 

O sol é também benéfico, sendo necessário sabermos conviver com este de uma forma equilibrada e adequada. A vitamina D é essencial para o bom funcionamento e equilíbrio do nosso organismo, crescimento, humor e produção de melatonina. Desempenha um importante papel na regulação do metabolismo ósseo, promovendo a absorção do cálcio e evitando a sua eliminação por via renal. Tem ainda um papel importante a nível muscular, imunológico e sistema nervoso, prevenindo o declínio cognitivo. Ao contrário de outras vitaminas, esta pode ser produzida pela pele, através da exposição aos raios UV.

 

Sol e cancro de pele

A associação entre a exposição solar e cancro de pele está bem estabelecida e é bem conhecida por todos. No entanto, há muitos casos familiares de melanoma, associados a uma predisposição genética, não dependente de fatores externos como a exposição solar.

O carcinoma basocelular, o mais frequente, está associado à exposição solar e a determinados tipos de pele, fotótipos mais baixos têm maior sensibilidade à exposição solar e consequentemente maior risco de desenvolver cancro de pele.

Segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), em Portugal, a incidência dos vários tipos de cancro da pele tem vindo a aumentar devido, essencialmente, a uma exposição solar exagerada ou inadequada, favorecendo um fotoenvelhecimento precoce, bem como os cancros de pele.

Também o facto de haver uma maior atenção dos médicos de família para o diagnóstico, associado ao recente do sistema de telerrastreio utilizado a nível dos cuidados de saúde primários, aproximando-nos da dermatologia, tornam o diagnóstico mais precoce e plausível.

Os cancros de pele representam o cancro humano mais frequente, tornando-se imperativo a implementação de medicas de prevenção eficazes.

 

SPF – o que significa?

Em termos práticos, o SPF – fator de proteção solar é obtido pelo tempo necessário para a pele com proteção, não ficar com eritema, dividido pelo tempo que demoraria se sem proteção.

Comumente pensa-se que um protetor solar com SPF30, significa que demoraria 30 vezes mais tempo a tornar a pele vermelha/irritada, do que se não usasse proteção. No entanto, um SPF30 significa que permite que 3% dos raios UVB atinjam a nossa pele e um protetor solar SPF50 permite que cerca de 2% dos raios atinja a pele. De fato pode parecer uma diferença pequena, no entanto significa que um protetor SPF30 permite mais 50% da radiação UV atravesse a nossa pele que um protetor SPF50.

Ainda assim, sob condições ideais, um protetor solar com maior proteção SPF ofereceria maior proteção contra queimaduras solares do que protetores com valores inferiores de SPF. No entanto, no nosso dia a dia, isto não acontece, uma vez que, as pessoas ao utilizarem produtos com SPF muito altos, tendem a ficar ao sol por mais tempo, não reaplicam o produto, tendo muitas vezes a sensação de não necessitar de sombra ou chapéu estando, por isso, sujeitas a muitos mais danos UV.

Assim, a Skin Cancer Foundation e a Direção Geral de Saúde recomendam um protetor solar de amplo espetro, resistente à água, com SPF30 ou mais para qualquer atividade ao ar livre e, independentemente do SPF, é importante aplicar cerca de 30 minutos antes de sair e reaplicá-lo a cada 2 horas ou imediatamente após nadar ou suar.

 

Conclusões:

A fotoproteção não passa apenas pelo uso de um protetor solar, mas sim pelo uso de vestuário adequado, chapéu e óculos de sol. Segundo a Associação Europeia de Cancro Cutâneo, há mais risco de exposição solar entre as 11h e 15h, devendo ser evitada a exposição solar nesse período. É claro que estas horas no verão são as mais apetecíveis, já que as pessoas se levantam mais tarde, ainda assim, devem procurar uma sombra e fazer uma fotoproteção adequada nestas horas de maior incidência da radiação solar.

Também deve ser tido em consideração que a proteção solar não é linear, e que um SPF muito alto não implica que a proteção seja 100%, já que existe uma pequena percentagem de radiação UV que atinge a nossa pele. Percentagem essa que é suficiente para o nosso metabolismo, ou seja, ao utilizarmos protetor solar obtemos também vitamina D e fazemo-lo com segurança e sem riscos para a saúde.

O SPF mínimo recomendado é o 30, devendo claro ser adequado ao tipo de pele, aconselhando-se SPF 50 a pessoas de pele clara, que nunca bronzeiam e que, quando expostas, ficam vermelhas. O cuidado deve ser maior já que o risco de cancro cutâneo aumenta com o número de queimaduras solares.

Hoje em dia há muita informação e começa na escola esta educação para a mudança, ainda assim muitas vezes a informação e conhecimento, não acompanham a mudança de comportamento, o mais difícil de se conseguir. Todos os anos este assunto é abordado pelos media, redes sociais e escolas, e com o tempo acredito que veremos mudanças acontecer. Ainda assim, se queremos uma mudança de comportamento que seja regular durante o ano, usado todos os dias, considero que este tema deveria ser abordado ao longo do ano e não apenas na altura do verão quer pelos profissionais de saúde, quer pelos media. Há ainda muitos comportamentos de risco que se continuam a cometer, enquanto o sol e o “estar bronzeado” continuarem na moda, a ser sinal de saúde, será difícil modificar esse pensamento.

 

Bibliografia