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Ordem dos Médicos ouvida no Parlamento

A Ordem dos Médicos foi ouvida, esta quarta-feira, na comissão parlamentar de Saúde, na sequência do atraso num exame pedido pelo Centro Hospitalar do Algarve ao IPO de Lisboa para um doente com cancro do pulmão.

De acordo com Ulisses Brito, presidente da subregião de Faro da OM, foi a falta de um termo de responsabilidade que terá levado a que o IPO devolvesse o exame do doente, sem o realizar. Ulisses Brito explicou que houve uma alteração do protocolo entre o IPO e a empresa farmacêutica que o financiava, como tal “era preciso um termo de responsabilidade” que se desconhecia administrativamente. “Esse protocolo terminou no final de 2019. E quando foi alterado não sabia [o hospital do Algarve] que era preciso um termo de responsabilidade”, reforçou.

Ulisses Brito garantiu que “nunca houve constrangimentos orçamentais” apresentados pelo Centro Hospitalar do Algarve para exames ou até para medicamentos que fossem necessários. Adicionalmente, o representante da OM revelou que se concluiu que o doente com cancro do pulmão, que faleceu, não teria condições nem indicações para fazer tratamento.

Já o bastonário considerou que a situação “não é minimamente aceitável”, sendo “um caso grave”, e que infelizmente “não é isolado”. Miguel Guimarães advertiu ainda para o facto dos profissionais terem “cada vez mais receio de denunciar os casos” por temerem “o papel das administrações e de quem tem responsabilidades políticas”. “As pessoas não se sentem protegidas. Quem faz a denúncia de um caso pode ter implicações negativas na sua vida profissional”, afirmou.

Miguel Guimarães salientou que a responsabilidade política “tem de ser completamente diferenciada” da responsabilidade dos profissionais de saúde. “Os profissionais, como os médicos e os enfermeiros, fazem o que podem e o que não podem. Por isso é que têm um nível de ‘burnout’ elevadíssimo”, lamentou, aconselhando os deputados a preocuparem-se mais com os profissionais de saúde e com o investimento no Serviço Nacional de Saúde para que situações como esta, e como aquelas que se vivem todos os dias no SNS, se esbatam.